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São Paulo

PM que intimidou diretora por Orixá abordou violentamente apoiadora do PSol

PM que agrediu eleitora do PSol é o mesmo que invadiu escola após desenho de Orixá e que teria matado suspeito durante agenda de Tarcísio

15/09/2026 02:10
Reprodução
PM que intimidou diretora por Orixá abordou violentamente apoiadora do PSol - Metrópoles

O policial militar (PM) que participou da abordagem violenta a uma apoiadora do PSol no último dia 8 é o mesmo que entrou na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, na zona oeste de São Paulo, e intimidou a direta da instituição após uma criança desenhar a orixá Iansã em uma atividade, em novembro do ano passado.

Ronald Camacho, tenente da corporação, esteve envolvido nestas e em outras ocorrências polêmicas. Em 2022, por exemplo, ele teria sido o responsável por matar um suspeito durante agenda do então candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. E, em 2024, ele participou de uma ação policial no mesmo bairro, que resultou em ferimentos a uma criança negra de sete anos de idade.

Abordagem violenta a apoiadora do PSol

Uma mulher de 33 anos denunciou ter sido alvo de uma abordagem violenta da PM durante uma panfletagem em frente à estação de metrô Vila Sônia, na zona oeste de São Paulo. Ela distribuía panfletos da Bancada Feminista do partido e do candidato a deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), ação permitida pela legislação eleitoral.

PM que intimidou diretora por Orixá abordou violentamente apoiadora do PSol - destaque galeria
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Tenente Ronald Camacho na Emei Antônio Bento, após criança desenhar orixá
PM que intimidou diretora por Orixá abordou violentamente apoiadora do PSol - imagem 3
MPSP solicita gravação das câmeras de policiais que foram até escola por causa de desenho
Apoiadora do PSol denuncia abordagem violenta da PM enquanto panfletava
Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
Tenente Ronald Camacho em abordagem a apoiadora do PSol
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Tenente Ronald Camacho em abordagem a apoiadora do PSol

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Tenente Ronald Camacho na Emei Antônio Bento, após criança desenhar orixá
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Tenente Ronald Camacho na Emei Antônio Bento, após criança desenhar orixá

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PM que intimidou diretora por Orixá abordou violentamente apoiadora do PSol - imagem 3
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Material obtido pelo Metrópoles
MPSP solicita gravação das câmeras de policiais que foram até escola por causa de desenho
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MPSP solicita gravação das câmeras de policiais que foram até escola por causa de desenho

Material cedido ao Metrópoles
Apoiadora do PSol denuncia abordagem violenta da PM enquanto panfletava
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Apoiadora do PSol denuncia abordagem violenta da PM enquanto panfletava

Divulgação/PSol
Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"

Material cedido ao Metrópoles
Cartazes a favor da Emei Antônio Bento
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Cartazes a favor da Emei Antônio Bento

Carol Mendonça / Divulgação Mandato Celso Giannazi
Ato reuniu crianças e seus pais e moradores da região
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Ato reuniu crianças e seus pais e moradores da região

Carol Mendonça / Divulgação Mandato Celso Giannazi
Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia

Material cedido ao Metrópoles

Em um vídeo gravado por uma testemunha do local, é possível ver a mulher sendo imobilizada, com o rosto no chão, algemada por três policiais enquanto outros agentes os escoltam. Veja:

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Após a abordagem, a mulher foi levada ao 89° Distrito Policial, no Jardim Taboão, e liberada na sequência. O material da campanha foi apreendido. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais participavam de uma Operação Delegada, voltada à fiscalização de ambulantes e comércio ilegal na cidade, e ela teria desobedecido a uma ordem dos agentes.

O mandato da Bancada Feminista negou a versão da polícia. Segundo as parlamentares, a mulher, que não quis se pronunciar por questões de segurança, já vinha realizando a panfletagem naquele local há tempos. A PM disse apurar o caso.

Tenente foi alvo de inquérito arquivado

Questionada sobre procedimentos apuratórios contra o tenente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que “em relação às ocorrências anteriores [à abordagem à apoiadora do PSol] envolvendo o policial citado, as providências cabíveis foram adotadas à época dos fatos pelas polícias Civil e Militar”. “Os procedimentos foram concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário”, disse a pasta.

No âmbito da Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), Camacho não é alvo de qualquer ação penal. Procurado, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou que o tenente foi alvo de um inquérito policial que apurou a morte de um suspeito na agenda de Tarcísio em Paraisópolis em 2022. O procedimento, no entanto, foi arquivado após requisição do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação reconheceu “a prática dos fatos sob o manto da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal”.

A defesa do tenente não foi localizada. O espaço segue aberto.

Intimidação a diretora após desenho de orixá

Em 12 de novembro do ano passado, PMs foram acionados pelo pai de uma aluna de 4 anos da Emei Antônio Bento após a menina desenhar a orixá Iansã – divindidade de tradições afro-brasileiras – em uma atividade escolar. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

O tenente Camacho acusou a diretora do colégio de querer “ditar uma ideologia”. “A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia. Não vou conversar com a senhora agora. E, se tiver alguma medida, eu tomarei; voltarei aqui com a medida administrativa”, disse o militar ao discutir com a diretora naquele dia.

A fala, feita por Camacho, foi registrada pela câmera corporal de um dos agentes envolvidos na ocorrência. A reportagem teve acesso às imagens das bodycams em primeira mão. As cenas mostram momentos de tensão, com o policial repetindo os argumentos do pai da criança, e, mais tarde, dizendo não haver crime na atuação da escola.

Veja o vídeo: