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São Paulo

Pix, WhatsApp, leilão: anuário lista principais golpes aplicados no país

Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra aumento no número de estelionatos e detalha principais golpes aplicados no Brasil

24/07/2026 02:00
Arte/ Metrópoles
Arte de golpe na internet

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado nessa quinta-feira (23/7) mostrou o aumento nos registros de estelionatos em todo o Brasil, com um crescimento de quase 430% desde o início da série histórica, em 2018. Os dados trazem uma realidade alarmante: o país teve um golpe a cada 14 segundos no ano passado.

A análise realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra também quais os principais golpes praticados no Brasil, bem como o que tem sido feito por outros países para combater esse tipo de crime.

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A principal referência na luta contra as fraudes é Singapura, que conseguiu reduzir as perdas em 17,9% e os casos em 27,6% em 2025. No país asiático, foi criado, ainda em 2019, um espaço físico (Anti-Scam Centre) que reúne policiais, funcionários dos sete maiores bancos do país e das principais plataformas digitais, com atuação 24 horas por dia.

Em Singapura, a partir de uma denúncia, o grupo do Anti-Scam Centre consegue congelar conta receptora, bloquear chip usado pelo golpista e desativar sites fraudulentos. O governo local também criou o aplicativo Scam Shield, que bloqueia chamadas e SMS provenientes de números que atuam na aplicação de golpes.

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Confira os principais tipos de golpes aplicados no Brasil:

Clonagem ou troca de cartão de crédito

Reúne diferentes formas de obtenção e uso indevido dos dados do cartão da vítima. Na clonagem, os criminosos capturam informações como número, data de validade e código de segurança por meio de páginas falsas, maquininhas adulteradas, vazamentos de dados ou contatos fraudulentos, passando depois a realizar compras sem autorização.

Já na troca de cartão, o autor engana a vítima durante uma compra ou abordagem presencial e devolve outro cartão, geralmente semelhante, permanecendo com o original e, muitas vezes, também com a senha observada durante a operação. Em ambos os casos, o prejuízo decorre do uso das credenciais financeiras da vítima sem seu consentimento.

Golpe do WhatsApp

O criminoso se passa por uma pessoa conhecida da vítima, geralmente utilizando fotografia, nome e outras informações obtidas em redes sociais.

A abordagem costuma ser feita a partir de um número diferente, sob a justificativa de que o contato anterior foi perdido ou substituído, seguida de um pedido urgente de dinheiro, pagamento de boleto ou transferência para uma conta de terceiro.

Em outras situações, os autores assumem o controle da conta real da vítima após obterem o código de verificação do aplicativo e passam a solicitar recursos aos seus contatos. O êxito do golpe depende da confiança previamente existente entre a pessoa personificada e quem recebe a mensagem.

Golpe da falsa central

O golpe da falsa central bancária ocorre quando o criminoso telefona ou envia mensagens se apresentando como funcionário do banco e informa a existência de compras suspeitas, invasão da conta ou necessidade de atualização de segurança.

Para conferir credibilidade à narrativa, pode utilizar dados pessoais verdadeiros, adulterar o número exibido na chamada ou reproduzir gravações semelhantes às do atendimento oficial.

Durante o contato, a vítima é induzida a informar senhas e códigos, instalar programas de acesso remoto, transferir valores para uma suposta “conta segura” ou entregar o cartão a um falso funcionário. A operação apresentada como medida de proteção é, na realidade, o mecanismo utilizado para consumar a fraude.

Golpe do Pix

A expressão “golpe do Pix” não designa uma única modalidade, mas diferentes fraudes nas quais o Pix é utilizado para transferir rapidamente os valores obtidos.

Entre as situações mais comuns estão pedidos feitos por falsos conhecidos, falsas centrais bancárias, vendas inexistentes, comprovantes adulterados, QR Codes ou chaves substituídas e promessas fraudulentas de investimento.

Também pode ocorrer após o acesso indevido ao celular ou à conta bancária da vítima. Assim, o Pix funciona principalmente como meio de pagamento e de dispersão dos recursos, enquanto o engano que antecede a transferência geralmente se baseia em personificação, engenharia social, invasão de conta ou fraude comercial.

Golpe do uso indevido de CPF via SMS

O criminoso envia mensagens de texto (SMS) informando supostas irregularidades relacionadas ao CPF da vítima, como pendências cadastrais, inclusão em cadastros de inadimplência, abertura de empresas em seu nome, compras suspeitas ou necessidade de atualização de dados junto à Receita Federal, bancos ou outros órgãos públicos.

As mensagens costumam conter links para páginas fraudulentas ou números de telefone para contato, por meio dos quais a vítima é induzida a fornecer dados pessoais, credenciais bancárias, códigos de autenticação ou realizar pagamentos para regularizar uma situação inexistente.

Em algumas variações, o objetivo é instalar programas maliciosos no aparelho da vítima ou obter informações suficientes para viabilizar fraudes de identidade e movimentações financeiras posteriores.

Golpe do leilão ou da loja falsa

Consiste na criação de páginas na internet, perfis em redes sociais ou anúncios patrocinados que simulam lojas virtuais legítimas ou leilões de bens, oferecendo produtos com preços significativamente inferiores aos praticados no mercado.

Para conferir aparência de credibilidade, os criminosos utilizam logotipos de empresas conhecidas, avaliações falsas, certificados de segurança e até mesmo domínios semelhantes aos de estabelecimentos reais.

Após convencer a vítima a efetuar o pagamento — geralmente por Pix, boleto bancário ou transferência —, o produto não é entregue e o anunciante desaparece ou interrompe a comunicação. Em alguns casos, além da perda financeira, as informações pessoais e bancárias fornecidas durante a falsa compra são utilizadas para a prática de novas fraudes, ampliando os prejuízos da vítima.