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São Paulo

Brasil tem queda nas mortes violentas em 2025, mas polícias matam mais

Mortes violentas atingem o menor índice desde 2012, com 40.775 casos registrados, mas número de mortos pelas polícias cresceu em 2025

23/07/2026 08:00
Hugo Barreto / Metrópoles
Arma - Metrópoles

As mortes violentas caíram 8,2% em todo o Brasil no ano passado, atingindo o menor índice desde 2012. Foram 40.775 casos registrados ao longo de 2025, ante 44.220 dos 12 meses anteriores. Entretanto, um em cada seis casos foi de autoria de policiais civis ou militares, número que segue em alta.

Os dados divulgados nesta quinta-feira (23/7) fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O conceito de mortes violentas intencionais (MVI) foi criado em 2009 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsável pelo anuário, e engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. A intenção foi a de dar conta da violência letal de uma forma mais ampla.

Segundo o levantamento realizado pelo FBSP, trata-se do menor número já registrado desde 2012, no início da série histórica. Na comparação com aquele ano, a queda foi de 31%. Em 2025, o país teve uma taxa de 19,1 MVI para cada 100 mil habitantes, caindo ano a ano desde 2020.

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A análise de Raquel Sousa, doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do FBSP, é que a diminuição é puxada pela queda no número de homicídios dolosos especificamente, com 32.914 registrados em 2025. Dessa maneira, o país chegou à taxa de 15,4 para cada 100 mil habitantes, antecipando em dois anos a meta para 2027 (16 homicídios para cada 100 mil), estipulada em 2021 pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.


  • Brasil teve 737.883 pessoas assassinadas em 14 anos.
  • Principais vítimas em 2025 foram homens (90,8%), jovens de 18 a 29 anos (41,6%) e negros (79,7%).
  • Negros morrem 3,5 mais do que brancos.
  • 18 pessoas foram mortas por dia em decorrência de intervenções policiais, em média, em 2025, um aumento de 5,4% sobre 2024.
  • Mortes de policiais tiveram queda de 3,5% em relação a 2024.
  • Suicídios de policiais cresceram 37,8% desde 2017.
  • Amapá lidera o ranking de mortes violentas intencionais (MVIs), com taxa de 42,5 para cada 100 mil habitantes.
  • Maranguape é a cidade mais violenta do país, com taxa de 100,3 MVIs por 100 mil habitantes.
  • Rio Grande do Norte lidera o ranking de unidades da federação com aumento no número das MVIs, com crescimento de 19,6% (29,1 por 100 mil habitantes).

Por outro lado, o número de pessoas mortas por policiais civis e militares segue em alta no Brasil e já representa 16,2% de todas as MVIs registradas no país, saltando de 6.237, em 2024, para 6.602, em 2025 (aumento de 5,4%). O número de policiais mortos caiu de 144 para 139 (3,5%) no mesmo período.

Segundo a pesquisadora do FBSP, “a boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada”. “O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira”, afirma Raquel.