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São Paulo

PF vê "Betcóptero" como ponto de ligação entre Wilians e dono de bets

Segundo relatório da PF, confusão de bens de Wilians e dono da Pixbet mostram "estreita relação" entre os empresários investigados

13/08/2026 17:48
Polícia Federal
PF vê “Betcóptero” como ponto de ligação entre Wilians e dono de bets

Novos desdobramentos da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (13/8), indicam que o advogado Nelson Williams, dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país e investigado por participar de um esquema bilionário de apostas e jogos de azar com outros empresários, também tem ligações com Ernildo Junior de Farias Santos, dono da casa de apostas Pixbet.

A informação, que consta em um relatório da PF consultado e confirmado pelo Metrópoles, diz respeito a um helicóptero Airbus EC 130 T2, apelidado pelos investigadores de “Betcóptero”.

Segundo o documento, a aeronave foi cedida por Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente ao escritório Nelson Wilians Advogados em 11 de agosto de 2023 pelo prazo de um ano. Posteriormente, o “Betcóptero” foi adquirido formalmente pela banca, em 28 de outubro de 2024, por cerca de R$ 6,5 milhões.

O contrato de compra e venda, no valor total de US$ 5,5 milhões (R$ 28,6 milhões), foi encontrado na nuvem de dados de Ernildo, dono da da Pixbet.

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Para a PF, as informações reveladas mostram uma “estreita relação” entre os bens de Wilians e Ernildo. Embora o escritório do advogado figurasse como operador da aeronave em orçamentos de manutenção, por exemplo, a nota fiscal dos serviços era emitida para a empresa EJFS Negócios e Participações, que pertence a Ernildo.

Também foram identificados registros de dois pagamentos feitos pela empresa offshore (ou seja, aberta em outro país) Pix Star, também controlada por Ernildo, em favor do escritório Nelson Wilians. Os valores totalizavam cerca de R$ 9,8 milhões, e os pagamentos foram realizados em datas próximas à assinatura do contrato do helicóptero.

A Polícia Federal entende, ainda, que o uso de pessoas interpostas — os famosos “laranjas” — e a rotação societária são práticas comuns no grupo a fim de esconder os proprietários verdadeiros das aeronaves. Wilians, inclusive, é descrito como uma pessoa utilizada para a simulação patrimonial e lavagem de dinheiro, nesse contexto.

Além do “Betcóptero”, o relatório da PF indica confusão patrimonial semelhante envolvendo um jato Embraer Phenom 100 (PP-CMC), que era utilizado pelo grupo Pixbet, mas possuía controles de voos e faturamentos de tarifas aeroportuárias em nome do escritório de advocacia de Nelson Wilians.

PF vê “Betcóptero” como ponto de ligação entre Wilians e dono de bets - destaque galeria
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Jato Embraer Phenom 100 (PP-CMC)
Helicóptero Airbus EC 130 T2, apelidado pelos investigadores de "Betcóptero"
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Helicóptero Airbus EC 130 T2, apelidado pelos investigadores de "Betcóptero"

Polícia Federal
Jato Embraer Phenom 100 (PP-CMC)
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Jato Embraer Phenom 100 (PP-CMC)

Operação Arena

A PF realizou nesta quinta-feira (13/8)  uma nova operação de buscas na mansão de Nelson Wilians em São Paulo. Segundo a Receita Federal, que também participou da ação, o advogado faria parte de grupo empresarial investigado por movimentar R$ 1 bilhão por meio de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, com o objetivo de conferir aparência de legalidade a transações relacionadas à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar.

Ainda de acordo com a Receita Federal, foi identificada a utilização de estrutura societária e financeira complexa mantida no Brasil e no exterior para a manutenção do esquema. A estrutura teria sido usada para simular a condução das atividades a partir do exterior, enquanto a gestão operacional, administrativa e decisória ocorreria, em tese, em território nacional.

Além da PF e da Receita, participaram da Operação Arena o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados e há decisão judicial para apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão, valor supostamente desviado no esquema. A operação acontece após decisão da Justiça da Paraíba.


Estrutura financeira complexa

  • As investigações apontaram que as empresas constituídas pelo grupo no exterior seriam usadas para justificar as elevadas remessas internacionais de recursos. Porém, segundo a Receita Federal, as atividades econômicas seriam incompatíveis com os valores movimentados.
  • O grupo investigado também teria envolvido empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras, com o propósito de dificultar a identificação da origem e da destinação dos recursos.
  • As autoridades também acredita que os suspeitos omitiram rendimentos e usaram as estruturas empresarias para reduzir ou evitar, de forma ilegal, a tributação sobre as atividades desenvolvidas.
  • Segundo a Receita, o esquema era feito antes da regulamentação dos jogos de azar no Brasil.

Uma das bets envolvidas no esquema seria a Pixbet, empresa que já patrocinou clubes de futebol como Corinthians e Flamengo. Em nota, a defesa do escritório de advocacia de Nelson Wilians afirmou que a relação dos advogados com a empresa de apostas esportivas “é estritamente profissional”.