Master: operação da PF mira município de SP que aplicou R$ 87 milhões
PF cumpre 6 mandados de busca e apreensão em Cajamar e Boituva, no interior de São Paulo, além da capital paulista
atualizado
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O Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo, é alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (13/5), mirando possíveis irregularidades na aplicação de recursos. As investigações apontam o investimento de R$ 107 milhões em quatro letras financeiras, entre elas, do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no final do ano passado.
O valor milionário investido em letras financeiras corresponde a 19,56% do patrimônio líquido do Regime Próprio de Previdência Social do município.
Reportagem publicada pela colunista Andreza Matais, do Metrópoles, nessa terça-feira (12/5), revelou que um político apadrinhado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) era o prefeito de Cajamar quando o Instituto de Previdência local aplicou R$ 87 milhões em letras de crédito do Banco Master. Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, também da PF, no último dia 7 de maio.
São cumpridos nesta quarta-feira seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar e Boituva, no interior de São Paulo, e na capital paulista.
Alvos da operação
Os alvos da Operação Off- Balance são os gestores do fundo de previdência de Cajamar. Eles participaram do processo decisório que autorizou aplicações financeiras consideradas irregulares e temerárias. São eles:
- Luiz Henrique Miranda Teixeira, diretor executivo do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar
- Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro
- Marcelo Ribas de Oliveira, Gestor de Desenvolvimento Empresarial, conforme perfil do LinkedIN;
- Rafael Petrozziello, subsecretário de Governo
- Rodrigo Sartori Mendes, subsecretário de Justiça de Cajamar
A PF afirma que os gestores falharam em “praticamente todas as etapas do processo de investimento”.
“Não fizeram análise adequada dos emissores, não avaliaram os riscos, não justificaram suas escolhas, não estabeleceram critérios objetivos para seleção de instituições e ativos, não definiram limites de concentração por emissor na política de investimentos, não verificaram a liquidez dos papéis e não documentaram adequadamente suas decisões”, aponta a investigação.
No período compreendido entre agosto de 2023 e março de 2024, a Previdência de Cajamar realizou quatro aplicações em letras financeiras no Banco Master e no Banco Daycoval com vencimentos de longo prazo – entre oito e dez anos – e taxas indexadas ao IPCA.
Alerta do MPC
Cajamar, assim como outros quatro municípios paulistas (Araras, Santa Rita do Oeste, Santo Antônio de Posse e São Roque) foram alertados, em 2024, pelo Ministério Público de Contas (MPC) sobre possíveis entraves com os investimentos no futuro. As representações já destacavam problemas de reputação do Master após publicações na mídia sobre o crescimento meteórico da instituição.
“Criou-se um cenário de preocupação não apenas sobre exposição do risco reputacional de tal instituição financeira, mas, mais preocupante, sobre sua própria solidez patrimonial”, afirmou o MPC.
