
Andreza MataisColunas

O apadrinhado de Ciro Nogueira e o rombo de R$ 87 milhões em Cajamar
Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores foram durante gestão de vice-presidente do PP, filiado em evento com Ciro Nogueira
atualizado
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Um político apadrinhado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) era o prefeito de Cajamar (SP) quando o Instituto de Previdência dos Servidores do município aplicou R$ 87 milhões em letras de crédito do Banco Master.
Na semana passada, Nogueira foi alvo de uma nova fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na representação, a Polícia Federal (PF) afirma que Nogueira recebia uma mesada do dono do Master, o empresário mineiro Daniel Vorcaro. Os valores variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, segundo a PF — Ciro Nogueira nega ter recebido os valores.
Os investimentos do Instituto no Master foram feitos em três rodadas, nos meses de outubro e dezembro de 2023 e março de 2024. À época, o prefeito de Cajamar era o atual vice-presidente do PP estadual em São Paulo, Danilo Joan. Ciro Nogueira participou pessoalmente do evento de filiação dele, em 30 de março deste ano.
Hoje, Danilo Joan é pré-candidato a deputado estadual pelo PP.
Como prefeito, cabia a Danilo Joan indicar os dirigentes do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar.
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Os investimentos no Master são assinados pelos então diretores do instituto: Luiz Henrique Miranda Teixeira (diretor-executivo), Milton Marques Dias (administrativo e financeiro) e Marcelo Ribas de Oliveira (benefícios).
Com a liquidação do Master, o Instituto perdeu o valor investido.
A coluna entrou em contato com Milton Marques Dias. “Sobre o tema investimentos, já foram prestadas todas as informações solicitadas pelo portal Metrópoles”, disse ele.
A coluna não conseguiu contato com os outros dois dirigentes do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar.
Em nota, o Instituto afirmou que “todos os investimentos foram realizados com a observância de rigorosas cautelas legais e análises técnicas, em um momento em que a instituição era considerada sólida e segura pelos órgãos reguladores”.
