PF diz que ex-presidente do INSS recebia R$ 250 mil de propina por mês

Preso na Operação Sem Desconto, ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto está sob suspeita de receber propina da Conafer

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ex-presidente do INSS Instituto Nacional do Seguro Social Alessandro Stefanutto é ouvido pela CPMI que apura fraudes nos descontos previdenciários do órgão Metropoles
1 de 1 Ex-presidente do INSS Instituto Nacional do Seguro Social Alessandro Stefanutto é ouvido pela CPMI que apura fraudes nos descontos previdenciários do órgão Metropoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A Polícia Federal afirma que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, recebeu uma mesada de R$ 250 mil em propinas da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) por meio de empresas de fachada. Entre elas, estão uma imobiliária e uma pizzaria. De acordo com as investigações, ele teria o apelido de “italiano” em planilhas internas da entidade.

Segundo o pedido da PF, em troca da “influência”, Stefanutto recebeu propinas “recorrentes” da Conafer, “usando diversas empresas de fachada, como Stelo Advogados e Associados, Delicia Italiana Pizzas e Moinhos Imobiliária”.

“O valor mensal de sua propina aumentou significativamente para R$ 250.000,00 após assumir a Presidência do INSS. Seus pagamentos provinham diretamente do escoamento da fraude em massa da Conafer”, afirmou a PF.

Segundo a PF, “quase a totalidade dos valores foram pagos entre junho de 2023 e setembro de 2024 (à exceção de um pagamento no valor de R$ 250.000,00, realizado em outubro de 2022”.

Os investigadores afirmam que o ex-presidente do INSS “recebia pagamentos mensais provenientes de empresas vinculadas ao operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos, disfarçados como honorários de consultoria ou assessoria técnica”.

A Conafer arrecadou R$ 688 milhões com descontos sobre aposentadorias.

Stefanutto já havia sido afastado judicialmente na primeira fase da Operação Sem Desconto, que investiga envolvidos com a farra dos descontos indevidos revelada pelo Metrópoles.

Ele era suspeito de negligência ao permitir que entidades não apenas continuassem a descontar dos aposentados, como de ter assinado atos que permitiram que elas filiassem novos associados com uso de biometria própria.

Um ano após a revelação do esquema pelo Metrópoles, as entidades ainda conseguiram descontar mais R$ 2 bilhões de aposentados, e apenas uma entidade, com arrecadação irrisória, teve seu acordo cancelado em sua gestão. A PF suspeita de que as fraudes cheguem aos R$ 6,3 bilhões.

A nova fase da Sem Desconto passou a investigar o ex-presidente do instituto também pelo crime de corrupção passiva.

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