Chuvas afetam cronograma e Parque dos Búfalos tem inauguração adiada
Nova promessa é que as obras, iniciadas há 8 anos, serão concluídas no primeiro semestre deste ano. Parque segue com sujeira e desmatamento
atualizado
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A Prefeitura de São Paulo adiou mais uma vez a inauguração da sede do Parque dos Búfalos, antiga reivindicação da comunidade de Cidade Ademar, na zona sul da capital paulista. O cronograma foi afetado pela temporada de chuvas, segundo a administração municipal. A nova promessa é que as obras, iniciadas há oito anos, serão concluídas no primeiro semestre deste ano.
Como mostrou o Metrópoles, moradores denunciam o rastro de desmatamento e sujeira que a construção deixou no local, além do projeto original incompleto. Em janeiro, a reportagem esteve no parque e percorreu o trecho que corresponde ao Núcleo Sede. Na época, a gestão municipal havia dito que o espaço seria inaugurado até março, prazo que já venceu.
De acordo com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a obra está em “fase final”, com conclusão dos acabamentos e instalação da iluminação pública em andamento. “A instalação da iluminação sofreu impacto em razão do período de chuvas, o que exigiu a reprogramação do cronograma”, diz a pasta.
Imagens recentes enviadas ao Metrópoles mostram que a situação não mudou desde o início do ano. Ainda há materiais de construção descartados de forma irregular e pouco avanço nas intervenções (assista acima).
“O espaço permanece, na prática, abandonado e sem os equipamentos essenciais para garantir um uso público seguro e digno”, afirma Wesley Silvestre, líder comunitário que integra o conselho gestor do parque. Segundo ele, havia promessas de inauguração desde o ano passado.
Parque dos Búfalos
Com cerca de 537 mil metros quadrados, o Parque dos Búfalos está situado em uma área de mananciais e tem vegetação remanescente da Mata Atlântica, com 14 nascentes que alimentam a Represa Billings. Foi criado oficialmente em 2015 e classificado como Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepam).
Originalmente, o território tinha quase o dobro de tamanho, mas parte dele foi destinada pela Prefeitura para a construção de um condomínio com 193 prédios — o Residencial Espanha.
Ao longo dos oito anos desde o início das obras, moradores apontaram diversas irregularidades ocorridas no local, como remoção de árvores, descarte irregular de materiais de construção, soterramento das nascentes e falta de segurança — há relatos de que o parque é usado como ponto de “desova” de cargas roubadas e até de cadáveres.
Tais queixas foram apresentadas ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), ainda em 2021, que instaurou um inquérito civil e depois passou a monitorar a obra por meio de um Procedimento Administrativo de Acompanhamento.
Apesar de estar oficialmente em obras, o parque é frequentado normalmente por moradores e ainda possui uma entrada lateral sem qualquer bloqueio ou vigilância (veja abaixo).
Ao longo da trilha — que foi construída pelos próprios moradores, antes mesmo de o parque ser anunciado —, é possível observar buracos cavados embaixo de árvores para receber luminárias, árvores de pequeno e médio porte derrubadas, montes de concreto acumulados, embalagens de materiais de construção descartados e sinais de erosão no solo onde passou o maquinário pesado utilizado nas obras. Alguns entulhos foram jogados em áreas de difícil acesso e visão.
“A prefeitura vai entregar 20% do que foi prometido. Prometeram que iam pavimentar todo o parque, fazer vários playgrounds, várias entradas, várias guaritas, segurança, limpeza, e nada disso tem acontecido”, afirma Wesley Silvestre. “Além disso, há resíduos de obra. O impacto sobre as nascentes, assoreamento da represa, com esse pouco de obra que aconteceu, é muito grande”, completa.
Segundo Wesley, o projeto de reforma não considerou as características do parque. “Estão cortando árvores para colocar postes de luz. Daria para colocar um metro para cá, um metro para lá, e evitar mais cortes. As árvores velhas, centenárias, a Prefeitura colocou no chão”, diz.
Para o líder comunitário, o playground construído no local pode oferecer riscos para as crianças. “Nos outros parques, a gente não vê brinquedos de qualidade tão inferior. Alguma criança vai se acidentar ali, é um labirinto de concreto”, afirma.
O que diz a prefeitura
Além de anunciar o novo adiamento, a Prefeitura de São Paulo diz que o contrato vigente foi “integralmente executado”, incluindo a edificação administrativa, passarelas, entrada pela Rua Salvador Dalí, sanitários, guarita e parquinho infantil.
“Durante a execução, foram necessários aditivos de prazo em razão do reforço das estruturas de contenção do parque e de adequações para atendimento a exigências de outros órgãos, como a implantação de uma Estação Elevatória de Esgoto”, afirma a gestão.
Segundo a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, não houve derrubada de árvores para a instalação da iluminação pública. A pasta diz que o processo de implantação do Núcleo Sede do Parque dos Búfalos é conduzido “de forma responsável, em conformidade com normas técnicas e ambientais, assegurando a integridade da área, a preservação das árvores nativas e da represa, além da segurança e bem-estar da população”.




























