Obra de parque em zona de proteção ambiental deixa lixo e desmatamento

Situado em Zona Especial de Proteção Ambiental, Parque dos Búfalos passa por obras há anos e moradores apontam sujeira e falta de segurança

atualizado

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Embalagens de materiais de construção são descartados em obra no Parque dos Búfalos - Metrópoles
1 de 1 Embalagens de materiais de construção são descartados em obra no Parque dos Búfalos - Metrópoles - Foto: Leonardo Amaro/Metrópoles

Antiga reivindicação da comunidade de Cidade Ademar, na zona sul da capital paulista, o Parque dos Búfalos vive a expectativa da conclusão das obras realizadas pela Prefeitura de São Paulo, iniciadas há oito anos, entre pausas e retomadas. A inauguração é prometida para o primeiro trimestre deste ano, mas moradores reclamam do rastro de desmatamento e sujeira que a construção deixou no local, além do projeto original incompleto.

Com cerca de 537 mil metros quadrados, o parque está situado em uma área de mananciais e tem vegetação remanescente da Mata Atlântica, com 14 nascentes que alimentam a Represa Billings. Foi criado oficialmente em 2015 e classificado como Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepam).

Originalmente, o território tinha quase o dobro de tamanho, mas parte dele foi destinada pela Prefeitura para a construção de um condomínio com 193 prédios — o Residencial Espanha.

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Concreto se mistura com vegetação em obra no Parque dos Búfalos
Montes de concreto são vistos ao longo de trilha no Parque dos Búfalos
Montes de concreto são vistos ao longo de trilha no Parque dos Búfalos
Concreto se mistura com vegetação em obra no Parque dos Búfalos
Embalagens de materiais de construção são descartadas em obra no Parque dos Búfalos
Solo começa a sofrer erosão após obras no Parque dos Búfalos
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Solo começa a sofrer erosão após obras no Parque dos Búfalos

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Concreto se mistura com vegetação em obra no Parque dos Búfalos
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Concreto se mistura com vegetação em obra no Parque dos Búfalos

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Montes de concreto são vistos ao longo de trilha no Parque dos Búfalos
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Montes de concreto são vistos ao longo de trilha no Parque dos Búfalos

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Montes de concreto são vistos ao longo de trilha no Parque dos Búfalos

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Concreto se mistura com vegetação em obra no Parque dos Búfalos

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Embalagens de materiais de construção são descartadas em obra no Parque dos Búfalos

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Ao longo dos oito anos desde o início das obras, moradores apontaram diversas irregularidades ocorridas no local, como remoção de árvores, descarte irregular de materiais de construção, soterramento das nascentes e falta de segurança — há relatos de que o parque seja usado como ponto de “desova” de cargas roubadas e até de cadáver. Tais queixas foram apresentadas ao Ministério Público de São Paulo, ainda em 2021, que instaurou um inquérito civil e depois passou a monitorar a obra por meio de um Procedimento Administrativo de Acompanhamento.

O Metrópoles visitou o local e percorreu o trecho que corresponde ao Núcleo Sede, que será inaugurado até março deste ano, de acordo com a Prefeitura. Apesar de estar oficialmente em obras, o parque é frequentado normalmente por moradores e ainda possui uma entrada lateral sem qualquer bloqueio ou vigilância (veja galeria abaixo).

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Moradores frequentam Parque dos Búfalos, mesmo em fase de obras
Playground para crianças no Parque dos Búfalos é visto como "labirinto de concreto" por moradores
Nascente seca no Parque dos Búfalos
Obra no Parque dos Búfalos derrubou diversas árvores
Obra no Parque dos Búfalos removeu árvores
Entrada lateral sem vigilância no Parque dos Búfalos
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Entrada lateral sem vigilância no Parque dos Búfalos

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Moradores frequentam Parque dos Búfalos, mesmo em fase de obras
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Moradores frequentam Parque dos Búfalos, mesmo em fase de obras

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Playground para crianças no Parque dos Búfalos é visto como "labirinto de concreto" por moradores
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Playground para crianças no Parque dos Búfalos é visto como "labirinto de concreto" por moradores

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Nascente seca no Parque dos Búfalos
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Nascente seca no Parque dos Búfalos

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Obra no Parque dos Búfalos derrubou diversas árvores
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Obra no Parque dos Búfalos derrubou diversas árvores

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Obra no Parque dos Búfalos removeu árvores
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Obra no Parque dos Búfalos removeu árvores

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Obra no Parque dos Búfalos removeu árvores
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Obra no Parque dos Búfalos removeu árvores

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Buracos escavados para implantação de postes de iluminação no Parque dos Búfalos
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Buracos escavados para implantação de postes de iluminação no Parque dos Búfalos

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Maquinário pesado alargou trilha construída por moradores
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Maquinário pesado alargou trilha construída por moradores

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Ao longo da trilha — que foi construída pelos próprios moradores, antes mesmo de o parque ser anunciado, foi possível observar buracos cavados embaixo de árvores para receber luminárias, árvores de pequeno e médio porte derrubadas, montes de concreto acumulados, embalagens de materiais de construção descartados e sinais de erosão no solo onde passou o maquinário pesado utilizado nas obras. Alguns entulhos foram jogados em áreas de difícil acesso e visão.

“A prefeitura vai entregar 20% do que foi prometido. Prometeram que iam pavimentar todo o parque, fazer vários playgrounds, várias entradas, várias guaritas, segurança, limpeza, e nada disso tem acontecido”, afirma o líder comunitário Wesley Silvestre, fundador da Oëkobr, organização dedicada à conscientização ambiental e ao desenvolvimento sociocultural do bairro. “Além disso, resíduos de obra, o impacto sobre as nascentes, assoreamento da represa, com esse pouco de obra que aconteceu, é muito grande”, completa.

Segundo Wesley, o projeto de reforma não considerou as características do parque. “Estão cortando árvores para colocar postes de luz. Daria para colocar um metro para cá, um metro para lá, e evitar mais cortes. Árvores velhas, centenárias, a Prefeitura colocou no chão”, diz.

Para o líder comunitário, o playground construído no local pode oferecer riscos para as crianças. “Nos outros parques, a gente não vê brinquedos tão inferiores de qualidade. Alguma criança vai se acidentar ali, é um labirinto de concreto”, afirma.

O que diz a prefeitura

Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirmou que as alegações apresentadas na denúncia não procedem. “Todas as ações realizadas no Parque Apurá Búfalos seguiram rigorosamente critérios técnicos e legais, assegurando a integridade e a preservação da área verde. Além disso, a pasta já prestou todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público”, disse.

Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o Núcleo Sede está “em fase final de implantação” e faz parte da primeira etapa do projeto. “A inauguração está prevista para ocorrer ainda no primeiro trimestre deste ano. A segunda etapa do projeto inclui a implantação de praças, mirantes e a pavimentação dos caminhos”, afirmou. A próxima fase das obras ainda será submetida a processo licitatório, de acordo com a gestão municipal.

A Emccamp Residencial, construtora responsável pelo Residencial Espanha, teve que realizar plantio compensatório dentro da área do parque, devido à remoção da vegetação realizada para a construção do condomínio. Em nota, a empresa afirmou que o empreendimento foi entregue em 2017 e que não realiza mais obras no local.

“Durante a implantação, todos os programas ambientais exigidos foram executados, com monitoramento contínuo e adoção de medidas de controle de resíduos, erosão, recursos hídricos, fauna, flora, qualidade do ar e ruídos”, afirmou a construtora.

O Metrópoles entrou em contato com a Engecon, empresa responsável pelas obras dentro do Parque dos Búfalos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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