Pai diz que menino morto em piscina pública era vítima de maus-tratos

O pai do menino Bryan Vicente, de 4 anos, contou que o filho apresentou um ferimento em abril de 2025, alegando que teria sido agredido

atualizado

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Imagem colorida mostra ilustração de Bryan Adolfo Moraes Vicente, encontrado morto em piscina. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra ilustração de Bryan Adolfo Moraes Vicente, encontrado morto em piscina. Metrópoles - Foto: Acervo pessoal

O pai de Bryan Adolfo Moraes Vicente, menino de quatro anos que morreu afogado em uma piscina do Centro Esportivo Municipal Edson Arantes do Nascimento, alega que o filho já havia relatado ter sido vítima de maus-tratos por parte dos funcionários do Instituto Dica do Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica), onde morava temporariamente, no bairro Casa Verde, zona norte de São Paulo.

Rodrigo Augusto Vicente disse ao Metrópoles que o filho não gostava de permanecer no instituto e demonstrava resistência sempre que precisava retornar ao abrigo, nunca querendo se despedir dos pais.

Bryan estava no local devido à condição financeira da família, que vivia em situação de rua. No entanto, segundo Vicente, ele e a esposa conseguiram emprego e moradia fixa, o que os tornaria aptos a reassumir integralmente os cuidados do filho a partir de fevereiro deste ano. A tragédia interrompeu os planos do casal.

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Bryan Adolfo Moraes Vicente, de 4 anos, encontrado morto em piscina de centro esportivo
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A morte de Bryan pegou os pais de surpresa. Vicente afirmou, no entanto, que o filho já tinha aparecido, em abril de 2025, com um machucado no rosto, na região da bochecha e no canto da boca. Inicialmente, um assistente social do instituto teria dito que ele havia se ferido após cair e bater o rosto em um pedaço de metal. Questionado pelo pai, Bryan negou a versão do funcionário e afirmou que o assistente quem o teria agredido no rosto.

Vicente disse que o funcionário acabou demitido do instituto após ser questionado sobre o ocorrido.

O pai também acusou a direção do Saica de mentir sobre o comportamento escolar da criança, dizendo que ele gostava de arrumar briga no local. Vicente afirmou que procurou a diretora da escola onde o menino frequentava e a versão relatada foi diferente.

Em nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informa que não possui qualquer registro sobre a suposta agressão citada na reportagem. A pasta reforça que os serviços de acolhimento institucional de crianças e adolescentes são realizados por Organizações da Sociedade Civil (OSCs) conveniadas com a Prefeitura de São Paulo, as quais são continuamente fiscalizadas.

A administração municipal destaca ainda que, por decisão da Justiça e como medida de proteção, conforme o art. 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente, a criança estava afastada do convívio familiar.


Menino de 4 anos morre em centro esportivo de SP

  • Segundo o boletim de ocorrência, uma banhista que frequentava o centro esportivo no momento do ocorrido, na tarde de 23 de dezembro de 2025, contou à polícia que encontrou Bryan boiando de bruços dentro da piscina.
  • Inicialmente, a testemunha pensou que o menino estivesse testando quanto tempo conseguiria ficar submerso, mas estranhou a demora. Ela foi até a criança, quando percebeu que Bryan estava desacordado e começou a gritar por socorro.
  • O menino foi levado aos salva-vidas presentes no local. Imediatamente, os socorristas realizaram manobras de ressuscitação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Durante as manobras, a criança vomitou.
  • Bryan morreu no local.
  • Os orientadores responsáveis pelas crianças contaram às autoridades que, no momento em que o afogamento do menino foi percebido, eles haviam se distanciado momentaneamente para atender outras crianças. Eles notaram o ocorrido apenas quando os salva-vidas já estavam realizando o socorro.
  • No momento do afogamento, estavam no local uma monitora aquática e pelo menos quatro salva-vidas.
  • Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o centro esportivo tinha uma equipe de salva-vidas de plantão, que realizou os procedimentos de salvamento até a chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros.

Orientadores afastados

Sobre os funcionários do abrigo, a administração municipal alegou que, como medida cautelar, afastou os profissionais envolvidos.

A Polícia Civil afirmou que investiga o caso por meio de um inquérito policial instaurado pelo 91° Distrito Policial (Ceasa). Exames foram solicitados ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar no esclarecimento das causas da morte e dos fatos.

O caso foi registrado como homicídio. Uma das salva-vidas do clube consta no boletim de ocorrência como investigada. Bryan foi enterrado, na manhã do Natal, no Cemitério Dom Bosco, na zona norte de São Paulo.

Acolhimento provisório

Bryan morava temporariamente no instituto. “Agora a gente já está estabilizado, trabalhando, se organizando para alugar nossa casa. Então, eles iam devolver o Bryan para nós em fevereiro, porque a gente já estava passeando com ele. Ele já ia começar a dormir com nós (sic)”, lamentou o pai. “Se ele já estivesse com a gente, nada disso tinha acontecido.”

A visita ao Pelezão foi realizada com acompanhamento de monitores do instituto como uma atividade de férias. A família, no entanto, afirma que não foi avisada.

“No dia da última visita, eu estava trabalhando e minha esposa foi sozinha. Chegando lá, falaram que ele tinha ido para um passeio, mas não nos comunicaram antes. Sempre que tinha um passeio, minha esposa ia junto para cuidar dele. Dessa vez, não levaram ela e nem avisaram. Apenas no dia seguinte, ligaram de manhã falando que tinha acontecido um acidente com ele, mas não contaram o que era.”

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