Oposição quer travar privatização da Sabesp nas câmaras municipais
Alesp inicia 2º dia de votação do projeto de lei que prevê a privatização da Sabesp, promessa de campanha de Tarcísio

São Paulo – O deputado estadual Antonio Donato (PT) afirmou, na noite desta terça-feira (5/12), que a oposição ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) tentará barrar a privatização da Sabesp nas câmaras municipais de cidades que possuem convênio com a companhia de saneamento básico.
“A gente vai brigar em cada câmara e no Judiciário para barrar a questão da Sabesp”, declarou Donato no plenário da Assembleia Legislativa (Alesp) durante o segundo dia de votação do projeto de lei que prevê a privatização da estatal.
Além de ser aprovada pela Alesp, a desestatização também precisa do aval das câmaras municipais de todas as 375 cidades paulistas que possuem contratos com a Sabesp. O contrato das prefeituras com a estatal contém uma cláusula de cancelamento em caso de privatização, o que exigirá a assinatura de novos contratos.
Enquanto a oposição reclama de, na Alesp, o processo ter sido acelerado – com o projeto de lei aprovado em um congresso de comissões, que reuniu as três comissões pelas quais o texto deveria ter passado individualmente –, na Câmara de São Paulo foi criada uma comissão para avaliar os impactos da privatização.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Na Câmara de São Paulo estão discutindo a privatização da Sabesp mais sério do que aqui”, disse Donato. “O presidente da Sabesp [André Salcedo] já foi na Câmara de São Paulo e nunca veio aqui”, acrescentou o deputado.
Os deputados da oposição já haviam criticado Salcedo por não ter comparecido à audiência pública que debateu a privatização da Sabesp na Alesp. A secretária do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, foi a única representante do governo a participar.
A sessão também foi marcada por uma discussão acalorada entre parlamentares petistas e bolsonaristas sobre o tema.
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Promessa de campanha
O governo Tarcísio e os deputados governistas argumentam que a privatização foi “decidida nas urnas”, em referência ao fato de a desestatização da Sabesp ter sido uma das principais promessas de campanha do governador.
No entanto, a oposição tem apontado que Tarcísio não incluiu a privatização da Sabesp em seu plano de governo e que, apesar de ter saído vitorioso no estado, ele não foi o candidato mais votado em cidades que representam 56% do faturamento da estatal.
“Tarcísio perdeu em cidades que respondem a 60% do faturamento da Sabesp”, disse Donato.
O petista mencionou a derrota de Tarcísio em Osasco, Carapicuíba, Taboão da Serra, Cotia, Embu das Artes, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Itaquaquecetuba e também na capital paulista (veja na imagem abaixo).

No plenário, manifestantes contrários à privatização da companhia gritaram “plebiscito agora, plebiscito já”, pedindo que a desestatização da Sabesp seja decidida por meio do voto popular.


