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São Paulo

Nunes diz que se fechar Anhangabaú em todo alerta vai parar túnel

Prefeito Ricardo Nunes diz que sua gestão já investiu mais de R$ 11 bilhões em obras antienchente. Ele também criticou promotor

16/10/2026 15:30, atualizado 16/10/2026 16:21
Jessica Bernardo/Metrópoles
O prefeito Ricardo Nunes durante agenda na Penha - Metrópoles

São Paulo — Após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dizer que o túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante o temporal da última quarta-feira (14/10), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que se fechar o túnel sempre que houver alerta de chuva vai paralisar o local.

“A questão é que a gente não fecha com alerta. Se eu for fechar com todo alerta, a gente para o túnel”, disse Nunes, nesta sexta-feira (15/10).

A fala aconteceu durante uma agenda conjunta de Nunes com o governador, na Penha, zona leste da cidade. Os dois acompanharam o início da operação da tuneladora Hebe Camargo, o tatuzão que abrirá caminho para a expansão da Linha 2-Verde até Guarulhos, na região metropolitana.

Questionado sobre os procedimentos para fechar o túnel Anhangabaú, Nunes disse que o local deveria ter sido fechado na quarta “se houvesse tempo de fechar”.

“Você acha que a Prefeitura vai falar: ‘Vai encher de água, eu não vou fechar’? Óbvio que não. […] A gente teve pouquíssimos minutos. Em 3 minutos [o nível de água] chegou em mais de 1 metro”, afirmou. Tarcísio já tinha deixado o local quando Nunes deu a declaração.

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O prefeito disse que não é um negacionista climático e que sua gestão já investiu mais de R$ 11 bilhões em obras de drenagem, contenção de encostas e piscinões.

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Durante as chuvas da última quarta, vários automóveis ficaram debaixo d’água após o Anhangabaú alagar. Os motoristas conseguiram sair.

Na zona norte da cidade, uma mulher morreu após um deslizamento de terra atingir a Brasilândia. Nunes disse que a Prefeitura já havia solicitado à Justiça a retirada de moradores daquele local, mas teve o pedido negado dias antes do temporal.

Críticas a promotor

O prefeito também criticou o promotor Marcus Vinícius, da Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão quer que a prefeitura explique, no prazo de 48 horas, quais medidas foram tomadas para deflagrar o plano de contingência contra enchentes.

“Eu vou parar a minha equipe para pegar esse relatório todo de tudo que a gente já está fazendo, coisas concretas, e vou mandar para ele lá se divertir”, afirmou. “O MPSP está lá para ficar mandando ofício para a gente. Eu estou lá para trabalhar”, disse Nunes, dizendo que suas críticas eram para Marcus Vinícius, especificamente.

Em nota ao Metrópoles, o MPSP informou, a respeito da declaração do prefeito, que “aguardará o pronunciamento judicial”.

Anhangabaú tem esquema especial

Produzido pela própria prefeitura, o Plano de Prevenção às Chuvas do ciclo 2025/2026 é categórico ao determinar as ações que devem ser adotadas no Túnel São João Paulo II, o túnel do Anhangabaú, no caso de temporais. A preocupação é resultado do trauma vivido em 1999, quando pessoas ficaram presas no local em meio ao alagamento.

O plano determina que, a partir da implantação do estado de atenção, “as equipes de campo serão deslocadas para os locais relacionados, visando observar o nível dos rios, córregos e os locais com risco de pontos de interferência por chuva e/ou transbordamento, efetuando os bloqueios das vias quando necessário”.

No caso do túnel do Anhangabaú, o tráfego não precisa ser interrompido imediatamente, mas reduzido, justamente para não impactar o trânsito.

“Quando necessária é realizada ‘operação comporta’, através da canalização de uma ou duas faixas de rolamento, com o objetivo de reduzir o número de veículos no interior do túnel e de facilitar a retirada destes quando for necessário o seu fechamento total”, diz.

O túnel do Anhangabaú é tão sensível aos alagamentos que exige monitoramento 24 horas por dia, inclusive nos finais de semana. No emboque norte, ao longo de todo o ano, e, no emboque sul, enquanto estiver em vigor a Operação Chuvas de Verão.

Equipes de campo devem acionar manualmente um dispositivo que ativa placas com luzes intermitentes indicando “túnel interditado”.
Para minimizar os problemas, o túnel conta com oito bombas elevatórias. Como comparação, o Túnel Ayrton Senna, sob o Ibirapuera, tem três bombas.

O esquema inclui até mesmo a distribuição do trânsito por ruas próximas. No emboque norte, por exemplo, há interdições em ruas que cruzam a Avenida Senador Queirós e o fluxo do corredor Norte-Sul é revertido por meio de uma ferradura na própria Avenida Prestes Maia.
No emboque sul, quem vem da Avenida 23 de Maio deve subir a Rua São Franciso, em direção ao largo de mesmo nome.

Nunes diz que se fechar Anhangabaú em todo alerta vai parar túnel