Novo alvará obriga casa temporária de shows a funcionar até 22h
Moradores denunciam lama, barulho e transtornos enquanto casa de shows opera com alvará temporário em bairro rico de São Paulo
atualizado
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Após reclamações de moradores sobre a instalação da estrutura da casa de shows Varanda Estaiada, a Prefeitura de São Paulo decidiu alterar o alvará do evento.
O horário, que antes ia de 12h às 2h, agora foi reduzido, passando a ser de 12h às 22h. A alteração ocorre após a mobilização dos moradores do bairro e a publicação do caso pelo Metrópoles.
O documento da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), obtido pela reportagem, confirma a autorização para a realização do evento “Arena Estaiada”, da empresa Varanda Estaiada, na Avenida Dr. Chucri Zaidan, no Brooklin, zona sul da capital.
O alvará vale de 28 de janeiro a 20 de junho de 2026 e permite eventos com lotação máxima para 4.870 pessoas, em um terreno de 4.020 m².
A única alteração feita no alvará foi, de fato, o encerramento antecipado do evento para as 22h, gerando menor impacto para os moradores da região.
Casa “temporária” de shows
- O Varanda Estaiada foi instalado no Brooklin, bairro rico de São Paulo, em um quarteirão entre as avenidas Doutor Chucri Zaidan e Jurubatuba.
- A casa de shows já funcionava do outro lado da Ponte Estaiada e agora ocupa um novo endereço, gerando preocupação entre os moradores.
- Ruas foram tomadas por lama, caminhões e retroescavadeiras que circulam diariamente pelo local.
- O espaço fica próximo a um hospital de cuidados paliativos, aumentando a apreensão por causa do barulho e da movimentação intensa.
- Moradores criaram um abaixo-assinado com mais de 1.230 assinaturas; a administração da casa de shows afirma que o espaço é para eventos temporários e possui todas as licenças necessárias.
- A prefeitura concedeu alvará temporário de 28 de janeiro a 20 de junho e afirma que não encontrou irregularidades; moradores, no entanto, questionam limpeza, fiscalização e o impacto da obra no bairro residencial.
MP investiga alvará
A vereadora Marina Bragante (Rede) protocolou nesta sexta-feira (13/2) uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo que sejam investigadas possíveis irregularidades no alvará concedido ao Varanda Estaiada.
Segundo a parlamentar, o alvará, que autoriza eventos temporários, pode estar sendo usado de forma irregular.
Embora apresentado como um único evento, a programação do espaço tem se repetido de maneira contínua, funcionando como uma casa de shows permanente, o que exigiria licenciamento mais rigoroso. Moradores também relatam movimentação intensa de caminhões e máquinas, terraplanagem e impacto direto sobre o hospital vizinho, inclusive na saída de medicamentos, enquanto a estrutura é usada como palco, som, camarins e bares.
Na representação, Marina solicita que o Ministério Público apure os fatos e, se cabível, peça à prefeitura a anulação do alvará, a suspensão das obras e a interrupção dos eventos até que todas as exigências legais sejam cumpridas, incluindo regras de ruído, segurança e impacto na vizinhança.
O que diz o Varanda
A reportagem teve acesso a uma nota enviada pelo estabelecimento aos moradores. No comunicado, o Varanda Estaiada afirma que o não se trata de uma casa de shows permanente, mas de um local destinado à realização de eventos temporários, de natureza social, corporativa e institucional, realizados de forma pontual e planejada, sempre mediante as licenças e autorizações exigidas para cada evento.
Ainda segundo a nota, o Varanda Estaiada afirmou que possui e mantém todas as licenças, autorizações e documentações necessárias para a realização dos eventos temporários, operando de forma regular.
















