Nelson Wilians procura MPSP para prestar esclarecimentos sobre suspeita de fraude no ICMS
Alvo de operação em julho, advogado teve reunião com autoridades e prometeu apresentar documentos que comprovem sua inocência

O advogado Nelson Wilians (foto em destaque) se apresentou espontaneamente, nessa terça-feira (18/8), ao Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP) para prestar esclarecimentos. O objetivo foi detalhar alguns pontos da investigação que apura uma fraude de R$ 3,8 bilhões no ICMS. Wilians foi um dos alvos da Operação Distrato, deflagrada em julho (leia mais a seguir).
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a reunião aconteceu na sede da Secretaria de Estado da Fazenda, que integra o Cira, com participação de promotores de Justiça do MPSP, procuradores da Procuradoria-Geral do Estado e auditores fiscais da Receita Estadual.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasEm nota, a defesa de Nelson Wilians confirmou que o encontro aconteceu por iniciativa do próprio advogado. Às autoridades, ele teria detalhado como os fatos aconteceram e informado que apresentará documentos para demonstrar que não tem envolvimento com atividades ilícitas, afirmou o advogado Santiago Schunck.
Entenda a investigação contra fraudes no ICMS
- Segundo a investigação, escritórios de advocacia e empresas de consultoria ofereciam a empresários paulistas a possibilidade de pagar menos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por meio da compra de supostos créditos tributários vendidos com desconto.
- Os intermediários afirmavam que esses créditos eram legais e haviam sido autorizados pela Secretaria da Fazenda, apresentando a operação como forma legítima de planejamento tributário. A autorização da secretaria, no entanto, não existia.
- Após aderir ao esquema, a empresa deixava de pagar parte do ICMS devido ao Estado e repassava aos intermediários comissão que podia chegar a 70% do valor do imposto economizado.
- Assim, segundo a investigação, parte do dinheiro que deveria entrar nos cofres públicos acabava destinada aos integrantes do grupo.
- Foram identificadas infrações em 752 empresas, e o montante sonegado supera R$ 3,8 bilhões.
- Ainda conforme a apuração, os créditos tributários negociados estavam ligados a empresas sem condições de operar, empresas falidas ou operações comerciais consideradas fictícias. Para fazer a aparência de legalidade, os investigados teriam utilizado contratos, procurações, apólices de seguro e até documentos falsos atribuídos à própria administração tributária.
Operação Distrato
O Cira deflagrou, no dia 15 de julho, a Operação Distrato, contra um suposto esquema bilionário de sonegação de impostos. Ao todo, 38 mandados foram cumpridos em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além das cidades paranaenses de Londrina e Cambé. Os alvos foram advogados dos grupos econômicos de Nelson Wilians, Alpha e DMC.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAlvos de operação contra fraude no ICMS
Grupo econômico NW (Nelson Wilians):
- Pessoas jurídicas
- DPAW Assessoria em Cobrança Ltda.
- Strategi Intermediação Corpotativa Ltda.
- Valestra Assessoria, Auditoria e Gestão Ltda.
- Valestra Negócios e Investimentos Ltda.
- Pessoas físicas
- Aiche Ibrahim Abou Nassif
- Fernando dos Santos Andrade Cavalvanti (à esquerda na foto de destaque)
- Leticia Anastacio Céu
- Sociedade de advogados e advogados
- De Paula Advogados e Consultoria Jurídica
- Nelson Wilians Advogados (filial Campinas)
- Andre Luis Buialto de Godoy
- Anne Carolline Willians Vieira Rodrigues
- Flavio Pierro de Paula
- Leonardo Rangel Pestana
- Mayra Fahur de Paula
- Nelson Willians Fratoni Rodrigues
- Wilmara Lourenço Santos
Grupo econômico Alpha:
- Pessoas jurídicas
- Alpha Consulting Gestão de Ativos Ltda.
- Alpha Group Gestão de Créditos e Serviços de Apoio Empresarial Ltda.
- Beta Comércio de Atacados Ltda.
- Pessoas físicas
- Geraldo Gefesson de Sousa
- Marcelo Guimarães do Santos
Grupo econômico DMC:
- Pessoas jurídicas
- DMC Energy Intermediações de Negócios Ltda.
- T.C. Agropecuária S.A.
- Pessoas físicas
- Daniel Mansur Cury
- Tatiana Freire Cury
Em relação ao grupo econômico Alpha, o Cira detalhou que os créditos comercializados eram essencialmente apresentados aos contribuintes como supostamente derivados da massa falida da empresa Nortel Networks Telecomunicações do Brasil Ltda. com o objetivo de sustentar a alegada disponibilidade e segurança das compensações tributárias.
Já no caso do grupo econômico DMC, os investigados alegavam a existência de direitos creditórios decorrentes de uma ação judicial de desapropriação relacionada à Usina Santa Rita na década de 1970.

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Frequência de envio: Diário
Ver todas“Embora os agrupamentos apresentem características próprias e fundamentos distintos para a alegada origem dos créditos, todos figuram associados a operações que resultaram na inserção de créditos de ICMS posteriormente considerados irregulares pela Administração Tributária”, afirmou o órgão.
Outras investigações
Conhecido nas redes sociais por mostrar uma rotina de luxo, com mansões, avião, carros de luxo e viagens, Nelson Willians também é alvo de outras investigações. Em setembro de 2025, a casa e o escritório do advogado foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, em apurações sobre envolvimento na Fraude do INSS revelada pelo Metrópoles.
Já em 13 de agosto a PF deflagrou a Operação Arena e cumpriu novo mandado de busca e apreensão na casa do advogado. A operação faz parte de uma investigação contra um grupo empresarial suspeito de usar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de recursos obtidos com jogos de azar e apostas esportivas. Além do advogado, a PF mirou a empresa paraibana Pixbet.
Após a batida policial, Wilians anunciou o afastamento de seu escritório de advocacia, o NW Advocacia, considerado um dos maiores de todo o Brasil. Segundo a nota, ele “optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família”.
“A NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a plena colaboração com as autoridades competentes”, informou o escritório.



