“Não tenho rabo preso”, diz Salles em batalha contra Nunes e Centrão. Veja vídeo
Deputado federal Ricardo Salles respondeu a uma fala do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre apoio do Centrão à candidatura de André do Prado
atualizado
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O deputado federal Ricardo Salles (Novo) respondeu a uma fala do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em meio ao racha na direita com três candidaturas ao Senado. Após ser chamado de “individualista” pelo prefeito, Salles afirmou que “não participa de conchavo”.
“Não tenho rabo preso, portanto, posso falar o que todo mundo tem vontade de falar, mas em geral aqueles que têm contas a dever não podem falar”, disse o deputado em vídeo publicado nas redes sociais (assista acima), ao criticar o apoio do Centrão à candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado.
“Trabalhar em grupo para eleger o André do Prado? Jamais, de jeito nenhum. O Centrão é o câncer do Brasil, é o que há de pior na política brasileira. O Centrão está em tudo o que não presta nesse país.”
Salles também rebateu o argumento dado por Nunes de que a articulação teria como um dos objetivos “tirar o PT do país”. “Onde já se viu o Centrão falar que vai resgatar o país? Ou tirar o PT? O Centrão está colado no PT. O MDB, partido do Ricardo Nunes, é base do governo Lula”, afirmou o deputado.
Ricardo Salles x Ricardo Nunes
Em entrevista a jornalistas, realizada nessa terça-feira (12/5), Nunes disse que Salles sofre de “narcisismo”.
“Já se percebeu muito claro que o Ricardo Salles mais cria confusão do que união, e o que a gente precisa é de união, de poder ter pessoas centradas, não pessoas que ficam só criando confusão, com todo o respeito à trajetória dele, ao mandato dele, mas onde ele põe a mão só arruma confusão. A gente precisa de união, está definido, o grupo optou pelo André do Prado e o [Guilherme] Derrite, ele sozinho fica esperneando. Então é lamentar esse tipo de comportamento”, afirmou Nunes.
O prefeito disse que, “para tirar o PT” e fugir de “escândalos de massa” e de corrupção, os bolsonaristas e o centrão precisam caminhar juntos. Em tom de desdém, Nunes chegou a fazer uma análise da carreira política de Salles.
“Já foi candidato a vereador, perdeu a eleição; candidato a deputado, perdeu a eleição; só foi eleito deputado federal porque o [Jair] Bolsonaro pôs a mão nele. E, agora, o Bolsonaro não pôs a mão, pôs a mão no Derrite e no André do Prado. Então, a gente precisa parar de ficar achando que ele é um outsider, que é alguém diferente daquilo. Se alguém não pegar ele pela mão, o que aconteceu com a Joyce Hasselmann lá atrás, pode eventualmente acontecer com ele. Precisa ter um pouco mais de humildade e parar de criar confusão e deixar a gente trabalhar”, acrescentou Ricardo Nunes.
Nos últimos dias, após André do Prado ter sido escolhido como pré-candidato ao Senado, Salles tem feito declarações contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Chegou a dizer, por exemplo, que o “filho 03” de Jair foi aos Estados Unidos “falar um monte de merda”. Outro embate tem sido com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que ameaçou, nessa segunda (11/5), processar Salles por ter sido acusado de corrupção pelo parlamentar.
A escolha de André do Prado por Valdemar e Eduardo contraria, no entanto, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia o nome do vice-prefeito Mello Araújo, para quem Salles prometeu abrir mão da disputa.
A capivara
O deputado federal do Novo, que se notabilizou por defender “passar a boiada” durante a pandemia da Covid-19, aproveitando o momento para propor mudanças nas regras ligadas à proteção ambiental, responde e já respondeu a processos investigatórios ligados tanto à sua gestão como secretário estadual do ex-governador Geraldo Alckmin quanto ao seu período como ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro.
Salles é réu pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de favorecimento ilegal a madeireiros no Pará enquanto ministro do Meio Ambiente na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações sobre suspeitas de contrabando de madeira apontaram que um despacho que dispensava autorização para exportação de produtos florestais teria sido emitido a pedido de empresas com cargas apreendidas nos Estados Unidos e na Europa.
Em 2020, o Ministério Público Federal pediu seu afastamento do cargo de ministro por improbidade administrativa, acusado de desmontar políticas de proteção ambiental.
“É possível identificar, nas medidas adotadas, o alinhamento a um conjunto de atos que atendem, sem qualquer justificativa, a uma lógica totalmente contrária ao dever estatal de implementação dos direitos ambientais, o que se faz bastante explícito, por exemplo, na exoneração de servidores logo após uma fiscalização ambiental bem sucedida em um dos pontos críticos do desmatamento na Amazônia Legal”, diz a ação judicial.
Em 2019, o Ministério Público do Estado de São Paulo abriu investigação para apurar a evolução patrimonial de Salles entre 2012 e 2017. A apuração mirava o salto patrimonial declarado por ele à Justiça Eleitoral: de cerca de R$ 1,4 milhão em 2012 para R$ 8,8 milhões em 2018. A investigação levou à quebra dos sigilos bancário e fiscal de Salles por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo em 2019. O inquérito corria em segredo de Justiça.
Dos casos arquivados, em 2018, ele chegou a ser condenado por improbidade administrativa sob acusação de alterar mapas ambientais para favorecer setores empresariais quando era secretário do Meio Ambiente de São Paulo. Foi absolvido por 4 votos a 1 pelo Tribunal de Justiça paulista, que afastou a condenação.

