Namorada de motorista de Porsche é multada por mau comportamento em júri
Giovanna Pinheiro Silva, namorada de Fernando Sastre, terá de pagar dez salários mínimos por se manifestar em depoimento de testemunha

São Paulo — A namorada do empresário Fernando Sastre foi multada em dez salários mínimos por mau comportamento durante a sessão do Tribunal do Júri que condenou o réu a 17 anos de prisão por provocar um acidente de trânsito que matou o motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana, de 52 anos. Giovanna Pinheiro Silva terá de pagar R$ 16.010.
O pedido foi feito pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), após Giovanna atrapalhar o depoimento de uma testemunha ocular na quarta-feira (28/10). Ela chegou a ser retirada do julgamento, depois de balançar com a cabeça em sinal de desaprovação à fala de Nathalia Santanna Viana Lima, convocada pela acusação para a oitiva.
Nathalia estava em um carro com a irmã e um amigo, quando testemunhou o momento em que a Porsche 911 de Sastre atingiu a traseira do Renault Sandero de Ornaldo, em 31 de março de 2024. Ela foi uma das primeiras pessoas a prestar socorro aos envolvidos.
Em depoimento, a testemunha afirmou que tentou socorrer o motorista de aplicativo, mas não conseguiu abrir a porta do carro dele. Por isso, foi verificar se o condutor e o passageiro da Porsche, Fernando e o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, estavam bem.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPPouco tempo depois, segundo Nathalia, Giovanna chegou ao local do acidente acompanhada da amiga Juliana de Toledo Simões, que, à época, namorava Marcus Vinicius. “Quando as meninas chegam, a preocupação delas era sair com eles do acidente”, disse a testemunha ocular. Nesse momento, Giovanna fez um sinal negativo com a cabeça.
O promotor de Justiça Rodolfo Morais, então, pediu para que a jovem fosse retirada da sala. Também requereu a multa pelo comportamento.
No mesmo dia, a namorada de Sastre seria ouvida como testemunha pela defesa, mas chegou atrasada. A Justiça de São Paulo chegou a determinar a condução coercitiva de Giovanna Pinheiro, antes de a defesa desistir da oitiva dela. Giovanna, então, passou a assistir o julgamento da plateia.
Na quinta (29/10), a juíza Melanie Liesenberg atendeu ao pedido do Ministério Público de São Paulo. A Promotoria também afirmou que denunciaria Giovanna por falso testemunho por ter afirmado em juízo que o namorado não bebeu antes de provocar o acidente.
Sastre é condenado a 17 anos de prisão por homicídio com dolo eventual
O empresário Fernando Sastre foi condenado, nessa quinta-feira (29/10), pelo Tribunal do Júri, por homicídio com dolo eventual (quando o réu assume o risco de matar) com pena de 14 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, na noite de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé, zona leste da capital.
O réu também foi sentenciado a mais 2 anos, 5 meses e 10 dias por lesão corporal gravíssima contra Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo do réu que estava com ele no Porsche no momento da batida e ficou gravemente ferido. Assim, a pena total é de 17 anos, um mês e 10 dias de reclusão.
O veredicto ocorreu no segundo dia de julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. A namorada do empresário, Giovanna Pinheiro, foi multada em 10 salários mínimos por mau comportamento no julgamento e ainda por não ter se apresentado em juízo.

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Ver todasOs jurados se reuniram já no final da noite de quinta. Ao retornar para o plenário, Fernando Sastre já havia trocado as roupas pessoas por um uniforme de presidiário. O réu ouviu a sentença em silêncio. Os familiares de Sastre pareciam surpresos e decepcionados pela pena anunciada. O filho mais velho da vítima, Lucas Morais da Silva, em entrevista coletiva aos jornalistas que acompanhavam o júri, considerou o resultado do julgamento como uma vitória. “A justiça foi feita”.
O Ministério Público do estado (MPSP) pediu a condenação por homicídio qualificado por dolo eventual e lesão corporal por dolo eventual Além disso, pediu que majoração da pena por considerar que Sastre tem histórico de infrações no trânsito, já que teve a carteira suspensa por racha na Avenida Paulista.
Já a defesa de Sastre concordou com o crime consumado de homicídio, mas discordou que houve intenção de matar. Na argumentação, o advogado Eugênio Malavasi considerou que o réu foi “imprudente” ao dirigir em alta velocidade alcoolizado, mas que “jamais teve a intenção de matar Ornaldo ou ferir o melhor amigo Marcus”.
