Na Paulista, Nikolas ignora Flávio Bolsonaro ao focar em Lula e STF
Tom das críticas aos ministros não era consenso entre organizadores do ato deste domingo. Nikolas atacou Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
atualizado
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ignorou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (1º/3).
No discurso, em ato pela primeira vez desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o foco foram ataques a Lula e impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, Flávio agradeceu ao deputado. “Obrigado por existir, Nikolas“, disse em seu momento de fala o presidenciável.
“Foi ele [Dias Toffoli] quem iniciou o inquérito das fake news. Não tem como ter a esposa de um ministro com contrato de milhões com o Banco Master. (…) Eu sei que há também uma vontade da esquerda de até derrubar o Toffoli, porque eles estão brigados. Eles estão achando que a gente pode derrubar um e depois vai parar. Se a gente derrubar um, cai outro, cai [Alexandre] Moraes, cai todo mundo”, alegou Nikolas.
O tom das críticas, contudo, não era consenso entre os organizadores do evento, como o Metrópoles mostrou anteriormente.
Ao se pronunciar, Nikolas também chamou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de “bandido” e puxou coro de “Lula Ladrão, seu lugar é na prisão”.
Além disso, o parlamentar destacou que uma das principais bandeiras atuais da direita no país é derrubar o veto ao PL da Dosimetria, que recalcula e reduz as penas dos condenados por crimes da trama golpista e dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Racha entre os bolsonaristas
Entre os entusiastas do ato, havia uma divisão sobre o nível dos ataques ao STF. Uma ala dos bolsonaristas entendeu que a pressão por um impeachment do ministro Dias Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Lula.
“Claro que queremos o impeachment de ministros, mas esta seria a segunda prioridade. E tem uma questão política: a saída do Toffoli abre espaço para o Lula resolver um impasse político e, da mesma forma, renova um quadro indicado pelo PT na Corte”, disse o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) ao Metrópoles.
A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula pode nomear para o lugar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Outra ala temia que o impeachment de Toffoli abra precedente para o impedimento de outros magistrados da Suprema Corte, como o ministro Alexandre de Moraes.
“Para o Lula trabalhar para o impeachment de Toffoli, tem que trabalhar para o impeachment de Moraes. Então, ele não tem saída”, afirmou Malafaia ao Metrópoles.
Sem Tarcísio
Além de Nikolas e do senador Flávio Bolsonaro, a agenda teve as presenças de Valdemar Costa Neto, presidente do PL; dos deputados federais Guilherme Derrite (PP-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Mário Frias (PL-SP), Rosana Valle (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS), e dos deputados estaduais Lucas Bove (PL-SP), Coronel Telhada (PP-SP) e Valéria Bolsonaro (PL-SP), entre outros.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desfalcou o ato deste domingo porque viajou para a Alemanha para participar do evento Intercontinental Dialogues, que terá a participação do ministro do STF André Mendonça, além de outras autoridades do mundo jurídico, político e empresarial.
No páreo ao Senado
Derrite, que é pré-candidato ao Senado na chapa à reeleição de Tarcísio, comemorou a inclusão da proibição do voto por presos provisórios ao PL Antifacção.
“E este ano, em 2026, aquele que comemorou, que foi o mais votado nos presídios, não vai comemorar mais. Acabamos com direito ao voto dentro do presídio. Chega de bandido votar, porque a gente sabe que eles votam. Fiquem todos com Deus”, disse.
Também convidado a discursar, Mário Frias, cotado para a segunda vaga de candidato ao Senado por São Paulo, reforçou ser “radicalmente cristão”. “Muita gente diz que a gente é extremo, que a gente é radical. E a gente é radical, sim, a gente é radicalmente cristão. A gente é radicalmente temente a Deus. A gente é radicalmente patriota e radicalmente Bolsonaro”, afirmou no palanque.
Outra concorrente à mesma vaga, Rosana Valle, presidente do PL Mulher em São Paulo e nome defendido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), fez elogios à madrinha política. “Eu quero registrar aqui e fazer uma referência especial à nossa primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que tantas e tantas vezes esteve aqui na Paulista e o seu discurso, as suas lágrimas nos emocionaram. Michelle, o povo paulista, o povo brasileiro te ama”, disse.
Na sexta-feira (27/2), Valdemar afirmou ao Metrópoles que quem decidirá o nome do partido para a disputa do Senado em São Paulo será o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, a tendência é que seja alguém “mais ideológico e bolsonarista”.
“O Eduardo quer participar disso também. Eu acho que nós sairíamos com uma vaga e provavelmente o Derrite com a outra. Essa é a minha opinião. Agora vai ter muita conversa pela frente. Acho que quem for o candidato do Bolsonaro ganha a eleição. Acho que ele vai pegar um camarada que tem a marca da direita. Mais ideológico, mais próximo dele, mais bolsonarista. Ele gosta disso”, disse Valdemar após evento em sua homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O pastor Malafaia
Em um duro discurso, o pastor Silas Malafaia acusou o ministro Alexandre de Moraes de corrupção por causa do contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia da mulher dele com o Banco Master.
“A mulher de Alexandre de Moraes tem um contrato de R$ 129 milhões com Banco Master para fazer o quê? Nada. Sabe o que significa isso? Corrupção deslavada. Compra do poder de Alexandre de Moraes”, disse Malafaia. “Ele [Moraes] foi comprado. Seu poder foi comprado”, completou.
Malafaia afirmou que Moraes até agora “não veio a público para dar satisfação dessa imoralidade” e disse que o STF está “desmoralizado” com o escândalo do Banco Master. “Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tinham de estar afastados do STF. Não tem moral para julgar ninguém”.
Vários deputados estaduais e federais de São Paulo discursaram em cima do trio elétrico na Paulista para um público que segurava faixas e cartazes com os dizeres “Libertem Bolsonaro”, “Fora Moraes”, “Fora Lula” e “STF Organização Criminosa”.
Caiado e Zema
Caiado prometeu anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos outros condenados pelos atos golpistas de 2022.
“Quero saudar o Nikolas [Ferreira], esse jovem que teve a coragem também de levantar a bandeira do Acorda Brasil e caminhar pelo país todo, mostrando a cara e a sua competência. Flávio Bolsonaro, meu amigo senador da República pré-candidato, saiba que eu, ao meu lado também o governador de Minas Gerais [Romeu Zema (Novo)], nós estamos com o mesmo objetivo, aquele que chega lá, eu já disse: o primeiro ato será anistia plena, geral e irrestrita no 1º de janeiro de 2027”, declarou Caiado.
No discurso, o governador de Goiás também destacou o “poder de mobilização” de Bolsonaro, mesmo preso.”Esse homem que conseguiu levantar o Brasil, e dizer em alto e bom som: vamos caminhar pela liberdade e a democracia plena”, afirmou.
Outro pré-candidato, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defendeu o fim da “farra dos intocáveis”, em referência ao ministros do STF. “Estão em Brasília e se consideram acima de todas as leis, não vamos nos vergar, não vemos permitir que esses absurdos que estão acontecendo continuem”, alegou.
Eduardo exilado
Por meio de uma chamada de vídeo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também se pronunciou, mas defendeu o pleito do irmão. “Não é sobre partido político, nem sobre eleição. A eleição é só a ferramenta, o caminho talvez mais rápido para gente levar justiça que vai ser traduzida em anistia, se Deus quiser, com a eleição de Flávio Bolsonaro presidente e uma bancada de senadores e deputados federais fortes e valentes”, disse.
Atualmente, Eduardo está nos Estados Unidos. O filho do ex-presidente é réu no STF por coação devido à atuação contra autoridades brasileiras.


































