MPSP pede júri popular para acusados de matar estudante trans
A estudante da Unesp Carmen de Oliveira Alves foi morta no Dia dos Namorados em 2025. Namorado e outras duas pessoas são acusados do crime
atualizado
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu à Justiça que os três acusados de matar a estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, sejam levados à júri popular. Carmen foi encontrada morta após desaparecer no dia 12 de junho de 2025, em Ilha Solteira, interior de São Paulo.
Três homens são acusados de participação no assassinato e na ocultação de cadáver da estudante. O namorado da vítima, Marcos Yuri Amorim, e o policial militar ambiental da reserva Roberto Carlos Oliveira já estão presos por participação no crime e um terceiro homem, chamado Paulo Henrique Messa, segue foragido.
O pedido foi feito pela promotora Laís Bazanelli Marques dos Santos Deguti, de Ilha Solteira, e aguarda a decisão judicial. Segundo o MPSP, o processo está na fase de alegações finais.
A denúncia contra os acusados foi feita pelo MPSP em outubro de 2025. Segundo a promotoria, Marcos Amorim e Roberto Oliveira mantinham um relacionamento e teriam trabalhado em conjunto para matar a estudante e ocultar o corpo de Carmen. Paulo Messa teria ajudado na ocultação do corpo e na destruição de provas do crime e teve sua prisão pedida na mesma ocasião.
Feminicídio da estudante trans
- Carmen foi vista pela última vez em 12 de junho de 2025, Dia dos Namorados, por volta das 10h em Ilha Solteira, vestindo calça jeans e uma blusa verde. Ela estava em uma bicicleta elétrica.
- A Polícia Civil passou a investigar o caso. Fez buscas pela estudante com auxílio de amigos e familiares da jovem.
- Com o avanço das investigações, dois suspeitos foram presos temporariamente, em 10 de julho: Marcos Yuri Amorim, namorado de Carmen, e Roberto Carlos Oliveira, policial militar ambiental da reserva.
- Segundo o delegado Miguel Rocha, responsável pela investigação do caso, os homens estavam envolvidos em uma relação amorosa e teriam trabalhado em conjunto para matar a estudante e ocultar o corpo.
- A apuração apontou ainda que Marcos Yuri matou Carmen porque não queria assumir a relação.
- Buscas no notebook da estudante mostraram que ela tinha um dossiê contra o rapaz, com provas de roubos e furtos que ele teria cometido em Ilha Solteira.
- A jovem teria usado o dossiê para pressionar o namorado a assumir a relação.
A denúncia da promotoria destacou, ainda, que Carmen enviou mensagens a uma amiga meses antes do crime, relatando que vinha sendo ameaçada. A vítima também afirmou que, caso algo acontecesse algo com ela, o responsável seria o companheiro.
Depoimentos inconsistentes
A primeira reconstituição do feminicídio foi feita com base na versão de Roberto, que acompanhou a equipe de investigação. Um dos suspeitos presos, inclusive, confessou anteriormente à polícia que a estudante trans estava morta. O homem, todavia, não confirmou ter participado do crime.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), que não cita quem teria admitido a morte da mulher, um dos presos confessou que a jovem foi assassinada com o uso de um pedaço de ferro e uma faca, após uma discussão. Contudo, os depoimentos dos acusados têm inconsistências.
De acordo com Lucas de Oliveira, irmão de Carmen, a confissão foi feita por Roberto. Ele teria dito à polícia que, quando chegou ao local do crime, a estudante já estava morta, caída no chão. Yuri, por outro lado, nega participação no homicídio.
“O Roberto fala que não participou da ocultação do corpo, que quem fez isso foi o Yuri, e o Yuri fala que foi o Roberto que sumiu com o corpo. Um está jogando para o outro”, explica. “Na versão do Yuri, ele deu uma pancada na cabeça [de Carmen], ele chamou o Roberto para ajudar, e o Roberto ‘terminou de matar ela’”, completou.






