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São Paulo

Deputado pede que MPSP investigue esposa de Ramuth, vice de Tarcísio

Emídio de Souza (PT) protocolou representação para solicitar apuração sobre evolução patrimonial e atividades empresariais de Vanessa Ramuth

30/07/2026 19:40
Instagram/Reprodução
Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo, com a esposa, Vanessa Ramuth - Metrópoles

O deputado estadual Emídio de Souza (PT) protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) para solicitar uma investigação sobre a evolução patrimonial e as atividades empresariais de Vanessa Ramuth, esposa do vice-governador Felício Ramuth (MDB).

Apresentado nessa segunda-feira (27/7), o pedido destaca que a temática envolve “valores expressivos, relações empresariais relevantes e operações situadas demasiado perto do exercício de elevada função pública para serem tratadas como meros negócios privados”.

Recentemente, o Metrópoles mostrou, por exemplo, que a segunda-dama de São Paulo declarou inicialmente, no último Imposto de Renda, ter R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo. Na declaração de 2025, referente ao ano de 2024, ela informou à Receita Federal que tinha R$ 149 mil em espécie.

Pelos dados que constam no documento, teria havido aumento superior a 31 vezes de um ano para o outro. À coluna Tácio Lorran, no entanto, Ramuth enviou um documento dizendo que houve erro de digitação na declaração da esposa e que, na verdade, o valor é de R$ 47 mil.

Além disso, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o patrimônio de Vanessa Ramuth deu um salto de 580% desde que o marido assumiu o cargo de vice-governador de São Paulo.

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A representação desta semana destaca o “recebimento de recursos por empresas das quais participa a esposa do vice-governador, provenientes de sociedades com atuação em contratos públicos, de instituição financeira submetida à liquidação extrajudicial e de empresas do setor de apostas esportivas”.

“O governo Tarcísio costuma cobrar rigor quando os fatos envolvem adversários políticos. Esse mesmo rigor precisa valer quando as suspeitas alcançam integrantes do próprio governo. Transparência não pode ter lado”, afirmou Emídio.

O parlamentar pede a análise das operações financeiras das empresas citadas, da compatibilidade entre os pagamentos recebidos e os serviços prestados, além da eventual relação entre os negócios e contratos públicos.

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MPSP arquivou investigação sobre Ramuth

Em abril deste ano, o MPSP arquivou um pedido de investigação contra Felício e Vanessa Ramuth. Como revelou o Metrópoles em fevereiro, o casal é alvo de uma cooperação internacional entre o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Justiça de Andorra para apurar possível lavagem de dinheiro em uma conta bancária no país europeu, que já foi considerado paraíso fiscal e atrai investidores devido à baixa tributação.

A investigação diz que uma conta aberta pelo casal na instituição bancária AdBank, com saldo de US$ 1,6 milhão, poderia fazer parte de um mecanismo de lavagem de dinheiro. De acordo com as autoridades europeias, o dinheiro saiu de uma offshore no Panamá e passou por uma conta no banco Safra, em Luxemburgo, até chegar no banco de Andorra.

A cooperação internacional, entre o Brasil e Andorra, foi aberta em dezembro de 2024 para Ramuth e Vanessa prestarem depoimento por meio de videoconferência. Em outubro de 2025, o casal foi pessoalmente ao principado europeu para apresentar a defesa no caso. O depoimento do vice-governador durou cerca de uma hora.

Segundo Ramuth, ele comprovou a origem dos recursos à Justiça de Andorra, que teriam sido adquiridos antes da entrada do vice-governador na vida pública. O dinheiro pertence a Visio Corporation LTD S.A., empresa registrada no Panamá, em nome de Vanessa, aberta em outubro de 2009, mesmo período de abertura da conta na Europa. Após a ida do casal ao principado europeu, a defesa dos Ramuth pediu o arquivamento da cooperação no STJ.

Ao Ministério Público, Ramuth afirmou que a denúncia, apresentada pelo deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), é “fantasiosa e politiqueira”. Ele argumentou que a offshore é exclusivamente da esposa, que não é agente pública e, portanto, o caso não poderia ser enquadrado como improbidade administrativa.

O vice-governador ainda alegou ainda que casou com regime de separação total de bens. Ele também afirmou que a conta e a empresa foram declarados por Vanessa à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil.

Essa é a mesma explicação que o político dá por não ter declarado os recursos na Justiça Eleitoral. Em 2022, quando foi candidato a vice-governador de Tarcísio, Ramuth não registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nenhum recurso no exterior.