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São Paulo

MPSP investiga delegado que se negava a registrar prisões de bandidos

Negativa ou demora para registro de flagrantes por parte de delegado foram reportadas por forças policiais de cinco cidades paulista

24/08/2026 02:45
Reprodução.
Foto colorida mostra plantão de delegacia cheio de policiais e pessoas, no interior de São Paulo.

Um delegado da Polícia Civil é alvo do Ministério Público de São Paulo (MPSP) após forças policiais de cinco cidades, no interior do estado, afirmarem estar sofrendo desestímulo na apresentação de bandidos presos, em especial em flagrante, após o delegado se negar e/ou não comparecer nas delegacias onde é titular ou plantonista.

Em alguns casos, como diz o MPSP, o delegado Erivan Vera Cruz, atualmente itular do Distrito Policial de Jaguariúna, demora tanto a comparecer ao distrito policial que força a ocorrência a ser apresentada em outra delegacia, mais distante, prática que sobrecarrega a escala de agentes ostensivos, como policiais militares e guardas civis municipais.

Erivan Vera Cruz é responsável também por plantões na delegacia Mogi-Guaçu. A distância entre os municípios é de 45 quilômetros.

Fontes ouvidas pelo Metrópoles relatam sofrer, há anos, desestímulo na apresentação de ocorrências, sejam de crimes considerados leves ou graves, devido ao comportamento do delegado que abrange queixas desde a demora para o registro de um preso até a negativa de que o fato não corresponde a uma prisão flagrante – mesmo após confissão do autor e o depoimento de vítimas que presenciaram o fato por imagens de segurança.

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O MPSP abriu investigação contra o delegado e comunicou à Corregedoria da Polícia Civil e ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), sediado em Campinas.

O estopim para abertura do procedimento investigatório se deu nesse sábado (22/8), após equipes da Polícia Militar (PM) prenderem um homem suspeito de furtar uma instituição de ensino em Itapira. Os militares teriam chegado às 7h40 na delegacia de Mogi-Guaçu, responsável pelo atendimento 24 horas, e teriam ficado à espera do delegado, que só apareceu no distrito quatro horas depois do início do expediente oficial, às 8h.

Confrontado, ele teria dito que estava em casa. Agentes da Corregedoria, além de oficiais e o próprio promotor, presenciaram a autoridade policial com forte odor etílico. Cruz se negou a fazer teste do bafômetro, além de exame de sangue no Instituto Médico Legal (IML). Diante disto, ele foi multado.

Apesar de o suspeito em questão confessar o crime e dirigentes da instituição de ensino confirmarem o furto por meio de câmeras de segurança, o delegado alegou que o fato não era cabível de prisão em flagrante. O episódio gerou forte repercussão, tendo, inclusive, a presença na delegacia de oficiais da PM paulista, além do promotor Rodrigo Lopes.

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo ouviu policiais que presenciaram a chegada do delegado. Nos próximos dias, serão ouvidas outras testemunhsa, como o promotor que abriu procedimento investigatório.

“Os fatos, de conhecimento notório da Delegacia Seccional de Mogi-Guaçu, irão ser analisados sobre delegados e suas respectivas atuações, em especial no plantão da Delegacia de Mogi-Guaçu. Sentimos total apoio da atual gestão do Deinter-2 e o caso segue sendo investigado”, finalizou.

Em outro caso, ao qual remete a última quarta-feira (19/8), agentes da GCM de Jaguariúna prenderam suspeitos de roubar uma residência em Águas de Lindóia. O caso foi apresentado por volta das 16 horas, com as vítimas reconhecendo os autores, contudo, o delegado não registrou o caso e comunicou para irem ao plantão de Mogi-Guaçu, que, por sua vez, redirecionou a ocorrência a Campinas.

“Temos relatos de que, em data anterior, o mesmo delegado estava ausente [da delegacia] e policiais esperaram para apresentar um procurado da Justiça, que o próprio direcionou o registro a outra delegacia. Na prática, a apresentação de um foragido dura, em média, 20 minutos”, explicou o promotor.

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As queixas contra o delegado já foram foram enviadas, no passado, à delegada Seccional de Mogi-Guaçu, responsável pelas cidades onde a autoridade investigada atende, aos então gestores do Deinter-2 e, também, a Delegacia Geral de Polícia, localizada na capital paulista.

“Com este novo episódio, acompanhamos e vamos instaurar um procedimento investigatório. O atual comando do Deinter-2, bem como a Corregedoria, também acompanham o caso”, afirmou o promotor Rodrigo Lopes.

A reportagem não conseguiu contato com o delegado citado. O espaço segue aberto para manifestação. O Metrópoles questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e aguarda posicionamento.

A investigação aberta pelo MPSP também deve abranger novas pessoas que foram alvo de queixas sobre a condução do trabalho. Um dos alvos, ao qual apurado pela reportagem, está afastado por licença médica.