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São Paulo

MPSP denuncia Arthur do Val por incitação ao crime após comentário em vídeo

Ex-deputado estadual fez comentário a respeito da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema criminoso no setor de combustíveis

26/08/2026 18:44
Rafaela Felicciano/metrópoles
O deputado Arthur do Val, o Mamãe Falei. Ele tem cabelos pretos, barba e usa roupa escura- Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val (Missão), conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime. A denúncia foi movida na terça-feira (25/8) pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal.

De acordo com o texto da decisão, Arthur teria feito os comentários em seu canal do YouTube sobre a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.

“Oh! Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto”, afirmou o ex-parlamentar no vídeo em questão.

Metrópoles tentou contato com Arthur do Val para solicitar um posicionamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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Operação Carbono Oculto

A Carbono Oculto é uma megaoperação deflagrada a partir de agosto de 2025 contra um esquema criminoso no setor de combustíveis, que tem núcleos comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e operadores da Faria Lima. À época, a força-tarefa responsável por sua condução afirmou que se tratava da maior operação contra o crime organizado da história do país.

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Ao longo do último ano participaram das ações cerca de 1.400 agentes do MPSP, Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF), Polícia Civil, Polícia Militar (PM), Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), com apoio de diversas unidades do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O objetivo da ação era desmantelar um esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Foram investigados diversos elos da cadeia de combustíveis controlados pelo crime organizado, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final até os elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos.

Segundo a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou penas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos. Para lavar dinheiro do esquema, o grupo teria usado 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima, centro financeiro do país e alvo das críticas de Arthur do Val.

O nome Carbono Oculto foi escolhido para traduzir, de maneira metafórica, a ideia de dinheiro escondido dentro da cadeia do combustível, em alusão tanto ao elemento químico presente na gasolina e no diesel quanto ao ato de esconder recursos ilícitos nas instituições de pagamento e nos fundos de investimentos.