Motorista aposentado é baleado em frente a garagem de ônibus em SP
Motorista participava de campanha eleitoral do SindMotoristas quando dois homens passaram de moto e abriram fogo em frente à garagem

São Paulo — Um motorista aposentado, de 68 anos, ficou ferido após ser baleado em frente à garagem da Viação Campo Belo, na Estrada de Itapecerica, na zona oeste de São Paulo, na noite dessa terça-feira (21/11).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), policiais militares foram acionados para atender a ocorrência. No local, tomaram conhecimento que dois homens passaram de moto e fizeram “diversos disparos de arma de fogo”.
Um dos disparos atingiu o ombro do motorista. Ele foi socorrido ao Hospital Campo Limpo, onde permaneceu internado. Não há atualizações sobre seu estado de saúde.
A vítima estava participando da campanha eleitoral do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbano de São Paulo (SindMotoristas) em frente à garagem junto com integrantes de várias chapas concorrentes, de acordo com o portal g1.
O Metrópoles entrou em contato com o SindMotoristas e com a Viação Campo Belo, mas não obteve respostas. O espaço segue aberto para atualizações.
O caso foi registrado como disparo de arma de fogo no 89°DP (Jardim Taboão), que requisitou perícia ao local e encaminhou a ocorrência ao 37°DP (Campo Limpo) para prosseguir com as investigações.
“Diligências estão em andamento visando a localização e prisão dos autores”, afirmou SSP.
Protesto e paralisação
Um protesto fechou pelo menos nove terminais de ônibus em São Paulo na manhã de terça-feira (21/11). O Metrópoles apurou que os atos foram motivados por disputas internas do SindMotoristas, que realiza eleição esta semana.
Os terminais fechados foram Santo Amaro, João Dias, Capelinha e Campo Limpo, na zona sul, Santana e Cachoeirinha, na zona norte; Pinheiros, na zona oeste; Dom Pedro II e Mercado, na região central.
No Terminal Santo Amaro, um dos mais afetados, um ônibus foi apedrejado por um passageiro, que teria se irritado com a manifestação (veja abaixo).
Disputa sindical
O protesto dessa terça-feira ocorreu em meio a uma acirrada disputa pelo comando do SindMotoristas, que reúne cerca de 60 mil filiados. A eleição da nova diretoria é marcada por trocas de acusações e uma guerra jurídica que parece não ter fim.
Um dos motivos da disputa envolve o método de votação. Três das quatro chapas que concorrem à presidência queriam que as eleições fossem feitas com urnas eletrônicas, fornecidas pela Justiça Eleitoral, para evitar fraudes. Já a chapa de Cristiano de Almeida Porangaba, o Crizinho, que presidia o sindicato até o início do mês, preferiu cédulas de papel, como está no estatuto da entidade.
O pano de fundo dessa briga, contudo, é muito mais amplo e envolve uma investigação sigilosa sobre crime organizado e uma decisão da Justiça Eleitoral de Sergipe sobre o principal nome do sindicato, José Valdevan de Jesus Santos, de 54 anos, conhecido como Noventa. Líder da categoria desde o início dos anos 2000, ele reassumiu o comando da entidade há dez dias.
Noventa venceu a última eleição, ocorrida em 2018, que previa mandato até o fim de 2023. Naquele mesmo ano, o sindicalista, que já tinha vencido a disputa em 2013, marcada por um tiroteio, e tido dois mandatos como vereador em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, foi eleito deputado federal pelo PSC pelo estado de Sergipe, onde nasceu.
Mandato cassado
Dessa forma, a partir de 2019, ele passou a acumular tanto a presidência do sindicato dos motoristas de ônibus paulista como o cargo de deputado federal por Sergipe. Em 2020, porém, uma série de irregularidades na prestação de contas de sua campanha levou a Justiça Eleitoral a cassar o mandato de deputado. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a anular a cassação, mas a segunda turma do STF reverteu a decisão, que foi efetivada em abril do ano passado.
Quatro meses depois, em agosto de 2022, Noventa foi alvo de uma investigação de crimes tributários, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontou uma série de indícios de que o grupo de Noventa desviou dinheiro do sindicato por meio de contratos de prestação de serviço com empresas de fachada. Ele sempre negou as acusações.
Naquela ocasião, a 2ª Vara de Crimes Tributários da capital determinou o afastamento de Noventa da presidência do sindicato, abrindo caminho para que Crizinho assumisse o comando da entidade. Entretanto, as investigações contra Noventa, que corriam em dois inquéritos em São Paulo, foram enviadas à 27ª Zona Eleitoral de Aracaju, por suspeita de que ele tenha usado os recursos para financiar sua campanha por meio de caixa 2.

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