Morte em natação: o que manobrista que limpava piscina disse à polícia

Severino José da Silva, de 43 anos, disse que não tem habilitação para manuseio de piscinas. Dono teria dito para ele “sair de casa”

atualizado

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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles
1 de 1 Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles - Foto: Reprodução

O manobrista que era responsável por limpar a piscina da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, onde alunos de natação foram intoxicados, prestou depoimento à polícia na tarde dessa terça-feira (10/2). Uma das vítimas morreu, outras seis precisaram de atendimento médico, e algumas delas apresentam quadro clínico considerado grave.

Severino José da Silva, de 43 anos, relatou que trabalha há três anos na academia. Além de atuar como manobrista, ele fazia outras atividades determinadas pelo dono da unidade, mencionado como Celso, como abrir o estabelecimento pelas manhãs e fazer a manutenção das piscinas.

O manobrista disse que não tem habilitação para manuseio de produtos químicos usados em serviços de limpeza de água — o que era de conhecimento de Celso. Ele afirmou ter recebido as primeiras instruções do antigo manobrista.

“O procedimento consistia em medir os níveis da água e do cloro, fotografar o resultado e enviar a imagem diretamente a Celso, que então orientava quais produtos deveriam ser utilizados e em qual quantidade”, diz trecho do depoimento obtido pelo Metrópoles.

Na última sexta-feira (6/2), segundo o manobrista, ele aplicou duas medidas de cloro na piscina, seguindo ordem de Celso. Na manhã do sábado (7/2), dia do ocorrido, o dono teria pedido uma nova testagem para Severino, após verificar que a qualidade da água continuava inadequada. Depois de enviar uma foto para o chefe, recebeu como orientação que fossem aplicadas de seis a oito medidas de cloro, de acordo com o depoimento.

Severino disse que não aplicou o produto diretamente na água, mas que preparou a solução e a deixou em um balde a cerca de dois metros da piscina. Pouco mais de 10 minutos depois, ele notou “uma movimentação incomum” dos alunos e tentou contatar Celso imediatamente após perceber que as pessoas começaram a passar mal, mas não teve retorno.

Horas depois, o manobrista disse que o dono retornou as ligações. Após saber do ocorrido, Celso teria pedido “paciência” e, em nova ligação, dito para o manobrista: “Sai de casa que a polícia tá batendo na porta de todo mundo”, segundo o relato.

O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem no 6º Distrito Policial de Santo André. A investigação é feita pelo 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), na capital paulista.


Mulher morre após aula de natação

  • A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, treinava no local acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, quando alunos sentiram desconforto.
  • O casal comunicou o professor responsável e, depois da aula, foi por conta própria ao hospital Santa Helena, de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
  • Ainda há registro de outras duas internações de pessoas que estavam na piscina da academia no sábado.
  • Uma das vítimas, um menor de idade, foi enviado pelo pai ao Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, com dificuldade de respirar.
  • A outra, uma mulher de 29 anos, precisou ser internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Luiz do Tatuapé, também na zona leste, após apresentar sintomas graves, como dores de cabeça, vômito e diarreia.

Vídeo mostra desespero de alunos

Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja acima), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.

Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.

As câmeras também mostram o momento em que o manobrista da academia fez a mistura de cloro que “envenenou o ar” do local. Outra filmagem flagrou o funcionário deixando o balde ao lado da piscina.

O que diz a academia

Em nota, a direção da Academia C4 GYM destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.

“[O estabelecimento] informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que tem mantido contato direto com as pessoas envolvidas a fim de oferecer todo o suporte”, alegou o texto.

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