Polícia investiga homicídio após intoxicação em piscina de academia
Polícia trabalha com hipótese de homicídio após morte por intoxicação em academia de São Paulo. Inquérito deve apontar tipificação
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Civil investiga suposto homicídio no caso da intoxicação ocorrida em piscina da academia C4 Gym – que causou uma morte e deixou mais cinco intoxicados – na zona leste de São Paulo, no sábado (7/2). Além da vítima fatal, outras seis pessoas precisaram de atendimento médico. A suspeita é de que uma reação química tenha provocado o envenenamento do ar.
O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem no 6º Distrito Policial de Santo André, na região metropolitana. A investigação é feita pelo 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), na capital paulista.
O Metrópoles apurou que os policiais trabalham com a hipótese de homicídio. Somente ao final do inquérito, a autoridade policial deve definir se o caso se trata de homicídio doloso (quando há intenção) ou culposo (sem intenção de matar).
Penas para homicídio
O Código Penal prevê pena de reclusão de 6 a 20 anos em caso de homicídio doloso simples, e de 12 a 30 anos em caso de qualificado.
Já para homicídio culposo, por imprudência, negligência ou imperícia (quando o autor não tem aptidão para a prática que levou a morte), a pena é de 1 a 3 anos de reclusão.
Se for constatada inobservância de regra técnica – isto é, quando o autor desrespeita as normas da profissão, agindo com negligência –, a pena para homicídio culposo pode ser aumentada em um terço.
E, no caso de homicídio com dolo eventual, quando o autor assume o risco de matar, a dosimetria da pena segue aquela estipulada para crimes dolosos contra a vida: 6 a 20 anos de prisão em caso de homicídio simples, e 12 a 30 anos em caso qualificado.
Manobrista e donos da academia são investigados
A mistura com cloro que causou intoxicação nos alunos de natação da C4 Gym foi feita pelo manobrista do estabelecimento. Ele prestou depoimento à polícia, nesta terça-feira (10/2).
Segundo a Polícia Civil, tanto o manobrista quanto os donos da academia são investigados. Os sócios, que deixaram o local após o incidente, ainda não foram ouvidos.
Embora a academia seja antiga no bairro, a administração atual está no comando há cerca de dois anos e não possuía os alvarás de funcionamento da piscina.
Em nota, a defesa do motorista prestou condolências à família de Juliana e afirmou que Severino José da Silva compareceu espontaneamente no 42º Distrito Policial, unidade responsável pela condução das investigações. “Até a conclusão das investigações, é prematuro que se faça qualquer juízo de valor acerca das circunstâncias e responsabilidades eventualmente envolvidas.”
Em nota, a direção da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.
Mulher morre e outros 6 precisam de atendimento médico
- A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, treinava no local acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, quando alunos sentiram desconforto.
- O casal comunicou o professor responsável e, depois da aula, foi por conta própria ao hospital Santa Helena, de Santo André, na região metropolitana de São Paulo. No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
- Ainda há o registro de outras duas internações de pessoas que estavam na piscina da academia no sábado.
- Uma das vítimas, um menor de idade, foi enviado pelo pai ao Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, com dificuldade de respirar.
- A outra, uma mulher de 29 anos, precisou ser internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Luiz do Tatuapé, também na zona leste, após apresentar sintomas graves, como dores de cabeça, vômito e diarreia.
Vídeo mostra desespero de alunos
Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja abaixo), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.
Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.
As câmeras também mostram o momento em que o manobrista da academia fez a mistura de cloro que “envenenou o ar” do local. Outra filmagem flagrou o funcionário deixando o balde ao lado da piscina.








