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São Paulo

Moradores de Diadema denunciam agressões e ameaças de agentes da GCM.

Guarda Civil Metropolitana (GCM) teria invadido residências, mesmo sem mandado, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas

11/09/2026 20:14
Cedido ao Metrópoles
Moradores de Diadema denunciam agressões e ameaças de agentes da GCM

Moradores de Diadema, na região metropolitana de São Paulo, denunciaram ao Metrópoles uma série de abusos que teriam sido cometidos por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), nessa quarta-feira (9/9), em uma comunidade. Na ocasião, as autoridades teriam invadido residências, agredido moradores e feito ameaças de morte. O momento das abordagens foi filmado e compartilhado nas redes sociais.

À reportagem, um morador da Comunidade Naval, que não quis se identificar, afirmou ter presenciado uma das ações. Segundo ele, os guardas invadiram a casa de um morador e o agrediram. O entrevistado também relatou que os agentes passaram a abordar pessoas que estavam na comunidade, mesmo sem encontrar drogas ou situações de flagrante.

“Eles chegam, não acham o tráfico, não acham a droga, não acham nada. O que eles fazem? Pegam quem está dentro do condomínio, como se a pessoa estivesse coerente com a situação do tráfico” relatou.

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Outro morador, que voltava do trabalho, também teria sofrido agressões ao tentar intervir em uma das abordagens. Na ocasião, o GCM havia dado um soco no rosto dele e o ameaçado com uma arma.

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Um dos moradores chegou a ficar com hematomas pelo corpo
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Um dos moradores chegou a ficar com hematomas pelo corpo

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Um dos moradores chegou a ficar com hematomas pelo corpo
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As denúncias incluem ainda invasões de residências sem mandado, entre elas a casa de uma mãe de duas crianças autistas, e a destruição de um bar da comunidade. O proprietário do estabelecimento também foi alvo das agressões. Os relatos indicam que os agentes ameaçavam moradores caso não deixassem os locais onde estavam:

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“Os caras vieram aqui num bar, quebraram o bar todinho, bateram no dono do bar e falaram que, se saísse na net ou se denunciasse, eles iam matar a família”

O Metrópoles entrou em contato com a Prefeitura de Diadema, a fim de obter um posicionamento sobre as denúncias realizadas pelos moradores, mas até o momento de publicação dessa matéria não recebeu resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

A Favela Naval

A Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo, ficou marcada por um dos episódios mais emblemáticos de violência policial do país. Em março de 1997, imagens gravadas por um cinegrafista amador e exibidas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostraram policiais militares (PMs) abordando moradores e motoristas na região. Durante a ação, os agentes agrediram e extorquiram pessoas, além de efetuarem disparos. O serralheiro Mário José Josino, que passava pelo local, foi baleado e morreu.

A divulgação das imagens provocou repercussão nacional e internacional, gerou protestos e intensificou o debate sobre violência e abusos cometidos por policiais. Os PMs envolvidos foram presos e processados. O caso também contribuiu para mudanças institucionais e legislativas relacionadas à segurança pública e ao controle da atividade policial, tornando-se um símbolo da violência policial no Brasil nos anos 1990.

Em 2001, sete policiais militares foram condenados pela Justiça por crimes relacionados ao episódio, com penas que incluíram homicídio, tortura, extorsão e abuso de autoridade. O caso da Favela Naval permanece como uma referência histórica quando se discute violência policial, racismo, impunidade e controle das forças de segurança no país.