Metanol: homem morre após quase 2 meses internado e é 8ª vítima em SP
Rafael estava internado desde o dia 1° de setembro quando ingeriu gin contaminado por metanol. A informação foi confirmada por uma familiar
atualizado
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Rafael dos Anjos Martins Silva, de 28 anos, morreu, nesta quinta-feira (23/10), vítima de intoxicação por metanol, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Ele estava internado há 53 dias em estado gravíssimo. Trata-se da oitava vítima da contaminação no estado.
A informação foi confirmada por uma familiar nas redes sociais. Em nota, o hospital em que o homem estava internado lamentou o falecimento do paciente e se solidarizou com os familiares e amigos pela perda.
Ele é um dos jovens que se juntaram para beber gin na madrugada do dia 30 de agosto na capital paulista. Rafael era o caso mais grave e deu entrada no Hospital Geral do Grajaú (HGG) na madrugada, por volta das 5h30, em estado gravíssimo.
Ele, que teria consumido o Gin Tanqueray puro e em maior quantidade do que os demais amigos, passou o dia anterior vomitando e com dores abdominais. A vítima chegou a atribuir os sintomas a uma ressaca. Porém, por volta das 3h30, já do dia 1º, ele começou a gritar que estava cego.
Ao chegar no HGG com nível de consciência rebaixado, ele foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), colocado em ventilação mecânica e, posteriormente, transferido para o Hospital São Luiz de Osasco, no qual foi submetido a uma hemodiálise e onde ficou internado, em coma irreversível.
Outras sete vítimas
Além de Rafael, outras sete pessoas morreram intoxicadas por metanol em São Paulo.
Dos sete óbitos, três homens — de 54, 46 e 45 anos — eram moradores da capital; uma mulher, de 30 anos, era habitante de São Bernardo do Campo; outros dois homens — de 23 e 25 anos — moravam em Osasco; e um rapaz, de 37, era de Jundiaí.
A primeira morte confirmada no estado foi a do empresário Ricardo Lopes Mira. Ele apresentou sintomas no dia 9 de setembro e morreu seis dias depois. Mira fazia parte do mesmo grupo de amigos da segunda vítima do metanol, Marcos Antônio Jorge Junior, que morreu no dia 2 de outubro.
Os dois consumiram a bebida contaminada por metanol no Torres Bar, um estabelecimento localizado na Mooca, zona leste paulistana.
A terceira morte confirmada foi em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Bruna Araújo tinha 30 anos e morreu no dia 6 de outubro. Ela foi o primeiro caso de contaminação no município.
Logo depois, foram confirmadas as mortes de Marcelo Lombardi, de 45 anos, Leonardo Anderson, de 37 anos, Daniel Antonio Francisco Ferreira, de 23 anos, e Cleiton da Silva Conrado, de 25. Os dois últimos frequentaram o mesmo churrasco.
10 mortes confirmadas no Brasil
- Até agora, foram confirmadas 10 mortes por intoxicação por metanol em todo o país: sete no estado de São Paulo, duas em Pernambuco e uma no Paraná. Outras 11 mortes suspeitas seguem em investigação: seis em Pernambuco, duas no Paraná, uma em São Paulo, uma no Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. Outras 28 notificações de óbitos foram descartadas.
- O metanol é um álcool simples, líquido, incolor e altamente tóxico. Ele é usado principalmente na indústria química, como matéria-prima na fabricação de solventes, plásticos, tintas e combustíveis.
- Quando ingerido e metabolizado pelo organismo, é transformado em substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que atacam o sistema nervoso central e o nervo óptico.
- A ingestão de apenas 10 ml já pode causar cegueira, e 30 ml pode ser fatal. Os sintomas de intoxicação, muitas vezes, demoram a aparecer e podem ser confundidos com uma simples ressaca, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.



















