Médicos da Unicamp são acusados por favorecimento de pacientes no SUS
Pai e filho, médicos ligados á Unicamp, são investigados pelo MPSP por suspeita de favorecer pacientes e movimentar mais de R$ 200 mil
atualizado
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Os médicos Elinton Adami Chaim e Felipe David Mendonça Chaim, pai e filho, são investigados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de favorecer pacientes no acesso ao Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. A ação aponta possível prática de improbidade administrativa, quando há uso do cargo público para obter vantagens indevidas.
Segundo a investigação, os dois teriam ajudado a criar um caminho fora das regras para que alguns pacientes chegassem mais rápido ao Ambulatório de Obesidade do hospital. Esses pacientes eram atendidos por uma empresa ligada aos investigados, que presta serviços para prefeituras da região. Após o acompanhamento, eles seriam encaminhados diretamente ao hospital, sem passar pela fila oficial do SUS.
Bloqueios da Justiça
- A Promotoria aponta que o esquema pode ter gerado ganhos financeiros aos envolvidos.
- A empresa investigada mantinha contratos com prefeituras da região.
- Um dos contratos, com a Prefeitura de Indaiatuba, previa pagamento de R$ 11,8 mil por mês durante seis meses, depois prorrogado.
- Um novo acordo estipulou pagamento de R$ 12 mil mensais por um período de 12 meses.
- Segundo o Ministério Público de São Paulo, o modelo favorecia a empresa ao facilitar o acesso de pacientes ao hospital público.
- Diante das suspeitas, a Promotoria pediu à Justiça o bloqueio de R$ 1,428 milhão em bens dos investigados.
- O valor é apontado como possível resultado de enriquecimento irregular.
- A ação também solicita punições como perda do cargo público, pagamento de multa e suspensão dos direitos políticos.
CROSS
No sistema público de saúde, o acesso a consultas, exames e cirurgias é organizado por meio da Central de Regulação, conhecida como CROSS. Esse sistema funciona para garantir que todos os pacientes do SUS tenham acesso de forma justa, seguindo critérios médicos e a ordem de prioridade. As solicitações são feitas por unidades de saúde, como postos e hospitais, que inserem os dados do paciente no sistema para que ele seja encaminhado ao serviço mais adequado.
A CROSS atua como uma ponte entre unidades de menor e maior complexidade, organizando desde atendimentos de rotina até casos de urgência e emergência. Esse processo é feito por meio do Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (SIRESP), uma plataforma acessada apenas por profissionais de saúde — pela qual, médicos e equipes colocam pedidos de consultas, exames ou transferências, que são avaliados e direcionados conforme a gravidade do caso e a disponibilidade de vagas.
Segundo o MPSP, no caso investigado, teria sido criado um fluxo paralelo a esse sistema oficial. Pacientes ligados a uma empresa teriam sido encaminhados diretamente ao hospital, sem passar pela regulação da CROSS. Na prática, isso pode ter permitido que essas pessoas fossem atendidas antes de outras que aguardavam na fila regular, o que contraria o funcionamento do SUS, baseado no acesso igualitário e na prioridade clínica.
O que dizem os médicos
A defesa dos médicos, representada pelo advogado Gabriel Gallo Brocchi, afirmou que eles ainda não foram oficialmente citados no processo judicial e, por isso, não podem comentar detalhadamente as acusações neste momento. Ainda assim, destacou que os mesmos fatos já foram analisados em processos administrativos na Unicamp, nos quais, segundo a defesa, não houve comprovação de enriquecimento pessoal nem prejuízo a pacientes do SUS.
Os advogados também afirmam que todos os atendimentos foram feitos dentro do sistema público de saúde, com encaminhamentos realizados pelas secretarias municipais, e que não existe uma “fila linear” para cirurgias, já que os procedimentos dependem de critérios clínicos. Segundo a defesa, nos últimos anos, os atendimentos passaram a seguir exclusivamente o sistema oficial de regulação.
Em nota, a Unicamp informou que abriu dois processos internos para apurar o caso, ambos já concluídos. No caso do professor Elinton Adami Chaim, a decisão foi pela absolvição. Já o servidor Felipe David Mendonça Chaim recebeu punição de suspensão por 10 dias. A universidade afirmou ainda que todo o processo seguiu as regras, com direito à defesa e ao contraditório






