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Major que teria apagado provas vai para setor de tecnologia da PM

Como revelado pelo Metrópoles, registros indicam que Adriana Leandro de Araújo apagou vídeo de ocorrência em que suspeito foi morto por PMs

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Arte/Carla Sena/Metrópoles
Adriana Leandro de Araújo
1 de 1 Adriana Leandro de Araújo - Foto: Arte/Carla Sena/Metrópoles

A major Adriana Leandro de Araújo, que teria fraudado o sistema das câmeras corporais da Polícia Militar para apagar vídeos de ocorrências, foi transferida para o Departamento de Tecnologia da corporação. A decisão foi pulicada no diário oficial de São Paulo, no último dia 30. Não há informação sobre qual função ela vai exercer no setor, responsável por toda a segurança da informação e pelos maiores contratos da PM.

Em julho do ano passado, o Metrópoles revelou que, segundo registros da plataforma usada para processar as gravações das câmeras corporais da Axon, Adriana fez uma série de manipulações e deletou arquivos referentes a uma ocorrência em que um homem foi morto com três tiros de fuzil e nove de pistola durante a Operação Verão. Segundo a polícia, a vítima, Joselito dos Santos Vieira, teria atirado primeiro. A versão é questionada por testemunhas.

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Morro do José Menino, Santos
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Joselito dos Santos Vieira, vítima da PM
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Joselito dos Santos Vieira, vítima da PM

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Na época, a major chefiava o Setor de Evidências da PM. No posto, ela respondia diretamente ao então número 3 na hierarquia da corporação, o coronel Gentil Epaminondas Carvalho, que participou da ocorrência em questão.

Mesmo com a abertura de sindicância pela corporação, a cúpula decidiu mantê-la no cargo. O procedimento segue em andamento e, mais de seis meses depois, não há informação de que tenha avançado. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Ministério Público de São Paulo também investiga o caso.

Questionada pela reportagem, a pasta disse que a mudança é “parte da gestão administrativa e operacional” e teve como base “critérios técnicos, com o objetivo de aprimorar constantemente a atuação policial”.


Morte de Joselito

  • A morte de Joselito dos Santos Vieira ocorreu em 9 de março de 2024 no morro do José Menino, em Santos. A gravação deletada da ocorrência foi registrada pela câmera corporal do soldado Thiago da Costa Rodrigues.
  • Nos inquéritos civil e militar, não há indícios de que o policial tenha feito disparos de arma de fogo. No entanto, ele estava na mesma viatura dos policiais que atiraram e são acusados pelo homicídio.
  • Além de Tiago e quatro PMs que atiraram, o então coordenador operacional da PM, Gentil Epaminondas Carvalho, chefe da major Adriana, estava presente em uma viatura descaracterizada.

Vídeo apagado

A plataforma Evidence, utilizada pela Polícia Militar para processar os vídeos das câmeras corporais, mostra que a gravação da câmera do soldado Thiago foi introduzida no sistema às 5h17 de 10 de março de 2024, dia seguinte à ocorrência.

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Major Adriana deleta vídeo da câmera corporal do soldado Thiago
Print do sistema Evidence mostra vídeo apagado
Perfil do usuário anônimo "Usuário de Operações"
Operações realizadas com "Usuário de Operações" no sistema Evidence
Histórico da gravação da bodycam do soldado Thiago mostra operações feitas por Major Adriana
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Histórico da gravação da bodycam do soldado Thiago mostra operações feitas por Major Adriana

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Major Adriana deleta vídeo da câmera corporal do soldado Thiago
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Major Adriana deleta vídeo da câmera corporal do soldado Thiago

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Print do sistema Evidence mostra vídeo apagado
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Print do sistema Evidence mostra vídeo apagado

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Perfil do usuário anônimo "Usuário de Operações"

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Operações realizadas com "Usuário de Operações" no sistema Evidence
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Operações realizadas com "Usuário de Operações" no sistema Evidence

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Oito dias depois, em 18 de março, a major Adriana Leandro de Araújo acessou o arquivo às 16h28 e mudou o nome do policial envolvido. A filmagem foi atribuída a um usuário anônimo, com nome “Usuário de Operações”, cadastrado na plataforma com um e-mail externo ao da corporação, com o domínio “gmail”.

Mais tarde, às 17h01 daquele dia, a major alterou a data da ocorrência para 5 de janeiro de 2024. Ela também mudou o nome da ocorrência no sistema para “tt” e depois para “Z-13”, sigla que costuma ser utilizada em ocorrências envolvendo pequenas brigas, por exemplo, e que não está associada a homicídio.

Mesmo assim, em 19 de março de 2024, dia seguinte às primeiras alterações, Adriana Leandro de Araújo acessou o arquivo mais uma vez. Às 12h43, ela apertou o botão “excluir”, para deletar o vídeo.

As operações no arquivo constam em uma auditoria de usuário feita pela Axon. O documento interno, ao qual o Metrópoles teve acesso, foi emitido em 26 de abril de 2024. A reportagem também teve acesso a uma série de questionamentos feitos à empresa pela própria Polícia Militar, sobre manipulações indevidas feitas em vídeos de ocorrências.

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