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São Paulo

Maioria dos imóveis HIS financiados por bancos foi para investidores

Em depoimentos à CPI, diretores do Itaú e do Bradesco revelaram que 60% dos imóveis financiados foram comprados por investidores

22/10/2025 18:52
Jessica Bernardo / Metrópoles
Moradia social é alvo de investigação da Prefeitura de São Paulo

A maioria dos imóveis destinados à Habitação de Interesse Social (HIS) e à Habitação de Mercado Popular (HMP) financiados pelos bancos Itaú e Bradesco em São Paulo foi comprada por investidores.

A informação foi revelada por diretores das duas empresas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a existência de fraudes na comercialização dessas unidades, e indica uma possibilidade de desvio no objetivo da política habitacional.

A legislação municipal prevê que essas moradias sejam destinadas à população com até seis salários mínimos, no caso dos imóveis HIS, e até 10 salários mínimos no caso de HMP.

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Não há impedimento para que investidores comprem apartamentos classificados como moradias sociais, mas a legislação exige que, nesta situação, os imóveis sejam alugados para pessoas com renda dentro da faixa prevista pelo programa habitacional.

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Na prática, no entanto, vários desses apartamentos têm sido utilizados para aluguéis de curta duração — do tipo Airbnb –, visando um maior lucro dos investidores, ainda que a locação por temporada seja proibida pela prefeitura.

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Jessica Bernardo / Metrópoles

Nesta terça-feira (22/10), a diretora de crédito imobiliário do Banco Itaú, Priscilla Dias Ciolli, prestou depoimento à CPI da HIS na Câmara Municipal e expôs os números dos financiamentos de empreendimentos vinculados ao banco.

Segundo Priscila, das 1.833 unidades do tipo HIS e HMP financiadas em empreendimentos vinculados ao Itaú, 1.105 foram compradas por investidores — o equivalente a 60,28%.

A diretora disse que a maior parte dos investidores comprou apenas uma unidade. Em 60 casos, eles financiaram mais de um apartamento. Desses 60, há sete dos proprietários que adquiriram mais de duas unidades. A executiva não revelou o número máximo de apartamentos comprados por uma única pessoa.

No caso do Bradesco, os números são menores, mas o percentual de unidades compradas por investidores e financiadas com o banco é o mesmo: 60%. Em depoimento à CPI, no dia 14 de outubro, o diretor de crédito imobiliário do Bradesco, Romero Gomes Albuquerque, disse que somente 40% dos 163 apartamentos do tipo HIS e HMP, de setembro de 2021 até agora, foram para pessoas que pretendiam morar nas unidades.

O diretor disse que não foram detectadas irregularidades na documentação encaminhada no momento dos financiamentos do Bradesco. Já no caso do Itaú, quatro casos suspeitos são investigados pelo banco.

O desvio de finalidade das moradias sociais tem sido investigado, além da CPI, pelo Ministério Público do estado (MPSP).