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São Paulo

Mãe denuncia médico que usou Google para pesquisar diagnóstico de criança

Google foi usado 3 vezes por médico da cidade de Brodowski para chegar a um diagnóstico, que não resolveu o problema do menino de 8 anos

01/10/2026 19:18
Iuliia Mikhalitskaia/iStock
Imagem colorida de criança com catapora - Metrópoles

Um médico da rede pública de Brodowski, no interior de São Paulo, pesquisou no Google três vezes durante uma consulta com criança que apresentava sintomas da “doença misteriosa” que afeta o município. A Associação Paulista de Medicina (APM) diz que a ferramenta não pode substituir a expertise profissional.

Em entrevista ao Metrópoles, Andrea, mãe de Daniel que tem 8 anos, explicou que a criança chegou da escola com coceira e manchas vermelhas pelo corpo, no início de setembro. Imediatamente levou o filho para uma unidade médica.

No local, foi atendida por um profissional que ficou em dúvida com o que os sintomas significavam. Ele então decidiu abrir o Google para comparar as imagens da plataforma com as manchas vermelhas do paciente.

“‘Olha, vamos ver aqui no Google.’ Aí ele jogou lá e falou: ‘não mãe a catapora é assim [mostrou a foto], catapora é diferente. E ninguém mais fica com catapora, porque tem vacina'”, contou a mãe.

A situação se repetiu mais duas vezes, com escabiose (ou sarna humana) e com picada de inseto. A terceira opção foi o veredito e o médico receitou antialérgicos. Os medicamentos não fizeram o efeito esperado e o pequeno Daniel levou 15 dias para se recuperar da coceira.

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“Estava eu e meu esposo, me passou muito a sensação de que ele não sabia. Ele estava pesquisando no Google porque não tinha ideia do que era.”, afirmou Andrea.

A Prefeitura de Brodowski foi procurada pelo Metrópoles para falar sobre o caso, mas não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto.

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De acordo com a última atualização epidemiológica da cidade, 75 pessoas já foram atendidas com os mesmos sintomas do menino Daniel nas unidades de saúde de Brodowski. As causas e o diagnóstico seguem desconhecidos.

Associação Paulista Médica comenta o caso de Brodowski

Em nota, o presidente da APM, Antonio José Gonçalves, afirmou que o diagnóstico exige conhecimento que apenas um médico pode ter de “avaliação clínica, história do paciente e interpretação criteriosa das informações disponíveis”. Mas ele não repudia totalmente o uso da ferramenta.

“O Google pode ser uma ferramenta de consulta, mas não pode substituir o médico. Informação encontrada na internet não é diagnóstico. A tecnologia deve apoiar a medicina, e não assumir o lugar do raciocínio e da responsabilidade do profissional”, afirmou.