
Lula 4 deve oferecer "perspectiva de futuro" para a juventude, diz Cortez
Deputado federal eleito foi um dos aliados da campanha petista na busca por votos da juventude e diz que jovens querem mais da política

São Paulo – Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), uma das primeiras medidas tomadas pelo petista foi convidar uma comitiva de deputados jovens, recém-eleitos, para uma conversa. Lula entendeu que precisava ouvir a juventude e melhorar sua comunicação digital para vencer a eleição.
Guilherme Cortez (PSol) estava na reunião. Eleito deputado estadual de São Paulo em 2022 com a ajuda das redes sociais, Cortez acabara de conseguir uma vaga na Câmara dos Deputados com 275 mil votos e uma base forte de eleitores jovens.
Em entrevista ao Metrópoles depois da virada histórica de Lula no segundo turno, Cortez diz que o presidente “é consciente” do papel que a juventude brasileira teve para sua reeleição, com a mobilização nas ruas e nas redes. O parlamentar, no entanto, destaca: a geração jovem quer mais da política brasileira.
“A eleição dele foi o mínimo, eu tenho essa compreensão. Eu estive em mais de 10 estados conversando com essa geração, que esteve muito unida pela eleição do Lula, mas entendendo que isso era o primeiro passo para que a gente tivesse condições para reivindicar outras coisas”, afirma.
Com 28 anos, o deputado federal eleito diz que a juventude “sofre com uma crise de perspectiva de futuro”. “Hoje, o futuro não é mais enxergado como uma coisa promissora. No melhor dos casos, é [enxergado] com incerteza; no pior, com medo”, afirma.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“É uma geração que, quando ainda estava na escola, viveu uma pandemia. Que, às vezes, faz faculdade, mestrado, doutorado e não consegue trabalhar na área que se formou. Que não tem perspectiva de se aposentar por conta das reformas da Previdência”, diz.

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Ver todasPara ele, o próximo mandato de Lula deve buscar soluções para devolver às gerações mais novas a esperança com o futuro. Entre os principais problemas que precisam ser enfrentados, ele afirma, estão o alto custo de vida, diretamente refletido na questão habitacional, e as relações de trabalho.
“Você paga muito mais que um salário mínimo para poder morar – quem dirá [para custear] o restante da sua vida! Esse é um tema que a esquerda ainda fala pouco. Em Nova York, o [prefeito Zohran] Mamdani tem feito políticas de regulação dos aluguéis”, diz ele, que chama de também “absurdo” o preço para comprar um imóvel no Brasil.
Cortez defende ainda que o Congresso e o governo precisam revisar a lei do estágio e regulamentar a pejotização nos próximos quatro anos. “É uma juventude que é empurrada para postos de trabalho muito precários. Você é contratado como PJ para fazer o trabalho de um assalariado, de um CLT. Em alguns casos, o empregador demite o CLT e contrata estagiário no lugar para fazer o mesmo trabalho”.
O deputado que construiu sua base por meio das redes sociais diz que o novo governo de Lula também terá de dialogar digitalmente com esse eleitorado jovem daqui para frente.
“Um governo ou uma autoridade pública não precisa se comunicar só através do pronunciamento oficial ou mediado pela imprensa. Também pode se comunicar através de uma live, de determinados conteúdos na rede social. Isso tem uma eficácia muito grande”, afirma.
No discurso do dia 25 de outubro, Lula prometeu que a comunicação digital “vai ganhar um espaço muito grande” no governo.
