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Eleições 2026Vinicius Passarelli

Nova geração aprendeu a enfrentar a extrema-direita, diz Guilherme Cortez.

Quinto mais bem votado da esquerda, psolista de 28 anos avalia renovação do campo progressista com votações expressivas na nova geração

09/10/2026 08:00
Instagram/guilhermecortez_
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal eleito Guilherme Cortez (Psol)

Entre os vinte deputados federais mais bem votados no Brasil, Guilherme Cortez (PSol) avalia que o resultado de sua candidatura e de outros nomes da nova geração do campo progressista mostra que a esquerda formou, nos últimos anos, uma geração capaz de enfrentar a extrema-direita em um terreno que, segundo ele, “durante oito anos eles disputaram quase sozinhos”.

“Elegemos uma bancada muito mais preparada para enfrentar a extrema-direita do que quatro anos atrás, e absolutamente mais do que oito anos atrás”, afirmou Cortez em entrevista à coluna.

Deputado estadual eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 2022, o parlamentar foi um dos que participaram de um encontro com Lula em Brasília que reuniu jovens políticos de esquerda que conseguiram votação expressiva na votação do último domingo (4/10).

atribui o avanço a um processo de aprendizagem. Segundo ele, os anos de convivência com a extrema-direita nos parlamentos e em podcasts possibilitaram com que lideranças de esquerda construíssem formas de fazer a disputa ideológica.

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“Fomos aprendendo também, testando, errando”, disse. Para Cortez, o resultado é “muito superior” ao que a esquerda tinha quatro anos atrás e “infinitamente superior” ao de antes. Ele avalia que a direita tem o algoritmo das redes sociais a seu favor e que a esquerda segue em desvantagem numérica. Ainda assim, diz haver “figuras de ponta” em vários estados do país, com “capacidade imensa de vencer a direita”.

Geração nativa digital

Cortez afirma que a nova leva de parlamentares representa uma geração que entende os dilemas do mundo atual e é “nativa do meio digital”. Ele conta que sua primeira manifestação de rua foi em junho de 2013 e que nunca fez política sem redes sociais. “Então é um pouco natural que você tenha uma aptidão maior”, disse.

O deputado avalia que os eleitores que votaram pela primeira vez, entre 16 e 18 anos, nasceram a partir de 2008, ano da última grande crise econômica do capitalismo. Na sua análise, é dali que vêm boa parte dos problemas atuais: mudanças na legislação trabalhista e previdenciária, a transformação geopolítica com a China, guerras, mudança climática e pandemia.

“É uma geração que tem mais motivo para olhar o futuro com medo do que com esperança”, afirmou.

Segundo Cortez, a esquerda está atrás na disputa pela geração mais jovem, ao contrário da ideia tradicional de que os mais novos tendem ao progressismo. “As pessoas não são necessariamente nem de esquerda, nem de direita”, disse. “Tudo isso depende de uma disputa de ideias que é feita na sociedade.”

Ele diz que a direita entendeu antes o peso das redes sociais, enquanto parte da esquerda resistiu a elas. Mas afirma que o domínio das plataformas não explica tudo.

“Eles também acertam no conteúdo”, disse, ressalvando que discorda “absolutamente” do que o campo propõe para o país. Em sua avaliação, a direita oferece “respostas ruins” a frustrações legítimas, como o custo de vida, culpando mulheres, pessoas trans e imigrantes por problemas que, para ele, têm origem no capitalismo e na concentração de renda.

O deputado defende que a esquerda dialogue com essas frustrações “apresentando outros culpados e outras saídas”. Para ele, a geração atual está “absolutamente carente de uma saída” da crise.

“Nós podemos e devemos apresentar essa saída, mas, se a gente não apresentar, a direita vai”, afirmou. Ele observa que o futuro vendido pela direita é, paradoxalmente, o passado, e que isso também é eficiente.

Cortez prefere falar em candidaturas “contemporâneas” a candidaturas jovens: aquelas que dialogam com as preocupações atuais, pelos meios que fazem sentido hoje, com uma metodologia política própria da era digital. Isso pode se parecer com o que a direita faz, segundo ele, “só com o signo invertido” e sem as armas da mentira e da desinformação.

“Poderia ser que essa renovação da esquerda demorasse 10, 20 anos, com as lideranças brigando por espaço em seus partidos. O eleitor antecipou”, afirmou.