Lei aprovada na Alesp pode dar R$ 7 bilhões em descontos a fazendeiros

Oposição na Alesp afirma que lei pode facilitar regularização de imóveis improdutivos. Governo Tarcísio defende proposta por “modernização”

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Votação em plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp); deputados - Metrópoles
1 de 1 Votação em plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp); deputados - Metrópoles - Foto: null

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou na noite desta terça-feira (26/8) um projeto de lei apresentado pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) que pode dar descontos superiores a R$ 7 bilhões na entrega de terras devolutas a fazendeiros no estado.

Foram 48 votos a favor, garantidos, majoritariamente, pelas bancadas do PL, PSD, PSDB, União e Republicanos, e 13 votos contra, a maioria do PT e do PSol. A votação só não foi concluída porque faltou quórum para votar as emendas da oposição.

Enquanto o governo sustenta que se trata de um meio de modernizar a entrega de títulos rurais, a oposição afirma que o texto abre caminho para a entrega de terras ainda maiores e também para imóveis improdutivos.

Uma lei que permite a venda de terras a fazendeiros com descontos de até 90% já havia sido aprovada na Alesp em 2022, no governo de Rodrigo Garcia (sem partido). No entanto, a aplicação da legislação foi turbinada sob a gestão Tarcísio, que tem no agro uma de suas bases.

Em 2023, o atual secretário da Agricultura, Guilherme Piai, chegou a incentivar a aplicação da legislação “antes que a lei caísse” no Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão, no entanto, tirou o assunto de pauta no mesmo ano, após Tarcísio se reunir com alguns ministros, e desde então o assunto não voltou a ser debatido na Corte.

Veja o vídeo:

 

O governo de São Paulo estima arrecadar R$ 1,92 bilhão com 720 mil hectares de terras até 2026, segundo dados do Instituto de Terras (Itesp), órgão agrário estadual. Com base em dados da Lei de Acesso à Informação, uma projeção feita pela liderança do PT na Alesp afirma que, se o governo cumprir sua meta, o desconto total pode chegar a R$ 7,6 bilhões.

A área prevista como meta é o equivalente a cinco vezes à da capital paulista, ou nove vezes a área de Campinas, maior cidade do interior.

O partido afirma que o governo respondeu a seus requerimentos de informação com os dados mais atualizados em janeiro de 2024. Até então, havia 355 pedidos de fazendeiros, relativos a uma área de 206 mil m².

Críticas ao projeto

O PL foi enviado pela gestão Tarcísio à Alesp em 5 de maio e tramitou em regime de urgência. Na prática, a proposta altera três leis estaduais de regularização fundiária: as Leis 11.600/2003 e 16.475/2017, que tratam sobre regularizações nas regiões do Pontal do Paranapanema e nos vales do Ribeira e Itapeva, respectivamente; e a Lei 17.557/2022, sancionada pelo ex-governador Rodrigo Garcia e que criou o Programa Estadual de Regularização de Terras Devolutas.

Um dos pontos mais criticados pela oposição é o que permite a legalização de propriedades com mais de 2,5 mil hectares, atual limite previsto no artigo 188 da Constituição. Para isso, o texto permite uma “divisão” da terra em questão, por meio de requerimentos de regularização feitos por cada condômino presente dentro da propriedade.

“A nova redação busca facilitar a regularização de grandes condomínios rurais que ultrapassam os limites constitucionais de 2 mil hectares, além de outras mudanças cujo objetivo é assegurar a entrega definitiva dessas terras até o final de 2026”, afirmou a deputada Beth Sahão (PT) na justificativa para uma das emendas apresentadas pela oposição.

Outro ponto levantado pela oposição é que as alterações dariam os mesmos termos de avaliação de imóvel e de acordo, até nos casos em que não há benfeitorias ou outros direitos indenizáveis. Na visão dos adversários do governo, isso pode facilitar a situação para a regularização de imóveis improdutivos, uma vez que as plantações e a infraestrutura usada para tal se caracterizam como benfeitorias.

Governo fala em modernização

O governo Tarcísio afirma que realiza a maior “regularização fundiária da história do estado”. “De 2023 a 2025, foram regularizadas mais de 4.500 propriedades rurais, chegando à marca de mais de 50% dos assentamentos rurais regularizados.” A administração diz, ainda, que  a iniciativa parte de análises técnicas do Itesp e da Procuradoria-Geral do Estado.

A gestão Tarcísio defende as mudanças na lei para “modernizar e avançar na entrega de títulos rurais, levando dignidade e segurança jurídica para os produtores rurais de São Paulo, bem como garantindo o cumprimento da função social da propriedade, inclusive no aspecto ambiental”.

A proposta, diz o governo, prevê a gratuidade a agricultores familiares, padronização de prazos e destinação de recursos para modernização da regularização fundiária, principalmente aquela voltada à agricultura familiar.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?