Justiça nega recurso e PMs que mataram estudante de medicina vão a júri
Marco Aurélio, de 22 anos, era estudante de medicina e foi morto por PMs, em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo

Os policiais militares Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo, réus pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, tiveram um recurso negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) nesta terça-feira (29/9) e vão a Júri Popular.
A defesa de Guilherme Augusto Macedo havia pedido a absolvição sumária do réu por legítima defesa, enquanto os advogados de Bruno Carvalho alegaram que ele nem teria participado do crime. Se a absolvição fosse negada, as defesas também pediram que os réus não fossem a júri por falta de provas e, em último caso, que fossem afastadas as duas qualificadoras do crime: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A 12ª Câmara de Direito Criminal, porém, negou provimento ao recurso por unanimidade. Todos os pedidos foram rejeitados e foi mantida a decisão da juíza Luiza Torggler Silva: os policiais deverão ser julgados pelo Tribunal do Júri por homicídio duplamente qualificado. A Justiça entendeu que existem provas e indícios suficientes de autoria no caso.
Em nota, o advogado Vladimir Sampaio Soares, que representa a família de Marco Aurélio, afirmou que a decisão de hoje “é o sistema funcionando como deve”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Diante da prova, os fatos seguem para quem tem o poder de julgá-los, que é o povo. Nenhuma das teses de escape sobreviveu ao que as câmeras mostraram”, completou Vladimir.
Procurado pelo Metrópoles, o advogado João Carlos Campanini, que representa os dois policiais, afirmou que “a defesa respeita a decisão do Tribunal de Justiça mas não concorda”. Para ele, “os aspectos da legítima defesa estão devidamente comprovados nos autos e os acusados não deveriam ser submetidos a júri popular”.
Relembre caso
Marco Aurélio, de 22 anos, era estudante de medicina e foi abordado por PMs em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasSegundo carta enviada pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao governo brasileiro, imagens das câmeras corporais dos policiais indicaram que não havia fundamento objetivo para a abordagem. Mesmo assim, os agentes perseguiram o estudante até um hotel, onde ele foi baleado e morto.
De acordo com o relato encaminhado à ONU, Marco Aurélio estava desarmado e, antes de ser baleado, não houve tentativa de controle da situação ou emprego de meios menos letais por parte dos PMs. Imagens do hotel mostram, segundo os relatores, um policial segurando o jovem e chutando-o antes do disparo. O estudante foi levado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos.











