Justiça julga se reduz pena de Cupertino por matar ator de Chiquititas

Tribunal de Justiça de São Paulo julgará recurso apresentado pela defesa em março; atual condenação é de 98 anos por triplo homicídio

atualizado

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Montagem feita a partir de fotos de Paulo Cupertino e Rafael Miguel - Metrópoles
1 de 1 Montagem feita a partir de fotos de Paulo Cupertino e Rafael Miguel - Metrópoles - Foto: Polícia Civil/Reprodução e Instagram/Reprodução

A condenação do acusado de matar um ator de Chiquititas e os pais dele, Paulo Cupertino Matias, pode sofrer uma redução técnica em julgamento marcado para 5 de março, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) analisará o recurso apresentado pela defesa. A possibilidade do cumprimento de uma pena menor que os 98 anos da sentença já havia sido relevada pelo Metrópoles.

A Procuradoria de Justiça já opinou que a pena pode ser ajustada para respeitar o limite máximo de 30 anos por homicídio, o que, na prática, pode chegar a 90 anos, mantendo a condenação pelo asassinato do ator Rafael Mihuel e dos pais dele, Miriam Selma Miguel e João Alcisio Miguel, mortos em 9 de junho de 2019.  A sessão será realizada em formato virtual pela 10ª Câmara de Direito Criminal.

O que estará em análise não é novamente se o réu cometeu os crimes. O júri já o condenou por três homicídios qualificados, quando o crime é considerado mais grave por circunstâncias específicas, como motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. A discussão agora se concentra em supostas falhas no processo e a forma como a pena foi calculada.

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Paulo Cupertino
Paulo Cupertino
Maria Gorete, tia de Rafael Miguel, o ator e Paulo Cupertino
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Sala onde ocorre o julgamento de Paulo Cupertino em São Paulo
Paulo Cupertino durante julgamento
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Paulo Cupertino durante julgamento

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Maria Gorete, tia de Rafael Miguel, o ator e Paulo Cupertino

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Sala onde ocorre o julgamento de Paulo Cupertino em São Paulo
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Sala onde ocorre o julgamento de Paulo Cupertino em São Paulo

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Réu escreveu carta em próprio punho para pedir adiamento do júri
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Réu escreveu carta em próprio punho para pedir adiamento do júri

Material cedido ao Metrópoles
Acusado de matar ator de Chiquititas pede julgamento justo, e julga a cobertura da imprensa sobre o caso
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Acusado de matar ator de Chiquititas pede julgamento justo, e julga a cobertura da imprensa sobre o caso

Material cedido ao Metrópoles
Cupertino afirmou estar “insatisfeito” e “abandonado”, e não concordar com a tese de legítima defesa usada pelos advogados. Segundo o que escreveu em carta, o argumento “não é verdade”
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Cupertino afirmou estar “insatisfeito” e “abandonado”, e não concordar com a tese de legítima defesa usada pelos advogados. Segundo o que escreveu em carta, o argumento “não é verdade”

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Segundo texto, réu enfrenta diversos problemas de saúde enquanto está preso no CDP 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo
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Segundo texto, réu enfrenta diversos problemas de saúde enquanto está preso no CDP 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo

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Réu apontou problemas de saúde em carta escrita à mão
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Réu apontou problemas de saúde em carta escrita à mão

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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu
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A filha de Paulo Cupertino já depôs contra o réu

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Júri de Paulo Cupertino (no detalhe) no Fórum da Barra Funda, em São Paulo
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Júri de Paulo Cupertino (no detalhe) no Fórum da Barra Funda, em São Paulo

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Quebra na “cadeia de custódia”

No recurso, a defesa alegou nulidades, sustentando que teria havido parcialidade por parte da Promotoria, questionou a preservação da cena do crime e apontou suposta quebra na “cadeia de custódia” — expressão jurídica que significa a garantia de que as provas foram preservadas corretamente desde a coleta até o julgamento.

A defesa de Cupertino também reclamou do indeferimento de pedidos de perícia, da anexação de laudos e da negativa de adiamento do julgamento após troca de advogados.

O parecer da Procuradoria de Justiça, obtido pelo Metrópoles, rechaça esses argumentos. Afirma que houve designação formal do promotor para atuar no caso, que a cena do crime foi preservada dentro das possibilidades legais e que não houve irregularidade capaz de anular o julgamento. Também alega que a nova defesa foi constituída com antecedência suficiente para se preparar e que os pedidos de prova foram fundamentadamente rejeitados.

Segundo o parecer, não ficou demonstrado prejuízo concreto que justificasse anular a condenação. A manifestação sustenta ainda que o veredicto do júri foi compatível com o conjunto de provas reunidas no processo

Correção na dosimetria

O único ponto em que a Procuradoria admite correção é na dosimetria, ou seja, o cálculo da pena. Pela legislação penal, cada homicídio tem limite máximo de 30 anos. O parecer entende que, em uma das fases do cálculo, esse teto precisa ser respeitado. Por isso, recomenda o “parcial provimento” do recurso, apenas para ajustar tecnicamente esse trecho da sentença

Se o Tribunal acolher essa orientação, o total pode cair de 98 para 90 anos, mantendo-se a condenação pelos três homicídios e o regime inicial fechado.

Soma das penas mantida

Também foi mantida, no parecer, a aplicação do concurso material — quando a Justiça entende que houve mais de uma ação criminosa independente, o que permite somar as penas. O documento ressalta que os jurados reconheceram motivações distintas para as mortes, justificando a soma das condenações.

O julgamento do recurso está pautado para começar  no próximo dia  5, em ambiente virtual. Caberá aos desembargadores decidir se confirmam integralmente a sentença ou se fazem o ajuste técnico sugerido pela Procuradoria.

Relembre o crime

O triplo assassinato ocorreu em 2019 em Pedreira, na zona sul da capital paulistana. De acordo com denúncia do Mistério Público de São Paulo (MPSP), Paulo Cupertino matou o ator Rafael Miguel, que na época tinha 22 anos, o pai dele, João Alcisio Miguel, de 52, e a mãe, Miriam Selma Miguel, de 50, porque não aceitava o namoro do jovem com a filha dele, Isabela Tibcherani, na época com 18 anos.

Os pais do ator estavam no local porque queriam conversar com Cupertino sobre o namoro dos filhos.

Segundo a denúncia, Cupertino disparou 13 vezes contra as vítimas. Depois do crime, fugiu para Mato Grosso do Sul e, em seguida, para o Paraguai. O acusado foi preso na mesma região onde o crime ocorreu, escondido em um hotel, em maio de 2022.

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