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Jovem foi morto por PM no dia em que filha recém-nascida deixou UTI

Bruno Lisboa Araújo foi morto por PM com um tiro na cabeça durante briga de trânsito. No mesmo dia, a filha recém-nascida dele deixou a UTI

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Bruno Lisboa Araujo, morto aos 21 anos por um PM em uma briga de trânsito - Metrópoles
1 de 1 Bruno Lisboa Araujo, morto aos 21 anos por um PM em uma briga de trânsito - Metrópoles - Foto: Reprodução/Instagram

O vendedor de veículos Bruno Lisboa Araújo, de 21 anos, morreu no mesmo dia e no mesmo hospital em que a filha dele, de apenas 15 dias, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O caso aconteceu em 5 de janeiro, no Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.

O jovem foi morto pelo policial militar (PM) Leandro de Souza Assis, de 37 anos, durante uma briga de trânsito na rua Reverendo Carlos Wesly, em Brasilândia, também na zona norte paulista, no mesmo 5 de janeiro. Araújo foi baleado na cabeça.

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Hellena, de apenas duas semanas, filha de jovem de 21 anos morto pela PM em briga de trânsito
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Bruno Lisboa Araujo, morto aos 21 anos por um PM em uma briga de trânsito

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PM preso

Assis foi preso em flagrante. A prisão foi convertida em preventiva em audiência de custódia, e o agente segue detido no Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

Nesta terça-feira (13/1), ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por homicídio qualificado por motivo fútil e com emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.

A Corregedoria da Polícia Militar já teria sido notificada do caso. Na denúncia, o MPSP oficiou o órgão para que apresente todos os processos administrativos dos quais Assis já foi alvo.

Morte prematura

Araújo só teve contato com a bebê logo após o nascimento dela, em 22 de dezembro.

“A Helena sequer pôde ter a sua vida com o pai, e ele não pôde ver a filha fora da UTI. Ele acaba morrendo no mesmo hospital em que a filha está internada”, reforçou a advogada da família e assistente de acusação no processo que apura o homicídio, Ana Carolina Badaró.

Segundo a advogada, o vendedor não teve tempo de registrar a filha. A família já iniciou os procedimentos necessários para que a menina tenha o nome do pai na certidão de nascimento.

Ana Carolina destacou, ainda, que Araújo morreu próximo à data em que completaria 22 anos, em 10 de janeiro. “Então, ele morre 15 dias depois que a filha nasceu e cinco dias antes do seu aniversário”, disse.

A defensora afirmou não ter informações sobre as razões de Helena ter sido internada na UTI após o nascimento. Ela informou, no entanto, que ela seguia internada até esta terça.

PM mata jovem em briga de trânsito

Câmeras de segurança registraram a dinâmica da ocorrência. Não é possível visualizar a discussão, mas os equipamentos capturaram o áudio da briga. No vídeo, é possível escutar uma gritaria. Um dos envolvidos, que aparenta ser Assis, conforme o boletim de ocorrência, grita: “Vem, filha da puta, vem”.

Em seguida, grita: “Vai, desce aí então, cuzão; desce aí então”. Mais algumas palavras são ditas, mas não é possível identificá-las. É possível ouvir também: “Você tá errado”. Em seguida, um barulho de disparo.

Veja o vídeo:

Araújo foi encontrado pela polícia sentado no banco do motorista, mas caído sobre o banco do passageiro. Ele possuía um ferimento de bala de fogo no lado esquerdo da cabeça, na região da têmpora.

Reação desproporcional

Segundo o boletim de ocorrência, ao invés de seguir a direção contrária na via, Assis seguiu o carro de Bruno e emparelhou o veículo, momento em que a discussão entre os dois teria ficado mais acalorada. O PM se irritou após ser chamado de “Zé Povinho”, o que teria motivado o disparo.

À polícia, Assis alegou que atirou porque Bruno “fez menção de sacar uma arma”. O B.O. destaca, no entanto, que o jovem estava desarmado.

“Diante desse cenário, não há como se acolher, nesta fase, a tese de legítima defesa”, diz a autoridade policial do 72º Distrito Policial (Vila Penteado), onde o caso foi registrado.

A advogada destacou que tanto a polícia quanto a promotoria destacaram que a motivação do crime seria uma “discussão banal de trânsito”. Para ela, a reação do policial foi “desproporcional”. “Bruno não teve tempo de se explicar ou falar algo”, disse à reportagem.

Tanto a família como a advogada enfatizam que o rapaz não possuía nenhuma passagem criminal, tinha emprego lícito e residência fixa. Ele deixou a filha e uma companheira. Conforme a advogada, a família está “devastada” com o caso.

O Metrópoles não localizou a defesa do PM Leandro de Souza Assis. O espaço segue aberto para manifestação.

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