Jornalista sofre ataque digital após ter dados vazados na internet
Jornalista teve informações pessoais detalhadas expostas, incluindo dados de documentos oficiais, que foram usados por golpistas para fraude
atualizado
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Um vazamento de dados colocou a vida do jornalista Lucas Veloso em alerta na última quinta-feira (18/3). Morador de São Paulo, Lucas teve informações pessoais e documentos oficiais acessados por golpistas, que entraram em contato por telefone tentando extorqui-lo.
O próprio jornalista relatou o ocorrido em vídeo publicado em suas redes sociais, detalhando como os criminosos usaram os dados para tentar aplicar o golpe e alertando sobre os riscos desse tipo de exposição.
Em entrevista ao Metrópoles, Lucas Veloso detalhou como o esquema funciona, explicando que os golpistas se aproveitam de dados pessoais vazados para criar situações de cobrança e intimidação, usando informações detalhadas de vítimas para aplicar golpes financeiros e espalhar conteúdo falso nas redes sociais.
“Eles enviaram prints de uma plataforma com todos os meus dados, até meu signo chinês. São informações que eu mesmo nunca publiquei. Tinha até a minha idade exata, mostra que faltam 90 dias para o próximo aniversário, e até o dia da semana. É um nível… inacreditável”, contou ele.
“Sabem mais de mim do que eu mesmo”
Segundo Lucas, os criminosos tinham em mãos seu nome completo, o de seus pais, CPF, data de nascimento e até detalhes de plataformas que calculavam até o seu signo chinês, informações que ele nunca disponibilizou publicamente.
A situação ganhou ainda mais gravidade quando a foto de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) começou a circular, usada para criar postagens falsas nas redes sociais que o acusavam de crimes e pediam que o conteúdo fosse compartilhado em jornais de bairro no Rio de Janeiro.
O golpe, segundo ele, foi articulado por um casal que se apresentou como proprietários de uma loja de celulares em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Eles fizeram ligações exigindo dinheiro via Pix, alegando prejuízos e pressionando Lucas a assumir responsabilidade por um suposto golpe aplicado através de entregadores.
“A foto que circulou é da a minha CNH, não é algo que eu postei em algum lugar. Eu nunca postaria aquela foto, é só um documento. Quando vi, pensei: esses caras sabem mais de mim do que eu mesmo”.
Denúncias contra o vazamento
Após perceber o uso indevido de seus dados, Lucas Veloso tentou agir rapidamente. Primeiro, registrou um boletim de ocorrência on-line em São Paulo, mas, diante da demora na análise, decidiu ir pessoalmente a uma delegacia. Lá, foi informado de que não havia outra alternativa além de aguardar a tramitação do boletim.
Orientado, Lucas também abriu um boletim on-line no Rio de Janeiro, mas até a publicação desta reportagem ele ainda não havia recebido qualquer retorno das autoridades sobre as investigações ou medidas tomadas.
Além da polícia, Lucas acionou as plataformas de redes sociais e a Meta. Ele denunciou os perfis que circulavam com sua imagem e informações pessoais, mas recebeu respostas limitadas e pouco efetivas.
“Entrei em contato com a Meta, eles indicaram denunciar os conteúdos. Algumas horas depois, só um dos perfis caiu. O outro ainda permanece ativo, com minhas imagens circulando”, relatou.
Sobre a solicitação de Lucas Veloso, o Metrópoles entrou em contato com a Meta, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
Como proteger seus dados na internet
- Caso saiba a origem do vazamento, entre em contato com a empresa responsável para confirmar quais informações foram afetadas.
- Evite sites ou e-mails suspeitos e não forneça seus dados pessoais em supostas verificações de vazamento, pois isso pode aumentar sua exposição.
- Atualize senhas de serviços e plataformas que possam ter sido afetados por vazamentos.
- Sempre que disponível, use autenticação de dois fatores. Habilite esse recurso para dificultar acessos não autorizados.
- Fique atento a movimentações suspeitas em contas de bancos, redes sociais e serviços online.
- Se seus dados forem usados indevidamente, informe os provedores de serviços e registre ocorrência na autoridade policial.
Viés racial
O jornalista também destacou como o caso revela um viés racial presente na forma como ele foi exposto e julgado online. “No Brasil, quando você é uma pessoa negra, qualquer suspeita de crime rapidamente é associada à sua imagem. Eu sou jornalista, mas, na internet, parecia que eu automaticamente era o culpado”, afirmou.
Lucas destacou que o racismo estrutural se manifesta mesmo em crimes digitais. Mesmo sendo vítima, ele percebeu que a primeira reação de muitas pessoas era duvidar dele. A cor de sua pele acabou sendo tratada como um elemento de suspeita, quando, na realidade, ele estava apenas tentando se proteger de um golpe e de um ataque à sua privacidade.
O jornalista faz um apelo sobre a proteção de dados pessoais, reforçando a necessidade de regulamentação mais rigorosa das redes sociais. Ele alerta que qualquer pessoa pode ser vítima de crimes digitais e destaca que a vulnerabilidade exposta pelos vazamentos não se limita à sua experiência, servindo como um alerta para maior proteção de dados e privacidade de todos.








