Investigador passou dados “privilegiados e sensíveis” ao PCC, diz MPSP
Ex-chefe dos investigadores do Dise se reuniu com empresário acusado de planejar matar um promotor do Gaeco. Suspeitos são alvo de operação
atualizado
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), investiga informações “privilegiadas e sensíveis” que o investigador Maurício Aparecido de Oliveira teria repassado ao empresário José Ricardo Ramos, apontado como responsável direto pela execução de um plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho.
No andamento das investigações, o Gaeco descobriu que, uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, em agosto passado, o empresário se reuniu com Maurício, que na época era chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, no interior de São Paulo. Vídeos apreendidos mostram o encontro realizado entre os investigados.
Além de Maurício Aparecido, um ex-policial e um ex-estagiário do MPSP foram presos temporariamente, na manhã desta terça-feira (9/6), no âmbito de uma operação do próprio órgão. Eles são suspeitos de serem infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Emboscada e extorsão
Segundo as investigações, os suspeitos estariam envolvidos em um plano para matar um promotor Amauri Silveira, do Gaeco, além de um esquema de extorsão de investigados.
As investigações buscam apurar novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MPSP.
A investigação também apontou que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por um agente que se valia de informações privilegiadas. Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão seria um estagiário do próprio Ministério Público.
O então estagiário teria, meses antes, propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos. Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.