Morte após intoxicação em piscina: médica detalha sintomas de alerta

Médica aponta ainda quais exames devem contribuir para a investigação dos casos de intoxicação em aula de natação em academia de São Paulo

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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles
1 de 1 Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles - Foto: Reprodução

Os casos de intoxicação durante aula de natação em uma academia da zona leste de São Paulo acenderam um alerta sobre como proceder, com rapidez, impactos na saúde respiratória. O episódio, ocorrido na C4 Gym no último sábado (7/2), causou uma morte e levou outras seis pessoas a precisarem de atendimento médico após sintomas de desconforto.

Segundo a médica especialista em medicina legal e perícia médica, Caroline Daitx, esses sinais aparecem em minutos e representam uma emergência – portanto, não devem ser ignorados.

Os sintomas de alerta incluem ardor nos olhos, queimação na garganta, tosse persistente, dificuldade para respirar e tontura.

“Qualquer um desses sintomas é emergência. Ligue 192 ou 193 imediatamente. Não espere para ver se passa”, alertou Daitx.

Segundo ela, o edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões) resultante da intoxicação pode se desenvolver em até 48 horas após a exposição aos produtos químicos. “Então mesmo que a pessoa se sinta bem no início, pode piorar drasticamente horas depois”, explicou a médica.

Sem atendimento rápido, a pessoa pode sofrer edema pulmonar progressivo, broncoespasmo severo (bloqueio das vias aéreas), insuficiência respiratória aguda, parada cardíaca e morte.

“Em exposições severas a cloro, sem tratamento médico, a taxa de mortalidade é muito alta. O oxigênio suplementar e medicações são críticos para salvar vidas”, acrescentou a especialista.

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Ao menos uma pessoa morreu
Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)
Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha
Alunos passaram mal durante aula de natação em academia na zona leste de SP
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Alunos passaram mal durante aula de natação em academia na zona leste de SP

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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)
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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, foi enterrada no Cemitério Quarta Parada no começo da tarde de segunda-feira (9/2)

Material cedido ao Metrópoles
Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha
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Polícia Civil interditou academia enquanto perícia trabalha

Divulgação/PC

Intoxicação pode causar sequelas

Ainda conforme Daitx, as intoxicações respiratórias por produtos químicos podem causar sequelas graves e duradouras.

É o caso da Síndrome de Disfunção Reativa das Vias Aéreas (RADS), uma forma de asma permanente, e da redução definitiva da função pulmonar, além da hiper-reatividade brônquica crônica (sensibilidade exagerada a irritantes).

Em casos extremos, o paciente também pode sofrer fibrose pulmonar, que é a cicatrização do tecido. “Essas sequelas podem durar meses, anos ou ser permanentes, afetando significativamente a qualidade de vida”, disse Daitx.


Mulher morre e outros cinco precisam de atendimento médico

  • A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, treinava no local acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, quando alunos sentiram desconforto.
  • O casal comunicou o professor responsável e, depois da aula, foi por conta própria ao hospital Santa Helena, de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. No hospital, Juliana não resistiu.
  • O marido dela foi internado em estado grave.
  • Ainda há o registro de outras duas internações em estado grave de pessoas que estavam na piscina da academia no sábado.
  • Uma das vítimas, um menor de idade, foi enviado pelo pai ao Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, com dificuldade de respirar.
  • A outra, uma mulher de 29 anos, precisou ser internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Luiz do Tatuapé, também na zona leste, após apresentar sintomas graves, como dores de cabeça, vômito e diarreia.
  • Um aluno está internado em um leito comum e a última pessoa que apresentou sintomas não teve o estado de saúde detalhado.

Vídeo mostra desespero de alunos

Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja abaixo), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.

Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.

As câmeras também mostram o momento em que o manobrista da academia fez a mistura de cloro que “envenenou o ar” do local. Outra filmagem flagrou o funcionário deixando o balde ao lado da piscina.

Adolescente está com pulmão “cheio de bolinhas”

De acordo com o boletim de ocorrência que registrou o caso, o pai do adolescente informou à polícia que o pulmão do menino está “cheio de bolinhas”, como mostrou uma tomografia realizada no Hospital Vila Alpina, na zona leste da capital.

Segundo a médica, essas “bolinhas” são opacidades e nódulos centrolobulares que representam inflamação e dano real ao tecido pulmonar.

“O cloro queima o pulmão por dentro, deixando essas marcas visíveis na tomografia. Quanto mais ‘bolinhas’ e mais extensas, mais grave foi a exposição”, explicou Daitx.

Conforme a especialista, algumas dessas opacidades podem desaparecer com tratamento, mas outras podem deixar cicatrizes permanentes. Assim como outros exames, elas servem como prova objetiva de que houve lesão pulmonar significativa.

Exames que podem instruir a investigação

Segundo a profissional especialista em perícia médica, há exames essenciais que podem contribuir para a investigação do caso.

É o caso de tomografia de tórax (prova do dano pulmonar), análise da água da piscina (prova de desequilíbrio químico), análise dos produtos químicos usados, laudos médicos de emergência e especialistas, e testes de função pulmonar.

Deve ser feita ainda uma perícia técnica do local, focada em analisar a ventilação, armazenamento de produtos e treinamento do pessoal. Também é preciso analisar registros administrativos da academia e depoimentos de vítimas e testemunhas.

“Tudo junto prova negligência, imprudência ou imperícia, permitindo responsabilização criminal por lesão corporal culposa ou homicídio culposo”, informou a médica.

Polícia investiga homicídio

O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem no 6º Distrito Policial de Santo André, na região metropolitana. A investigação é feita pelo 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), na capital paulista.

A reportagem apurou que os policiais trabalham com a hipótese de homicídio. Somente ao final do inquérito, a autoridade policial deve definir se o caso se trata de homicídio doloso (quando há intenção) ou culposo (sem intenção de matar).

A mistura com cloro que causou intoxicação nos alunos de natação da C4 Gym foi feita pelo manobrista do estabelecimento. Ele prestou depoimento à polícia, nesta terça-feira (10/2).

Segundo a Polícia Civil, tanto o manobrista quanto os donos da academia são investigados. Os sócios, que deixaram o local após o incidente, ainda não foram ouvidos.

Embora a academia seja antiga no bairro, a administração atual está no comando há cerca de dois anos e não possuía os alvarás de funcionamento da piscina.

O Metrópoles contatou a defesa do manobrista, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Em nota, a direção da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.

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