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Eleições 2026São Paulo

Indicação à suplência de Marina gera mal-estar em coligação de Haddad

PDT ameaça lançar candidatura própria ao Senado e rachar chapa de Haddad em SP caso não seja contemplado com vaga. PSol indica vereador

28/07/2026 02:15
Instagram/@marinasilvaoficial
A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede)

A indicação feita pela federação PSol-Rede do nome do vereador Djalma Nery (PSol) como primeiro suplente na candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), ao Senado gerou insatisfação dentro do grupo político de Fernando Haddad (PT), candidato da chapa ao governo de São Paulo.

Vereador mais votado em São Carlos, no interior paulista, nas últimas duas eleições, Nery, de 38 anos, teve sua indicação à vaga oficializada nesse domingo (26/7), durante convenção da federação marcada por tensões e incertezas quanto à definição que se estenderam até o final do evento. O encontro ratificou o apoio do grupo a Haddad.

Nos bastidores, o posto de suplente tem sido bastante disputado pelo fato de o escolhido ter chances consideráveis de assumir a cadeira no Senado pelo estado. Isso porque, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito, aliados apontam que Marina é cotada para reassumir uma vaga no ministério do petista, abrindo espaço para o suplente virar o titular do mandato, que tem duração de oito anos.

O PDT, que já oficializou o apoio a Haddad, é o principal insatisfeito com o movimento. A legenda presidida por Carlos Lupi, exonerado do Ministério da Previdência Social no ano passado em meio às revelações da farra do INSS, reivindica o espaço e alega ter um compromisso firmado diretamente com Lula para ficar com uma das suplências.

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Para a suplência de Marina, o partido indicou o sindicalista Antonio Neto. Já para a suplência de Simone Tebet (PSB), a outra candidata ao Senado pela chapa, o PDT sugeriu o nome do ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri, aliado do presidente nacional do PT, Edinho Silva. A suplência de Tebet, no entanto, deve ficar com o ex-chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda, o advogado Laio Morais (PT).

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Ameaça de racha

Caso não seja contemplado com nenhuma suplência, o PDT afirma que lançará um nome próprio ao Senado em São Paulo, o que poderia causar um racha na coligação. Um dos argumentos é que, estando coligado com Haddad, politicamente não faria sentido para o partido ficar de fora da “partilha” dentro da chapa.

Se o atual cenário for confirmado, o PSB ficaria contemplado com duas vagas na chapa paulista (Tebet para o Senado e Márcio França para a vice de Haddad); o PT, com duas vagas (Haddad na cabeça de chapa e Laio Morais na suplência); e, por fim, a federação PSol-Rede com duas vagas (Marina para o Senado e Djalma Nery para a primeira suplência). O PDT, por sua vez, ficaria de fora.

Lideranças pedetistas argumentam que, no âmbito nacional, a legenda é maior que PSol e PSB, além de possuir mais vereadores espalhados pelo estado. Além disso, o PDT calcula que, caso tenha uma candidatura própria ao Senado, ficará com mais tempo de televisão que Marina e Tebet. Ambas têm aparecido no topo das pesquisas de intenção de voto.

Após a convenção desse domingo (26/7), membros do PDT e do próprio PSol afirmam que a ala psolista mais ligada ao PT e a Lula, representada por Guilherme Boulos e Érika Hilton, tem defendido a indicação de Antonio Neto para a suplência, como forma de diminuir os atritos.

Já os setores do PSol menos próximos aos petistas alegam que esse grupo deve trocar o partido pelo PT após a eleições e, com isso, já tem trabalhado pelos interesses da legenda de Lula.