Máfia do ICMS: MPSP pede inclusão de ex-fiscal na lista da Interpol
Alberto Toshio Murakami é apontado como principal contato do empresário Sidney Oliveira, da Ultrafarma, em esquema de fraude de ICMS
atualizado
Compartilhar notícia

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou a inclusão do fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz), Alberto Toshio Murakami, na Rede de Difusão Vermelha da Interpol.
Murakami vive nos Estados Unidos e foi denunciado por corrupção passiva, junto com o fiscal exonerado Artur Gomes da Silva Neto, que comandou um esquema para inflar e vender créditos de ICMS em troca de propina paga por empresários.
Além dos dois ex-fiscais da Receita de São Paulo, o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, foi denunciado nesta quinta-feira (5/2). Murakami era o principal contato da rede de farmácias no esquema.
Em um levantamento preliminar, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do MPSP, constataram que a Ultrafarma se beneficiou com o ressarcimento indevido de R$ 327 milhões de créditos de ICMS.
A propina era paga por meio da Smart Tax, empresa registrada em nome da mãe do fiscal Silva Neto, que prestava assessoria financeira a empresas em troca de propina. O MPSP já denunciou os diretores da Fast Shop que se favoreceram do mesmo esquema.
A Smart Tax já emitiu cerca de R$ 1 bilhão em notas fiscais de serviços que serviam como lastro para o serviço ilegal prestado às empresas.
Artur Gomes da Silva Neto está preso preventivamente em Tremembé. O ex-fiscal chegou a negociar um acordo de delação com os promotores, mas a negociação esfriou.
Casa de R$ 7 milhões nos EUA
Segundo a denúncia do MPSP, Murakami é proprietário de uma casa de alto padrão no estado de Maryland, nos Estados Unidos. Os investigadores acreditam que o fiscal more no local.
A residência tem mais de mil metros quadrados e fica na cidade. O imóvel custa cerca de R$ 7 milhões.

Os promotores já apontaram que Murakami foi um dos principais operadores do esquema, orquestrado por Artur Gomes da Silva Neto que envolveu cerca de 15 auditores da receita paulista.
Murakami tinha acesso ao certificado digital de ao menos duas empresas – a Ultrafarma e a rede de postos de gasolina Rede 28.
