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São Paulo

Hopi Hari é condenado a pagar R$ 60 mil à menina que perdeu rim em atração

Em atração de terror do Hopi Hari, enquanto fugia de um funcionário, a jovem tropeçou em um degrau. O acidente desencadeou um trauma renal

22/09/2026 17:35, atualizado 22/09/2026 18:01
Divulgação/Hopi Hari
Atração de terror do Hopi Hari

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) recusou o recurso do Hopi Hari, parque de diversões em Vinhedo, interior de São Paulo, e manteve a condenação para exigir que o parque pague indenização à jovem que perdeu o rim em uma atração de terror, em novembro de 2023. A Justiça determinou o pagamento de R$ 60 mil por danos morais e estéticos.

À época, a jovem tinha 15 anos e foi a um evento anual do parque, denominado Noite do Terror. Enquanto participava de uma das atrações, conhecida como Casa dos Monstros, houve uma situação de desespero dos visitantes, aterrorizados pelas brincadeiras de terror oferecidas pela casa. Nessa situação, a garota foi perseguida por um funcionário fantasiado e, ao tentar fugir, tropeçou e sofreu um acidente, batendo com força a região do flanco direito em uma estrutura rígida, apontada nos autos como quina, pedra ou degrau.

A jovem foi encaminhada ao ambulatório do parque e, posteriormente, ao Hospital Santa Helena, em Santo André. Segundo o advogado responsável pelo caso, George Souza, os exames do hospital constataram “uma lesão extremamente grave no rim direito, com laceração completa do parênquima renal, volumoso hematoma perirrenal e presença de líquido na cavidade abdominal”.

A queda gerou uma lesão renal grave, que causou a perda de um dos rins da jovem. O caso foi à Justiça, e a defesa da garota pediu indenização por danos materiais pela perda do rim (R$ 150 mil), danos morais (R$ 20 mil) e danos estéticos (R$ 25 mil). No entanto, o magistrado determinou uma indenização de R$ 60 mil, sendo R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos, recusando o pedido de danos materiais.

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Em razão do acidente, a garota precisou alterar completamente seu modo de vida e cuidado, relacionados a alimentação, hábitos de vida, prática de determinadas atividades físicas e uso de medicamentos que possam apresentar risco ao rim remanescente. Além disso, a jovem precisa conviver com uma cicatriz de 17 centímetros na barriga, o que, de acordo com o advogado George Sousa, também alterou sua percepção corporal. A Justiça levou em conta esta argumentação ao fixar a condenação.


O que diz o Hopi Hari?

À Justiça, o parque argumentou que não possuía culpa em relação ao incidente, uma vez que a garota teria descumprido as ordens de não correr durante as atrações. Além disso, a empresa alega que a perícia não encontrou relação causal da atração com o acidente, uma vez que o local “onde ocorreu o acidente não apresentava degraus, desníveis ou quaisquer irregularidades estruturais capazes de provocar quedas”.

O Hopi Hari defendeu que a lesão ocorreu porque a jovem optou por descumprir as regras do parque. Atualmente, a empresa recorre da condenação.

A defesa rebate, alegando que o objetivo da atração é provocar medo, susto e reações instintivas nos visitantes. Nesse contexto, correr, tentar fugir, desequilibrar-se ou reagir instintivamente a um susto não é um acontecimento absolutamente estranho à atividade, é uma reação previsível.

Além disso, o advogado da jovem também afirma que, embora o parque possua sistema de monitoramento, não apresentou as imagens do momento específico do acidente, “circunstância que também foi considerada pelo Tribunal no julgamento do recurso”, destaca. Esta conduta omissa também foi apontada no caso de Júlia Bossoni, jovem que perdeu seus movimentos corporais após andar na Montezum, montanha-russa do parque.

O Metrópoles buscou esclarecimento do Hopi Hari sobre as imagens não entregues, porém, não obteve respostas até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.

Hopi Hari é condenado a pagar R$ 60 mil à menina que perdeu rim em atração