
Haddad cobra transparência e quebra de sigilos para aplacar crise no STF
Fernando Haddad (PT) destacou a proximidade com as eleições para que os inquéritos sejam tornados públicos pelo Supremo

O candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) defendeu, nesta terça-feira (8/9), transparência nos inquéritos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Também nesta terça, o ministro André Mendonça, do Supremo, determinou o afastamento preventivo de 90 dias do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, em meio aos desdobramentos do caso Master. O nome do diretor da PF foi citado em mensagens de Vorcaro.
“O problema é quando você começa a ter insegurança em relação… e quando a disputa é interna, a insegurança se justifica. Porque não é uma coisa de fora do Supremo para dentro do Supremo. Quando isso acontece, ou nós temos acesso aos fundamentos do que está sendo decidido para julgar se está havendo abuso de poder, alguma coisa assim, ou nós vamos continuar pisando em um solo não firme”, afirmou Haddad.
O ex-ministro da Fazenda foi questionado, após uma entrevista à Bacci TV, na zona sul de São Paulo. Haddad afirmou que a proximidade com o primeiro turno das eleições presidenciais é um fator determinante para a divulgação integral do conteúdo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO petista também afirmou que a possibilidade de impeachment de ministros do STF, defendida pelo seu adversário, Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve ser discutida sem que seja movida por “paixões políticas”.
“São medidas extremas. Quantas vezes você viu isso acontecer na história do Brasil? Isso vale para os três cargos que nós estamos discutindo aqui. É muito raro, na história do Brasil, você chegar a uma situação dessa. Para você levar isso às últimas consequências, você precisa ter, não basta a paixão política por A, B ou C, você tem que encontrar amparo nos fatos, no que está sendo investigado”, disse Haddad.
Entenda a crise
- PF mapeou troca de mensagens e supostos encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
- Andrei Rodrigues e Paulo Gonet também apareceram em mensagens do banqueiro.
- O ministro André Mendonça derrubou sigilo de relatório da PF. Com a crise instalada no Supremo, a PGR defendeu a nulidade dos atos de Mendonça.
- Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça no Inquérito das Fake News.
- André Mendonça apontou que era alvo de monitoramento ilícito da Polícia Federal.
- Relator determinou o afastamento do diretor-geral da PF.
- A Advocacia Geral da União (AGU) deve recorrer da decisão ainda nesta semana.
Entrevistas durante campanha
Na tarde desta terça, Haddad participou de uma entrevista ao programa Show do Bacci, na Bacci TV. O candidato ao governo de São Paulo reafirmou que não recebeu Vorcaro enquanto esteve à frente do Ministério da Fazenda.
“[Vorcaro] me pediu várias audiências por vários canais. Nunca atendi nem telefone, nem audiência”, disse o petista. “Eu tinha uma Controladoria na Fazenda que falou, ‘olha, atenção pra um caso Master. É uma bomba atômica, vai explodir e vai ser estilhaço pra todo lado’. Então, eu tinha informações do setor de inteligência da Fazenda me alertando, [dando] sinal de alerta. Isso era problema grave e pra quem eu pude, eu expliquei essa situação”.
Mais cedo, durante entrevista à rádio Novabrasil, Haddad afirmou que caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República, o dono do Banco Master “não fica mais na cadeia”.



