Gangue do “quebra-vidro” eleva alerta sobre segurança em ano eleitoral
Secretaria da Segurança Pública busca melhorar sensação de segurança no centro. Desde abril, PM intensificou patrulhamento na região

A quatro meses da eleição, a atuação de gangues quebra-vidro se tornou uma das prioridades de segurança pública dentro da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) por seu potencial de ampliar o sentimento de insegurança na população. A modalidade criminal consiste em quebrar vidros de veículos parados no trânsito para furtar ou roubar celulares, bolsas, notebooks e outros objetos de valor de seus ocupantes.
Desde abril, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) intensificou as ações de combate a esse tipo de crime na região central da capital paulista. Só nesta semana, duas ações de fiscalização foram feitas pela Polícia Militar (PM).
“Não adianta muitas vezes só ter redução de números, é importante que as pessoas tenham realmente a percepção de segurança, tranquilidade para poder trabalhar aqui no centro, para poder viver em paz aqui em São Paulo. Então essa é uma operação recorrente”, afirmou o secretário-executivo coronel Henguel Ricardo Pereira na quarta-feira (10/6), durante uma das ações de fiscalização.
De acordo com a PM, entre janeiro e maio de 2026, foram presas 1.480 pessoas em diferentes flagrantes durante a Operação Impacto Quebra-Vidro. Quando comparados números de janeiro (208) e maio (121), a redução é de 42%. No entanto, grande parte dessas gangues atua bem longe dos olhos da PM.
Um dos rastros deixados à vista da população, além do trauma pessoal, são as pilhas de cacos de vidro no chão em vários cruzamentos do centro expandido de São Paulo.
Segundo a pesquisa “Viver em São Paulo” da Rede Nossa São Paulo, divulgada em janeiro deste ano, 6 em cada 10 paulistanos consideram o fortalecimento da segurança nos bairros como a política pública mais importante para melhorar a própria qualidade de vida.
Há consenso entre interlocutores da SSP para classificar o quebra-vidro como “crime do momento”. “Em cada momento do tempo você tem que combater o crime que aparece. Eu acompanho essa evolução criminosa em São Paulo, e eu sou da época que tinha o roubo a banco. Por volta dos anos 1990 e 2000, [o crime do momento era] sequestro com reféns em cativeiro e sequestro-relâmpago. Isso foi acabando e começou a ter crimes digitais, golpe de Whatsapp e do PIX”, elenca Henguel.
Dentro da Assembleia Legislativa de São Paulo, que conta com uma bancada da bala, o aumento dos casos também chama a atenção, mas não avança por ser um tema do Executivo.
“Nós cobramos as autoridades, a Polícia Militar, [pedimos] mais patrulhamento. [Na ALESP] não dá para fazer nada além”, diz o deputado Delegado Olim (PP-SP), “Isso é uma conversa entre governo estadual com o Executivo federal para fazer os acertos da segurança pública”.
Violência no Metrô
Outro tipo de ocorrência que desperta sentimento de insegurança na população de São Paulo são os roubos e furtos de celulares em terminais ou estação de transporte por trilhos. Entre janeiro e abril deste ano, foram 33 casos por dia – um total de 3.992 registros no período. Desde 2024, cerca de 3,1 mil suspeitos foram detidos, sendo 454 somente nos cinco primeiros meses do ano.
Um caso alarmante ocorreu no final de maio, quando seis pessoas ficarem feridas após um policial de folga reagir a um assalto na estação São Bento da linha 1-Azul do Metrô, no centro de São Paulo.
No mesmo dia, dois seguranças terceirizados da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram agredidos por um grupo de vendedores ambulantes, na Estação Utinga, da Linha 10-Turquesa, em Santo André, na Grande São Paulo.
As estações de maior movimento estão entre as que mais preocupam o governo estadual. “A Tietê é [o local] onde temos localizado mais foragidos [da Justiça]”, afirmou Henguel. “Mas também Barra-Funda e Sé, pela interligação com outras linhas”.

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