Vídeos denunciam uso de furadeiras caseiras para cirurgias em hospital

Funcionários do Hospital Nossa Senhora do Pari, no centro de SP, mostram furadeiras caseiras que são usadas em cirurgias na unidade do SUS

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Furadeiras caseiras e infiltração em hospital
1 de 1 Furadeiras caseiras e infiltração em hospital - Foto: Material cedido ao Metrópoles

São Paulo — Vídeos gravados por funcionários do Hospital Nossa Senhora do Pari, no Canindé, no centro de São Paulo, denunciam o uso de furadeiras domésticas no centro cirúrgico, que é referência em ortopedia e traumatologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, as imagens as quais o Metrópoles teve acesso mostram infiltrações no teto e nas paredes do local.

Assista:

O uso de furadeiras domésticas em cirurgias é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o órgão, existem diferenças fundamentais entre o equipamento doméstico e cirúrgico que afetam diretamente a segurança do paciente. Os cirúrgicos, por exemplo, são preparados para esterilização e possuem recomendações específicas do fabricante para isso.

Nos vídeos, é possível ver um funcionário limpando a furadeira com detergente. Há três furadeiras do tipo visíveis na bancada.

Em outra gravação (veja abaixo), um dos funcionários expõe que um dos equipamentos está com um fio desencapado. O risco elétrico é outro ponto levantado pela Anvisa em relação ao uso de furadeiras caseiras. As específicas para uso hospitalar possuem mecanismos de segurança que previnem choque elétrico e superaquecimento dos ossos e tecidos, além de controle de rotação.

Um terceiro vídeo expõe infiltrações no centro cirúrgico do hospital. É possível ver baldes e uma roupa hospitalar sendo usados para conter a água de goteiras. No caso mais extremo, no corredor do local, há dois baldes e três lixeiras.

Veja:

O caso foi inicialmente revelado pela TV Globo, que confirmou com um funcionário do hospital que a unidade usa as furadeiras em todos os procedimentos que exigem perfuração óssea.

O que dizem os envolvidos

Procurado pelo Metrópoles, a Associação Beneficente Nossa Senhora do Pari (HPARI) afirmou que “cumpre rigorosamente todas as exigências da Anvisa, bem como a legislação vigente”.

“Os equipamentos utilizados no centro cirúrgico são próprios para uso hospitalar e possuem registro no órgão regulador, conforme vistoria realizada pela Vigilância Sanitária na data de 06/02/2025”, disse o hospital.

“O HPARI é uma entidade beneficente, sem fins lucrativos e hospital de referência em Ortopedia e Traumatologia pelo SUS, adotando as melhores práticas para garantir a saúde e o bem-estar de seus pacientes. Mensalmente, são realizadas cerca de 550 cirurgias, com 90% de aprovação por parte dos pacientes, além de uma taxa de infecção de apenas 1,3% — índice muito abaixo dos 5% preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, continua a nota.

“O hospital reafirma seu compromisso em atender a população carente com o mais elevado padrão de qualidade hospitalar, prestando serviços relevantes à comunidade, e permanece à disposição das autoridades, reforçando sua postura de total transparência e responsabilidade.”

A Anvisa confirmou por meio de nota que há equipamentos específicos registrados na agência para a realização de procedimentos operatórios e ortopédicos. “Segundo a lei federal 6360/1976 e a RDC 751/2022, a furadeira cirúrgica é um produto para a saúde, que durante o processo de regularização passa por análise de segurança e eficácia do produto, a partir da avaliação de evidências objetivas fornecidas pelo fabricante.”

Segundo a nota, a verificação no local e fiscalização deve ser feita pelas vigilâncias sanitárias locais, estado e município, que são as autoridades competentes para autorizar o funcionamento de serviços de saúde. O uso de produtos sujeitos a vigilância sanitária sem anuência da Anvisa, além de infração sanitária prevista na lei nº 6437/1977, pode implicar em sanções civis e penais, conforme a legislação vigente.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo realiza, nesta quinta-feira (6/2), uma inspeção no Hospital Nossa Senhora do Pari, “após as recentes denúncias sobre a unidade”. A fiscalização é conduzida “com o objetivo de apurar e investigar possíveis irregularidades”, de acordo com o comunicado.

Em nota, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) afirmou que a prática cirúrgica “deve seguir rigorosamente as
normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir a segurança e qualidade no atendimento”.

“O uso de equipamentos e instrumentos não homologados ou em desconformidade com as diretrizes técnicas estabelecidas para procedimentos em Ortopedia e Traumatologia pode comprometer a segurança dos pacientes”, disse a sociedade.

A reportagem procurou a Prefeitura de São Paulo e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para mais informações, mas não houve retorno.

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