Fora do país, adolescente patrocinava ataques e promovia automutilação
Menino de 16 anos participava de grupo investigado por crimes virtuais. Polícia Civil de SP explica como jovem se aproximava de vítimas

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo identificou na França um adolescente brasileiro de 16 anos suspeito de integrar uma rede que incentivava crimes pela internet, como automutilação, suicídio, maus-tratos a animais e até ataques contra escolas e creches.
A investigação foi conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), unidade da Polícia Civil paulista especializada em crimes virtuais. Segundo a coordenadora do núcleo, a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, a apuração começou no início de 2025, após a identificação de um servidor usado para transmitir e incentivar crimes contra crianças e adolescentes.
“Durante o curso das investigações, nós conseguimos descobrir os autores. O desafio era chegar até esse adolescente em específico, porque eles utilizam apelidos na internet e mecanismos para esconder a própria identidade”, explica a delegada.
Foi nesse processo que a polícia identificou um adolescente brasileiro que vivia na França. Segundo a investigação, além de integrar o grupo, ele ajudava a organizar parte das ações criminosas.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasComo a investigação chegou ao adolescente
Embora muitos participantes utilizassem ferramentas para ocultar a localização, a delegada Lisandréa disse que o trabalho do Noad combina monitoramento constante das plataformas digitais, produção de inteligência e análise técnica para identificar os envolvidos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Nós nunca sabemos onde aquela pessoa está. Primeiro identificamos quem é o autor. Só depois descobrimos em qual estado ou até mesmo em qual país ele se encontra”, afirma.
Após confirmar que o adolescente estava na França, a Polícia Civil obteve autorização da Justiça Federal para acionar os mecanismos de cooperação internacional. O pedido foi encaminhado pela Polícia Federal à Interpol, que repassou as informações às autoridades francesas.
Desde então, o adolescente deixou de aparecer nas plataformas monitoradas pelo Noad. A Polícia Civil, porém, afirma não ter sido informada sobre quais medidas foram adotadas na França.
“Quando o investigado está em outro país, a responsabilidade passa a ser das autoridades locais. Nós comunicamos o fato e aguardamos as providências daquele país”, explica.
Como o adolescente era menor de idade na época da investigação, ele foi incluído na Difusão Azul da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas e permitir que as autoridades sejam notificadas caso elas cruzem fronteiras. Diferentemente da Difusão Vermelha, voltada para pessoas procuradas para prisão, o alerta azul tem como objetivo auxiliar na localização e identificação do investigado.
Para a coordenadora do Noad, o caso não é isolado. Segundo a Polícia Civil, cerca de 90% dos investigados pelo Noad são adolescentes, em sua maioria meninos entre 12 e 20 anos. As vítimas, por outro lado, costumam ser crianças e adolescentes — principalmente meninas — aliciadas em jogos e plataformas digitais antes de sofrer ameaças, chantagens e outras formas de violência.
Busque ajuda

O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos ou tentativas de suicídio que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social, porque esse é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o assunto não venha a público com frequência, para o ato não ser estimulado. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.
Depressão, esquizofrenia e uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida – problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.
Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ajudar você. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas, todos os dias.



