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Eleições 2026São Paulo

“Flavio é cópia malfeita do pai”, diz autor de impeachment de Dilma

Jurista Miguel Reale Júnior apoia reeleição de Lula em segundo turno e que Flávio na presidência representa um retrocesso

22/10/2026 02:15
Reprodução/Redes Sociais
“Flavio é cópia malfeita do pai”, diz autor de impeachment de Dilma

São Paulo — O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), afirma que, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente no próximo domingo (25/10), o Brasil pode encarar o retrocesso e riscos institucionais.

No último sábado (17/10), o jurista publicou uma foto fazendo o “L” em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após mobilização organizada pelo deputado André Janones (Rede-MG).

No mesmo dia, ele também assinou um documento em apoio ao quarto mandato do presidente ao lado de outras 14 personalidades, como o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSB-SP), a filha de Fernando Henrique Cardoso, Beatriz Cardoso, e o ex-embaixador Rubens Ricupero.

Em entrevista ao Metrópoles, o jurista disse que os eleitores não sabem o passado do senador, que teve apenas dois projetos aprovados durante seus 7 anos de mandato. Ambos estão em tramitação na Câmara dos Deputados.

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“Flávio é uma cópia malfeita do pai. Esquece-se do passado, do que foi Flávio. Flávio, como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, reiteradamente assumiu a tribuna para elogiar a ditadura, elogiar a Ustra, concedeu uma medalha e homenagem, maior título da Assembleia Legislativa ao miliciano [Adriano] Nóbrega, pôs no seu gabinete a mãe e a irmã de Nóbrega, escreveu um livro em 2017, Mito ou Verdade, no qual elogia o coronel Ustra e o chama de herói”, afirmou o jurista. “Ou seja, nós estamos diante de uma figura que só fez violência, a apologia da ditadura, da violência, da tortura e evidentemente muitas pessoas que estão votando nele não sabem do seu passado, não sabem do perigo que constitui ter um miliciano na presidência da República”.

A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21/10) mostra Flávio com 45% das intenções de voto no segundo turno, enquanto o presidente Lula tem 44%.

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Reale já havia anunciado voto contra Flávio Bolsonaro (PL) em 7 de outubro em uma carta aberta publicada nas redes sociais. Ele afirmou considerar uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) uma ameaça à democracia.

“Não é porque o PT está desgastado e ultrapassado que se vai mudar de rumo [com a] mudança para ir na direção do precipício. É isso que nós iremos ter com o Flávio. Serão quatro anos de desespero, uma pessoa que além de ser preparada, gosta de brincar de ser Presidente da República sem ter sequer o passado político que o indique como capaz de ser presidente”, disse.

Reale Jr. destaca que o PT errou ao não conseguir aproveitar a frente ampla formada em 2022 para ajudar a eleger Lula para um terceiro mandato.

“A sociedade mudou muito de lá para cá [desde o Impeachment]. A Dilma foi destituída porque ela tinha levado o país a uma debacle imensa. O PT também, por outro lado, errou na medida em que houve um grande apoio ao Lula em 2022 e não soube aproveitar desse conjunto de forças que se reuniu em torno dele para elegê-lo, para conversar com esse conjunto de forças. Ao mesmo tempo, teve enganos e erros na condução econômica. Mas, uma coisa é certa: nunca houve, por parte do PT, ameaça à democracia, ameaças às liberdades democráticas, golpe de Estado”, diz.

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Miguel Reale Júnior
Jurista apoiou a reeleição de Lula em publicações nas redes sociais
Miguel Reale Júnior, jurista e advogado
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Miguel Reale Júnior, jurista e advogado

Antonio Cruz/Agência Brasil
Miguel Reale Júnior
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Miguel Reale Júnior

Edilson Rodrigues/Agência Senado
Jurista apoiou a reeleição de Lula em publicações nas redes sociais
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Jurista apoiou a reeleição de Lula em publicações nas redes sociais

Reprodução/Redes Sociais

Risco Institucional

Na próxima legislatura, o PL, partido de Flávio, terá as maiores bancadas nas duas Casas do Congresso Nacional, com 121 deputados na Câmara e 28 senadores. Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi eleito, em 2018, ele tinha apoio de 52 deputados e 36 senadores que apoiaram diretamente sua candidatura.

Reale Jr. afirma que há uma preocupação com um favorecimento aos interesses estrangeiros que podem ameaçar a soberania nacional em um eventual mandato presidencial do filho 01 de Jair Bolsonaro.

“Fica mais perigoso ainda, porque [Jair] Bolsonaro, pelo menos, teve um Congresso e o Supremo Tribunal Federal resistindo a sua tentativa de imposição autoritária, mas o Congresso submisso, como pode ser o que foi eleito agora em outubro, vai facilitar uma ação de Flávio em favor de interesses norte-americanos, terras raras, petróleo, principalmente impondo restrições aos benefícios sociais”, disse.

Na avaliação do jurista, essa eleição também pode representar um retrocesso no plano cultural e até mesmo uma desregularização das instituições de controle.