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São Paulo

Febre maculosa: estudo da USP abre caminho para vacina

Proteína produzida pelo carrapato pode ser chave para frear a transmissão da doença, aponta pesquisa; hospedeiros seriam alvo de imunização

15/06/2023 17:30
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Julio Cesar Bazanini/USP Imagens
Febre maculosa: estudo da USP abre caminho para vacina

São Paulo – Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) desponta como a grande esperança para o desenvolvimento de uma vacina contra febre maculosa. O trabalho, divulgado na revista Parasites & Vectors, aponta um caminho para o controle da população do carrapato-estrela, principal transmissor da doença.

Os casos de febre maculosa ganharam destaque recente devido a um surto em Campinas, interior de São Paulo, em que pelo menos quatro pessoas morreram após participar de dois grandes eventos na Fazenda Santa Margarida, distrito de Joaquim Egídio.

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Diogo e Mariana morreram de febre maculosa
Febre maculosa: estudo da USP abre caminho para vacina - imagem 3
Febre maculosa é transmitida principalmente pelo carrapato-estrela
Evelyn morava em Hortolândia, no interior de SP
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Evelyn morava em Hortolândia, no interior de SP

Reprodução/Redes Sociais
Diogo e Mariana morreram de febre maculosa
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Diogo e Mariana morreram de febre maculosa

Reprodução/Instagram
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Febre maculosa é transmitida principalmente pelo carrapato-estrela
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Febre maculosa é transmitida principalmente pelo carrapato-estrela

CDC / Dr. Christopher Paddock / James Gathany

A chave da descoberta da USP é uma proteína que o próprio carrapato produz. De acordo com os resultados da pesquisa, se os carrapatos não tiverem essa proteína em alta quantidade, não conseguem sobreviver.

Rickettsia rickettsiibactéria que causa a doença, é transmitida pela picada de carrapatos infectados. No Brasil, duas espécies desses aracnídeos transmitem a bactéria para humanos. O carrapato-estrela, utilizado no estudo, é o principal vetor. Mas há também o Amblyomma aureolatum, que transmite a bactéria na região metropolitana da cidade de São Paulo.

Em sua fase adulta, o carrapato se alimenta preferencialmente de cavalos e de capivaras. Segundo o estudo, se o alvo encontrado para a obtenção de um imunizante for promissor, o carrapato que se alimentar de um animal vacinado morrerá, interrompendo o ciclo de proliferação da bactéria.

Assim, ao controlar  a população dos carrapatos por meio da vacinação de hospedeiros, como capivaras e cavalos, a transmissão da doença para seres humanos também seria potencialmente reduzida.

Numa próxima etapa da pesquisa, pedaços dessa proteína (peptídeos) serão produzidos para imunizar coelhos que produzirão anticorpos contra ela. Espera-se que os anticorpos neutralizem a proteína, levando à morte do carrapato ao se alimentar.

Os resultados devem ser conhecidos em pouco mais de um ano. A pesquisa da USP, desenvolvida no Laboratório de Bioquímica e Imunologia de Artrópodes do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A doença

A região de Campinas é endêmica para a febre maculosa, com o maior registro de casos no Brasil. Outras áreas de risco são Piracicaba, Assis e Sorocaba.

A febre maculosa é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é transmitida por algumas espécies de carrapatos.

A infecção apresenta alta taxa de letalidade, mas tem cura. O tratamento deve ser iniciado precocemente com antibióticos específicos.

Sintomas

  • Dor de cabeça intensa;
  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia e dor abdominal;
  • Dor muscular constante;
  • Inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés;
  • Gangrena nos dedos e orelhas;
  • Paralisia dos membros que inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões causando parada respiratória.

Na evolução da doença, também é comum o aparecimento de manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos, que não coçam, mas podem aumentar em direção às palmas das mãos, braços ou solas dos pés.

Como é a transmissão?

A transmissão da doença ocorre em ambientes silvestres, nos quais exista o carrapato Amblyomma cajennense, popularmente conhecido como carrapato-estrela. Para que ocorra a transmissão, é necessário que o carrapato fique fixado na pele por um período de cerca de 4 horas.

Como se proteger:

  • Ao realizar trilhas e atividades de lazer ao ar livre, algumas precauções devem ser tomadas para evitar a febre maculosa:
  • Evitar caminhar, sentar e deitar em gramados e em áreas de conhecida infestação de carrapatos;
  • Em áreas silvestres, realizar vistorias no corpo em busca de carrapatos em intervalos de três horas para diminuir o risco de contrair a
    doença;
  • Se forem verificados carrapatos no corpo, não esmagar o carrapato com as unhas, pois ele pode liberar as bactérias e infectar partes do corpo com lesões;
  • Se encontrar o parasita, ele deve ser retirado de leve com torções e com auxílio de pinça, evitando contato com as unhas. Quanto mais rápido forem retirados, menor a chance de infecção;
  • Utilizar barreiras físicas, como calças compridas, com a parte inferior por dentro das botas ou meias grossas;
  • Utilização de roupas claras para facilitar a visualização e retirada dos carrapatos.

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