Famílias vivem drama há meses após terem casas interditadas em SP

Seis casas foram interditadas por rachaduras estruturais na avenida do Parque São Rafael. Moradores estão sem resposta da prefeitura

atualizado

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Famílias não recebem solução para casas com risco de desabamento - Metrópoles
1 de 1 Famílias não recebem solução para casas com risco de desabamento - Metrópoles - Foto: Kaue Agostinho/Metrópoles

“Oi, meu amor. Eu ‘tô’ em casa. Na casa quebrada.” Assim o fundidor Mario Barbosa atendeu o telefone encarando o local onde morava com a família há 14 anos, na Avenida Pedro Cardoso do Prado, no Parque São Rafael, na zona leste de São Paulo. O imóvel foi interditado totalmente pela Defesa Civil após rachaduras estruturais se espalharem pelos cômodos. Ele, a esposa e a filha foram obrigados a abandonar a casa própria e morar de aluguel.

“No último dia em que eu estive aqui, a minha esposa sentou na sala e chorou a noite toda, porque ela nasceu aqui, nessa casa. Passou uma história, da infância até o dia de hoje. Imagina você perder algo que viu construir, viu nascer, e de repente você larga tudo e vai embora”, disse ao Metrópoles.

A casa de Mario é uma das seis que estão com risco de desabamento na via. A situação já se arrasta por meses. Mesmo com sucessivos questionamentos à prefeitura, os moradores seguem sem saber a causa das rachaduras — e muito menos a solução.

“Nós não queremos dinheiro. A gente quer a nossa moradia de volta”, afirmou a diarista Neia Nobre. O pai dela construiu a casa onde a família vivia há quase seis décadas. O imóvel foi o primeiro a ser interditado, ainda no ano passado. Agora, o idoso de 82 anos está morando de aluguel com a esposa, a filha, o genro e dois netos em uma casa de três cômodos.

“Meu pai, depois que saiu daqui, ficou doente, depressivo. Chora de noite, não dorme na cama, só dorme com remédio. Nós trouxemos ele aqui esses dias, ele começou a chorar. Uma pessoa que trabalhou a vida inteira, que construiu essa casa, não queria sair daqui. Eu não quero que meu pai morra sem ter a solução da casa dele”, desabafou Neia. Temendo que o imóvel cause ainda mais prejuízos, a família estendeu uma faixa na frente do sobrado, alertando o perigo de desabamento.

“Perigo. Mantenha distância. Imóvel com alto risco de desabamento! Margens do Córrego Cipoaba cedendo, estruturas afetadas, IPTU pago e moradores sem auxílio. Descaso das autoridades! E agora?”, diz a mensagem.

A avenida faz margem com o Córrego Cipoaba. A suspeita dos moradores é que o corpo d’água, com cerca de 2,5 quilômetros, esteja relacionado com o problema dos danos estruturais. Desde 2008, o córrego recebeu obras no sistema de coleta e afastamento de esgoto, além de diversas ações de despoluição. As intervenções, no entanto, não evitaram problemas como transbordamento após chuvas, acúmulo de lixo, ocupação irregular e assoreamento da área.

“A prefeitura esteve no local, disse que poderia ser questões do esgoto da Sabesp. A Sabesp veio e emitiu um laudo falando que não encontrou irregularidades. Nós, moradores, acreditamos que seja pelo processo erosivo natural do rio. Teve a queda das barreiras, a chuva tem levado a terra do rio e com isso tem ocasionado a movimentação do solo”, afirmou a auxiliar administrativa Mirna Evelyn. Mesmo com a casa ainda ilesa, ela tem atuado junto aos vizinhos afetados para conseguir alguma assistência da gestão municipal.

“Se faz muito necessária a obra do rio. Nós temos pressa com isso, porque se continuar esse processo erosivo e a chuva continuar vindo fortemente, as demais casas vão ser afetadas. Todos nós precisamos dessa obra”, disse Mirna, que mora há 38 anos no local.

Não bastasse o risco de perder a casa e a falta de recursos, os moradores ainda lidam com a insegurança de ter seus lares saqueados. Na última sexta-feira (24/4), dois ladrões foram vistos invadindo os imóveis interditados e furtando peças metálicas de janelas e portas. Eles levaram até mesmo um carrinho de mão que estava em uma das casas para transportar os objetos (assista abaixo).

O que dizem as autoridades

Em nota, a Sabesp disse que as redes de abastecimento de água e coleta de esgoto no local não apresentam danos estruturais, infiltrações ou rompimentos. “Dessa forma, os problemas observados não estão relacionados às redes operadas pela empresa”, afirmou.

Durante vistoria técnica, foi identificada uma erosão no solo que, eventualmente, poderia impactar a rede de distribuição de água. Como medida preventiva, a Sabesp reposicionou temporariamente a tubulação de abastecimento a cerca de 2,5 metros acima do solo, garantindo a continuidade do fornecimento na região.” A empresa disse que monitora o local com vistorias semanais.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Subprefeitura São Mateus, disse que as interdições nos imóveis foram realizadas após uma vistoria constatar os riscos de ruína das edificações.

“Sobre a solução definitiva, as secretarias municipais de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) estão consolidando os projetos necessários para as obras de drenagem do Córrego Cipoaba e implantação do Parque Linear. Após essa etapa, o orçamento das intervenções será elaborado para posterior publicação do edital de contratação das ações”, afirmou a gestão municipal.

A reportagem questionou duas vezes sobre a causa da deterioração das casas e quais seriam os planos para os imóveis (como reforma ou demolição, a situação jurídica das residências, se houve alguma obra recente nas imediações da avenida e se os moradores serão ressarcidos de alguma forma), mas a prefeitura não respondeu.

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