Falhas na integração de dados impedem famílias de achar desaparecidos
O estado de SP tem mais de 50 pessoas desaparecidas por dia, mas a gestão Tarcísio ainda não aderiu ao cadastro nacional lançado em 2025
atualizado
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No estado de São Paulo, mais de 50 pessoas são registradas como desaparecidas todos os dias, em média, segundo levantamento do Metrópoles. Por trás dos números, existem famílias que são forçadas a viver na ausência.
Uma das principais demandas dos parentes é a integração nacional de dados. Sem o cruzamento de informações, por exemplo, uma família procurou durante sete anos por um jovem que havia sido enterrado como indigente.
Segundo o governo federal, medidas estão em andamento com o lançamento, em agosto de 2025, do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD).
Conforme o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o projeto teve início em março de 2021, com a criação de um grupo de trabalho responsável por definir requisitos e regras, culminando, em 2023, na implementação de uma ferramenta tecnológica para auxiliar nas buscas.
Em relação a São Paulo, o MJSP informou ao Metrópoles que ainda não houve formalização de um acordo de cooperação técnica necessário para a integração dos dados ao CNPD, que depende somente da “manifestação de interesse” da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“A adesão à plataforma Amber Alert Brasil está em tratativas com o Ministério da Justiça para que a proposta atenda plenamente às particularidades do estado [São Paulo], que dispõe de um dos bancos de dados mais completos do país, com acesso disponível a todas as delegacias e emissão imediata de alertas após o registro de desaparecimento”, relatou, em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Apesar dos avanços tecnológicos, das campanhas de conscientização e das redes que tentam costurar respostas, o número de desaparecidos no Brasil escancara um vazio institucional, com políticas ainda fragmentadas.
Luta pelo Luto
O Metrópoles publicou, nesse domingo (5/4), a reportagem especial Luta pelo Luto. Em formato multimídia, o conteúdo focado em famílias que procuram por desaparecidos foi desenvolvido ao longo de mais de seis meses pelos repórteres Alfredo Henrique e Rebeca Ligabue.
Um levantamento exclusivo da reportagem mostra que, no estado de São Paulo, entre janeiro de 2020 e junho de 2025, foram 102.185 boletins de ocorrência. Os dados evidenciam, por exemplo, que na capital os casos ocorrem sobretudo em regiões periféricas.
No Brasil, apenas em 2024, foram registrados 81.873 desaparecimentos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Em média, no país, são quatro notificações por hora.
De acordo com especialistas, um dos principais alertas sobre o tema está relacionado aos desaparecimentos forçados, muitas vezes decorrentes da negligência do Estado. Esses casos estão ligados à atuação de facções criminosas nos “tribunais do crime” e até violência policial; crimes sexuais; homicídios; tráfico de órgãos; e, eventualmente, tráfico humano motivado por adoções ilegais de crianças
O material também contempla um minidocumentário. Assista:
Erro 404: campanha do Metrópoles
Após esmiuçar o assunto na reportagem Luta pelo Luto, o portal Metrópoles mobiliza esforços na busca por pessoas desaparecidas. A partir desta segunda-feira (30/3), quando o usuário acessar um link quebrado do Metrópoles, será redirecionado para uma página na qual aparecerão a imagem e o perfil de uma pessoa desaparecida.
Na web, os links quebrados ocorrem devido a falhas de endereçamento e conduzem ao erro 404 – Página não encontrada.
As informações que estarão disponíveis na página 404 do Metrópoles vieram do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para a coleta de dados e a divulgação de casos.
Especialistas em segurança pública consideram que a ampla e rápida divulgação sobre o desaparecimento de alguém é uma das estratégias mais eficientes para a localização.
Leia a matéria Luta pelo Luto.
